Introdução

O Diário de Angela (Angela’s Diary, em inglês) foi lançado em dezembro de 2008 como parte de uma edição especial do Blu-Ray de Resident Evil Degeneração, lançada exclusivamente no Japão. Além do filme, o pack acompanhava também uma miniatura de Curtis Miller já transformado e um livro com artworks e o documento de Angela, que relata acontecimentos anteriores ao filme. O texto foi traduzido do original e cedido pelo site Biohaze.

Diário de Angela

11/8/2005

Hoje vi as fotos. A imagem foi hospedada na homepage da TerraSave. Era uma foto das vitimas de um teste clínico que a WilPharma conduziu. Por que eles fariam algo tão horrível? Por que ninguém impediu isso antes que chegasse a esse ponto? Isso obviamente vai além de um teste clínico. Se o que dá pra ver nas imagens é real, a WilPharma não pode ser perdoada. Mesmo se foi um teste legal. De acordo com o website da TerraSave, eles vão buscar ajuda da Corte Internacional caso o governo americano não investigue e puna a WilPharma.

Meu querido.

Fico pensando se não deveria ter prestado mais atenção às palavras de seu pai… Quando ele pensou que a WilPharma era um problema… Mas preciso saber a verdade. Por que a WilPharma teve que fazer o teste na Índia? Por que estão escondendo isso?

15/8/2005

O chefe ligou para falar comigo. Aparentemente, alguém o informou sobre eu estar investigando a WilPharma. Eu sabia que isso ia acontecer. Eles não me veem bem desde que seu pai foi à WilPharma e acabou preso. Eles não gostam de mim, a irmã de um criminoso, sendo uma policial. Não me importo com as atitudes infantis deles tentando fazer com que eu me sinta mal. Não ligo que mexam comigo, mas é diferente quanto mexem com meus subordinados. Está totalmente fora de questão. Todos eles sabiam quando entraram no meu time, sabiam que eu não era querida, que suas promoções não aconteceriam e estavam tranquilo quanto a isso. Fico feliz que eles estejam em meu time, mas eles têm famílias e merecem as promoções. Não quero, de maneira alguma, rebaixá-los porque são gentis o bastante para gostarem de mim. Curtis queria que a WilPharma se explicasse sobre suas instalações. Não acho que ele esteja errado de querer isso. Porém, é verdade que o que ele fez foi inapropriado. Não é surpresa que ele tenha sido preso por suas ações. Se eu não achasse, não mereceria ter meu trabalho.

19/8/2005

Desenvolver medicamentos é muito caro. E também leva muito tempo. Os pesquisadores começam analisando os elementos químicos, e então testam repetidamente com animais até que os remédios sejam seguros o bastante para utilização em testes clínicos. Custa cerca de 10 bilhões e leva aproximadamente 10 anos—-

O investimento vale a pena. Claro, há riscos financeiros. Quanto menos riscos, melhor. Todos estão tentando gastar menos tempo e dinheiro para reduzir estes riscos. Eles acham que fazer testes clínicos em outros países é mais barato. Especialmente, na Ásia. O website de uma companhia afirmou que a Ásia não é apenas mais barato, mas tem mais gente para se trabalhar com. Não é apenas no caso da WilPharma. Isto é visto em outras empresas farmacêuticas também. Como tantas outras companhias estão fazendo testes clínicos, caso um incidente como o da WilPharma ocorra, isso afeta todas as outras; então, faz sentido que eles calem sobre isso. Como todas estão fazendo algum tipo de teste clínico, não podemos colocar a culpa apenas na WilPharma.

Curtis sabia de algo?

A WilPharma ainda está quieta. Nesta cidade, as pessoas nem mesmo comentam sobre o assunto.

23/8/2005

Algumas pessoas foram presas hoje. Seis estudantes, que vieram do Oriente tentar acusar a WilPharma, entraram em uma discussão com um carpinteiro enquanto estavam tomando alguns drinques, e isso se transformou em uma briga.

Esta não é uma cidade grande. Pode não parece justo para os estudantes, mas acusar a WilPharma por aqui não é uma boa ideia. A WilPharma é algo que as pessoas daqui admirariam, mas não acusariam; foi a companhia que trouxe esperança e prosperidade para esta pequena e velha cidade, que estava morrendo há dez anos.

A influência econômica que a WilPharma está trazendo à cidade é vasta. Não importam os problemas de personalidades de Davis, ele será escolhido na próxima eleição, novamente, como o representante da cidade, e irá a Washington. Esta cidade mudou muito. Quase tudo mudou desde que seu pai e eu passamos pela juventude. Fico pensando, onde estaria seu pai agora?

26/8/2005

Fui à Washington no meu dia de folga. Um velho amigo me apresentou a alguém responsável pelo departamento de desenvolvimento de uma companhia farmacêutica. De acordo com ele, é raro que uma infecção em massa como a do caso da WilPharma ocorra. Ele não pôde negar a possibilidade de que isso possa acontecer. Na verdade, houve um caso misterioso quando ele era novo em uma companhia farmacêutica. Ele hesitou em falar detalhes do caso. Perguntei, de brincadeira, se o remédio (o que eles estavam testando quando o caso misterioso ocorreu) já estava nas farmácias. Ele apenas sorriu.

Aparentemente, as pessoas na indústria farmacêutica falam frequentemente da WilPharma. É óbvio que a existência da companhia está em risco após a revelação do acidente, mas parece que pode haver outra maneira para o silêncio.

Algumas pessoas ouviram rumores de que a WilPharma assinou um contrato secreto com o Pentágono. Mas é apenas um boato, e ninguém nunca mais ouviu nada sobre isso.

27/8/2005

Parei no bar de Kato. Ele ficou falando, com seu inglês com sotaque, que o estabelecimento está quase quebrado. Ele não mudou nada desde a última vez que o vi. Conheci um cara interessante quando estava lá. Ele disse, orgulhoso, que já visitou mais de 132 países. Ele trabalha atualmente como motorista, que dirige carros alugados abandonados de volta aos escritórios. Eu sou pago para viajar pelos EUA, ele disse. Eu perguntei se ele havia visto seu pai por acaso, mas ele disse que não. Claro que não.

5/9/2005

Há algumas notícias sobre a cidade hoje. Parece que eles vão fazer o memorial novamente este ano. Mas é um evento pequeno, antes do início do inverno, e em uma cidade diferente, a 160 quilômetros. Eles ainda mantém a cidade fechada. Ouvi que o congresso está fazendo pesquisas lá, mas nós sobreviventes nem sabemos exatamente se eles informarão os resultados.

Já fazem sete anos. A vida continua mudando, mas ainda lembro dos dias que passamos juntos, tão claramente como se fosse ontem. Recebi uma ligação de um velho amigo hoje. Aparentemente, nosso amigo mútuo o falou que eu visitei Washington. Ele se estabeleceu e tem três filhas. Ele me falou que eu deveria aceitar o que aconteceu no passado e começar a procurar minha felicidade. Talvez ele esteja certo e eu ainda não tenha superado meu passado totalmente. Mas como posso fazer isso sem saber a verdade sobre o que aconteceu? Não posso fazer isso. Não posso fingir que está tudo bem.

13/9/2005

Trouxe um corretor de imóveis à sua casa hoje, para fazer uma avaliação.

Mas acabei decidindo que não consigo.

Vou dormir em sua cama hoje, como costumava fazer.

17/9/2005

Finalmente consegui conhecer um cara da TerraSave hoje. Ele era o secretário geral quando Curtis ainda trabalhava para eles. Nunca gostei dele, mas ele sempre age como se achasse que é muito esperto, mas achei que ele saberia detalhes sobre os testes clínicos que a WilPharma conduziu na Índia. Mas, de alguma forma, ele me confundiu com um espião ou algo do tipo, que foi enviado pela polícia de Harvardville. Ele sabe que, para nós, pessoas que estão contra a WilPharma, é difícil viver na cidade.

Ele sabe que é uma cidade fechada para pessoas com pensamentos diferentes.

Então ele acha que, agora que a polícia não gosta de mim pelas ações do meu irmão, estou tentando mostrar o que tenho contra eles indo perguntar à TerraSave, a maior inimiga da WilPharma. Não tenho perguntas a serem feitas. O que estou fazendo aqui?

29/9/2005

Saí com membros da SRT esta noite. Em parte, devido ao novo membro que acaba de entrar no time.

Greg disse algo que sempre fala quando está bêbado.

O que Curtis fez foi um pouco demais, mas ele fez a coisa certa.

Se eu tivesse perdido alguém importante como ele, e soubesse que poderia acontecer de novo, faria o possível para impedir, estando ou não correndo risco de ser preso. Se falar com alguém que estivesse causando isso fosse o único jeito, eu também faria isso, como ele. Para as pessoas desta cidade, Curtis deve ser outro bêbado que arruma briga com qualquer um que não goste, mas eu me lembro dele como um médico decente. Não era o melhor assunto para se conversar em frente do novato, então não continuei. Mas foi bom saber que há alguém que ainda acredita nele.

7/10/05

Recebi uma ligação do cara da TerraSave. Ele me disse que viu Curtis. Ele passou por ele apenas, mas ele tinha certeza que era Curtis. O viu entrando no Hotel Savoy, em Chicago. Acabei gritando com ele dizendo que não há outro lugar para onde ele iria, a não ser aqui, caso ele voltasse.

9/10/05

O nome de Curtis não estava na lista de hóspedes do hotel. Mas uma governanta de lá olhou a minha foto com ele e disse que viu um hóspede que se parecia com ele. Ele estava no quarto 1438. Voltei à recepção. O endereço do homem que ficou no 1438 era de St. Louis. Mas quando procurei saber, o endereço não existe lá. Não sei o que estou procurando.

23/10/05

Recebi uma carta de seu amigo hoje de manhã. Lembra-se do jovem chamado Forrest? Ele te escreveu a carta pois o nome “Harvardville”, que ele ouviu acompanhando as notícias sobre o incidente da WilPharma, o lembrou de você. Ele disse que se mudou para Chicago um ano após você ter deixado a cidade. Infelizmente, não o conheci. Ele disse que sonha em ser um médico, como seu pai.

Ele virá me visitar na cidade no final do ano, com seus amigos. Estou tentando esquecer de tudo por agora, lendo e relendo a carta. Pensando na parte de você que não conheço, pois me deixa feliz por um tempo.

Boa noite.

1/11/2005

Davis visitou o chefe hoje.

Não sei exatamente o porque, mas ele entrou no escritório com um olhar furioso, então acredito que ele queira que protejamos os prédios da WilPharma, ou sua casa, de forma mais cuidadosa ou algo do tipo.

A cidade perdeu a calma após os testes clínicos aparecerem em uma das três maiores redes de TV. Ouvi boatos que a WilPharma fará um grande protesto em breve.

7/11/2005

Estamos fazendo reuniões uns com os outros. A TerraSave está planejando um protesto antes da Conferência Nacional de Medicina, daqui a uma semana. O chefe está muito nervoso por causa disso. Algumas pessoas da cidade estão silenciosas, como se não se importassem. Não importa como a mídia de massas transforme isso em algo grande, parece não incomodar em nada às pessoas. Tudo que eles precisam é que a informação desapareça. Graças a eles, meu trabalho como policial está feito por hoje, sem incidentes.

Obrigado.

A cidade está segura como sempre.

 


 

← Reports
%d blogueiros gostam disto: