Introdução

Acima de ser uma saga sobre armas biológicas, traição, ganância e luta pela sobrevivência, Resident Evil também é uma série sobre a Umbrella Corporation. A mega-empresa que deu origem a tudo surgiu em meados dos anos 60 e teve sua história contada ao longo de todos os games, até seu final (?) em 2009, com a chegada de Resident Evil 5. Porém, ela não foi a única corporação a se envolver na saga. Companhias como H.C.F., S e Wilpharma também tiveram sua participação e, por não estarem no foco principal, pouco foi divulgado sobre elas. Sua origem, influência e destino são obscuros. Neste artigo, estarão reunidas as informações disponíveis sobre as três, assim como sua participação na trama e conclusões possíveis sobre o destino das empresas.
Começando com uma suposição. Apesar de não existirem fatos concretos sobre tais envolvimentos, é possível supor que as empresas faziam parte do Global Pharmaceutical Consortium (Consórcio Farmacêutico Global). Possivelmente, elas estiveram envolvidas na venda de medicamentos e técnicas de pesquisa para a Umbrella e foram fundamentais na derrocada da mesma, em 2003, com a entrega de documentos internos que comprovariam a culpa da companhia de Spencer no incidente de Raccoon City. A mesma coligação de empresas fundaria a B.S.A.A. (Bioterrorism Security Assessment Alliance, ou Aliança de Avaliação de Segurança em Bioterrorismo) pouco depois.

H.C.F.

    A H.C.F. pode ser considerada uma exceção à suposição acima, pois não se sabe se ela é uma empresa farmacêutica. Na realidade, nada sobre o ramo de atividade da companhia foi revelado. Com sua primeira e última aparição em Resident Evil CODE: Veronica, fez parte do plano de traição da Umbrella arquitetado por Albert Wesker. Para fugir com os dados de combate das armas biológicas, oriundos da luta pela sobrevivência dos S.T.A.R.S. no interior da mansão de Spencer, o vilão forjaria sua própria morte deixando-se atingir pelo Tyrant. Ele retornaria à vida logo depois por meio da ação de um vírus experimental administrado por William Birkin. Assim, Wesker poderia desaparecer e “vender a alma para uma nova organização”.
Esta organização foi a H.C.F., sigla que pode significar Host Capture Force (Força de Captura de Hospedeiros) ou Hive Capture Force (Força de Captura de Atividade). A companhia foi responsável pelo ataque à Ilha Rockfort e tinha como objetivo roubar uma amostra do vírus T-Veronica desenvolvido lá. A ofensiva também acarretou na infecção do local pelo T-Virus e no primeiro encontro entre Albert Wesker e Chris Redfield após o ocorrido na mansão.
Após CODE: Veronica, a empresa nunca mais foi mencionada. Após Resident Evil 4, acreditava-se que ela também havia sido traída por Wesker, que passou a agir sozinho para reerguer a Umbrella Corporation a seu próprio modo. Vale, porém, chamar atenção para uma das entradas de dezembro de 2008, vista no file “History of Resident Evil”, de RE5:

“Wesker ataca a ilha com sua força particular e libera o T-Virus no local.”

O texto poderia indicar que a existência da companhia foi totalmente desconsiderada. Wesker teria agido sozinho, organizando o ataque à Ilha Rockfort sem estar associado a nenhuma organização. O game não cita a H.C.F. e não dá outras informações sobre sua existência ou não na cronologia. Porém, deixa outra pergunta: Qual o destino da tal “força particular” de Wesker?

Corporação S.

    Muito pouco foi falado sobre a Corporação S, que é apenas citada no “Ada’s Report”, relatório narrado pela espiã no segmento “Separate Ways”, disponível nas versões Playstation 2, Wii e PC de Resident Evil 4. Nas palavras da moça:

“A S, grande corporação farmacêutica, mantém unidades de produção de remédios ao redor do mundo. Sabemos com certeza que Wesker esteve em contato com ela após a queda da Umbrella.”

Sabe-se que em Resident Evil 5, Albert Wesker possui um relacionamento muito próximo com a Tricell, multinacional dos ramos de exportação, desenvolvimento farmacêutico e exploração de recursos naturais. O vilão forneceu a eles os vírus roubados e dados de pesquisa roubados da Umbrella, que ajudaram a consolidar Excella Gionne como diretora da sucursal africana da companhia. Esta história, como um todo, parece muito semelhante à contada por Ada em seu Report, o que poderia indicar que a Capcom transformou a Corporação S em Tricell. Mais uma vez, não existem informações concretas sobre a existência ou não da companhia na cronologia.
Uma última nota. Ao contrário do que muitos pensam, Ada Wong não trabalha para a S, e sim para um terceiro grupo, conhecido apenas como “Organização”, que investiga as relações de Albert Wesker com a corporação farmacêutica. Os objetivos da espiã e de sua empregadora, assim como o destino de ambas, também são incógnitas.

Wilpharma

     A Wilpharma Corporation aparece pela primeira e única vez em Resident Evil: Degeneração. A empresa farmacêutica foi duramente golpeada pela ONG Terra Save, que divulgou imagens de testes virais realizados em seres humanos na Índia. Isso causou uma queda vertiginosa nas ações da companhia e a realização de diversos protestos, principalmente contra a instalação de um centro de pesquisas na cidade americana de Harvardville. Como resultado, o principal objetivo da empresa teve de ser mantido em sigilo: a pesquisa e produção de uma vacina para o T-Virus, que eliminaria o risco de repetição de um incidente como o de Raccoon City.
Harvardville acabou sendo palco de mais um incidente biológico, com a dispersão do T-Virus no aeroporto da cidade. Mais tarde, a sede da Wilpharma também foi alvo de um ataque terrorista, quando uma explosão liberou o vírus e infectou a maioria dos empregados presentes no local. Todo o plano foi arquitetado por Frederic Downing, pesquisador-chefe da companhia e ex-funcionário da Umbrella, que pretendia enriquecer com a venda dos vírus T e G no mercado negro. Para tal, ele manipulou Curtis Miller, ex-ativista da Terra Save que perdeu a família durante a infecção de Raccoon City e acreditava que, liberando o vírus, forçaria o governo a revelar a verdade sobre a explosão da cidade.
As ações de Leon e Claire impediram que o plano de Frederic fosse bem sucedido e o terrorista foi preso no momento em que aguardava a chegada de um contato para efetuar a venda dos vírus. Como resultado, a Wilpharma abriu falência e foi comprada pela Tricell Inc.

Pontas Soltas

     Com o fim do primeiro arco de histórias e as mudanças pinceladas por Resident Evil 5, não é difícil imaginar que estas três empresas jamais aparecerão novamente na série. Aparentemente, com as supostas substituições, a Capcom espera que a existência de companhias como a S ou a H.C.F. seja esquecida, algo que pode não ser tão bem aceito pela maioria dos fãs hardcore. As chances dos produtores falarem abertamente sobre as novas histórias e mudanças realizadas também são irreais. De maneira geral, o que ficam são mais furos e pontas soltas que dependem do bom senso dos jogadores para serem elucidados. Ou não.

Créditos

Escrito por: Felipe Demartini (-Evil Shady-)
Publicado em: 25/06/2009
Agradecimentos a: Guilherme Baldi, que nos deu, por e-mail, a idéia que originou este artigo