Com a chegada de Biohazard Marhawa Desire às bancas, fui imediatamente comprar. Não sou muito de ler quadrinhos ou mangás, mas saber que essa história tem conexões diretas com Resident Evil 6 me deixou bastante curiosa. Algumas informações do texto a seguir podem ser consideradas spoilers.

A conexão com Resident Evil 6 já começa logo de cara, na primeira página, com a ilustração de uma mulher segurando um cubo, se comunicando com alguém – exatamente como Ada Wong nos trailers de Resident Evil 6. Aparentemente, a espiã agora é uma vilã que faz ataques biológicos pelo mundo. À frente dela, há uma maleta coberta com um pano, deixando aparecer somente as seguintes letras “…rella”. Umbrella. Ou Neo-Umbrella?

A história se passa na renomada escola asiática Marhawa, uma instituição de ensino completamente isolada do “mundo lá fora”, como os próprios alunos dizem. Estranhamente, o colégio é religioso e católico, dirigido pela Madre Garcia, uma freira se preocupa com a reputação da escola a beira do absurdo.

A rotina do colégio muda quando uma aluna é encontrada “zumbificada” por uma colega. Preocupada com a repercussão do caso, Garcia amarra e esconde a garota no interior do colégio. Rapidamente, ela recorre a um antigo namorado, o professor Doug Wright, da Universidade de Cingapura. Doug parte para o colégio para investigar o incidente ao lado do aluno assistente e sobrinho Ricky Tozawa. Doug é um personagem sério e com grande senso de justiça. Já Ricky é inexperiente e atrapalhado, aparecendo como uma boa fonte de alívio cômico para a história.

Da esquerda para a direita: Doug Wright, Chris Redfield e Ricky Tozawa

Como se tudo já não fosse estranho o suficiente, as coisas ficam piores: Garcia tenta esconder o incidente de forma obsessiva, exigindo sigilo absoluto sobre os fatos, enquanto Doug e Ricky se desdobram para descobrir o que está infectando os alunos com o T-vírus. Sem saber o que fazer, Doug resolve recorrer à B.S.A.A e ao colega Chris Redfield.

Assim como em RE6, em Marhawa Desire, Chris age como membro da SOU, uma divisão tática da B.S.A.A. No mangá, o herói luta ao lado do já conhecido Piers Nivans e da agente Merah Biji, pertencente à divisão do Extremo Oriente da B.S.A.A. Merah parece ter sido inserida como uma espécie de Sheva, uma nativa, que vai inserir Chris e Piers no ambiente oriental. Piers faz sua estreia na série no mangá, e parece ter muitas semelhanças com o Chris mais jovem, do primeiro Resident Evil. Uma das principais características do agora capitão da equipe Alpha da SOU era ter excelente pontaria, e essa também é uma das qualidades de Piers.

Merah Biji e Piers Nivans

As histórias dos agentes e de Doug se cruzam quando Merah é convocada para uma missão relacionada ao professor. Chris resolve acompanha-la, por ter conhecido Doug em incidentes biológicos anteriores. No entanto, os agentes não conseguem contactá-lo, já que o colégio Marhawa é, literalmente, isolado do resto do mundo.

Já nesta primeira edição, existe uma série de referências ao passado da série. O incidente em Raccoon City é citado, inclusive ilustrado com a presença de Leon e Claire. Uma referência a Outbreak, às vezes pouco lembrado, também está presente: Doug Wright cita o reagente Daylight, criado na Universidade de Raccoon pelos pesquisadores Greg Mueller e Peter Jenkins. O nome Doug Wright, inclusive, me fez lembrar de Douglas Rover, o criador da vacina contra o T-vírus usada em Jill, em RE3. Os incidentes biológicos em que Chris, Piers e Merah atuam têm inimigos clássicos da série, como Lickers, Zombie Dogs, Chimeras e Giant Spiders.

A história do primeiro volume é envolvente, principalmente pelos mistérios apresentados. Milhares de perguntas surgem durante a pergunta: por quê atacar o colégio Marhawa? A mulher por trás dos ataques é mesmo Ada Wong? A diretora da escola, Madre Garcia, parece esconder algo…

O volume 1 de Marhawa Desire é de leitura fácil e rápida e a curiosidade pelo que vai acontecer a seguir faz com que você não pare de virar as páginas. Apesar de, incialmente, mostrar os personagens separados e em momentos diferentes, a história consegue interliga-los perfeitamente. Alguns dos momentos de marasmo, mais investigativos no colégio Marhawa, são interrompidos por ilustrações super detalhadas de Chris e Piers em ação. A violência, o “gore”, são mostrados na medida certa, sem exageros. Os clichês típicos de animes e mangás são sutis, apesar de algumas partes contarem com ângulos ligeiramente tendenciosos de colegiais e da agente Merah Biji.

Levando meu pouco conhecimento e prática de leitura de mangás e quadrinhos, acho que Marhawa Desire se sai bem não somente para contar uma história, mas para falar de Resident Evil. Se você curte a série, não pode deixar de adquirir o mangá. Não é sempre que os fãs brasileiros podem contar com um produto da série totalmente traduzido para o nosso idioma.

Resident Evil Marhawa Desire é publicado pela Panini aqui no Brasil e pode ser encontrado nas bancas do Rio de Janeiro e de São Paulo com facilidade por R$10,90. Os demais estados estão recebendo o produto aos poucos. Quem quiser, pode adquirir o mangá a partir do site da Panini.