O que falar sobre CONTROL? CONTROL é um jogo bem diferente do padrão e fora da bolha de jogos triple A que tentam repetir a mesma receita de bolo e que acabam não sendo inovadores. CONTROL foca muito em jogabilidade, mantém um nível bom em história, mistério, além de inovar no conceito de combate. E o mais empolgante é que em toda essa genialidade de CONTROL (2019) foi apenas o começo: pois em breve teremos o lançamento de CONTROL Resonant, que promete elevar ainda mais o nível da franquia!
Mas quase dez anos depois, CONTROL ainda vale a pena ser jogado? Confira na análise de hoje.
Federal Bureau of CONTROL: FBC
A história do jogo é um ponto muito intrigante, pois a forma como o Remedyverse criado por Sam Lake se desenvolve é bem fora da caixinha. Tudo começa com Jesse Faden conversando com algo (ou alguém?) que a levou até o prédio onde o jogo se inicia.
O começo é envolto em mistério, mas logo é respondido: Jesse está atrás do irmão dela, que foi levado há muito tempo e desde então, ela esteve procurando pela FBC (Federal Bureau of Control), a organização que o levou e que tem sede no prédio onde estamos.
Do início ao fim, a trama tem um bom desenvolvimento, conseguindo manter o jogador preso e querendo saber o que vai acontecer a seguir, expandindo o conteúdo que foi mostrado antes e que existem coisas além, quase como se fosse um episódio de série a cada capítulo. Sinto que isso foi um elemento bem feito na forma como o jogo conta a história, pois os capítulos não ficam abertos: eles realmente se encerram e abrem um novo objetivo no capítulo seguinte, direcionando o jogador de forma orgânica com pistas e noção do que realmente é mostrado.
A trama é bem conectada e traz referências a outros jogos da franquia, como Alan Wake 2, que veio depois. Na minha experiência jogando, CONTROL passa uma vibe muito maneira de conexão com o universo, pois há citações e easter eggs. Caso tenha dúvidas: CONTROL foca no paranormal, no sobrenatural e no misticismo, então é um prato cheio, pois são coisas únicas, mas também inspiradas em SCP.
Gameplay em ressonância e as construção de Jesse
Quando começamos a ter controle da protagonista, há uma boa mobilidade e posição de câmera, permitindo uma visualização limpa e clara do cenário. Seja andando ou correndo enquanto exploramos as camadas verticais e horizontais do mapa, a jogabilidade fica muito fluida, o que é algo importantíssimo aqui. O controle consegue ser consistente a cada momento, inovando e apresentando organicamente novas formas de combate através de armas inéditas e power-ups, ajudando a mudar a dinâmica de combate e enriquecendo com personalização de habilidades em cada arma.
As novas habilidades agregam camadas a mais na forma como o combate é introduzido no jogo, pois você não vai vencer um inimigo na metade ou final da mesma forma que você começou o jogo, justamente por ter um sistema de progressão de recursos bem pontuado. A jogabilidade não fica repetitiva, pois surge algo inédito de tempo em tempo, junto com novos cenários e inimigos diferentes.
Em CONTROL sempre há algo novo que complementa o que veio antes e torna a gameplay mais dinâmica, demonstrando que você realmente ficou mais forte. Há novas formas de passar pelo mapa que eu gostei muito, pois me fizeram reexplorar mapas anteriores igualzinho a um jogo Metroidvania, descobrindo novos andares e locais.
Tudo isso entra em harmonia com esse estilo, permitindo um vai e vem por várias partes do cenário e uma nova exploração. Muitas partes parecem confusas, mas esse é um elemento que faz parte da narrativa devido à forma como CONTROL mistura jogabilidade, história e narrativa em um elemento só.
Ao decorrer da minha experiência no jogo, eu senti bastante que você vai encontrar diversos arquivos para ler, como em Resident Evil. TVs para assistir a algumas cenas em live-action (como uma versão alternativa de arquivo) e gravadores para escutar áudios. Todos esses elementos são importantes para o desenvolvimento do jogo e complementam o universo, enriquecendo a forma como você imerge no mundo de CONTROL para te explicar e justificar cada pedacinho
Existem muuuuitos no mundo do jogo, todos bem posicionados em cada mapa.
Através do Labirinto do Cinzeiro
O level design de CONTROL começa linear, pois ele precisa introduzir os elementos básicos do universo, mas assim que avançamos algumas horas, é notável que o jogo demonstra isso de uma forma diferente além de anular a linearidade, com algumas coisas que te fazem pensar “É o quê?” de tão estranho (um estranho bom) e não apenas um caminho em trilhos genérico como muitos jogos. Os cenários apresentam eventos sobrenaturais acontecendo em certo nível, pois o jogo brinca com cenários mudando, coisas bizarras acontecendo e cenas fora de ordem ou de lógica para apresentar elementos novos para você. E é aí que você imerge em um novo mundo desconhecido!
Porém, imagine que esse jogo apresenta um cenário similar a um Metroidvania, que vai liberando os mapas aos poucos, adicionando mais profundidade, etc. Algumas partes parecem um labirinto, mas são muito bem guiadas, pois a exploração conta com o auxílio de placas e do mapa, que permite andar enquanto ele está aberto para se localizar melhor.
Ao decorrer de nossa jornada, quanto avançamos mais, mais o jogo expande o conceito de cenário, contando com várias rotas e caminhos para seguir, permitindo um vai e vem mais divertido do que antes devido a fluidez da Jesse melhorar com habilidades, porque você consegue explorar mais rápido ou encontrar algo novo em um cenário antigo.
Gosto muito de jogos estilo Metroidvania, mas esse jogo conseguiu HONRAR muito bem esse conceito sem parecer um jogo genérico ou apenas +1, tendo alma e essência própria
Take Control
Gostaria de começar pontuando uma coisa bem peculiar: no universo de CONTROL e Alan Wake, as músicas com vocal são elementos narrativos importantes, pois as letras são muito coerentes com a história do jogo. Eu super recomendo que você pare para ler além de escutar!
A trilha sonora do jogo é, na maior parte do tempo, composta por som ambiente, sons que remetem a algo alienígena, como se fossem de outra dimensão. São trilhas e efeitos tão característicos que você passa a identificar exatamente o que está acontecendo assim que começam a tocar, porém, quando começa uma luta o jogo acerta em cheio.
Além disso, o jogo contém algumas músicas com vocal da banda Poets of the Fall, também conhecida no universo de Alan Wake como Old Gods of Asgard.
Conclusão

CONTROL é um excelente jogo que nem todo mundo conhece, mas que sabe como misturar plataforma, ação, mistério, suspense e até sobrenatural.
Recomendo a todos que queiram algo novo a se aprofundarem no universo da Remedy com CONTROL, pois é uma obra de arte que consegue misturar elementos visuais e sonoros de uma forma que pouquíssimos jogos fizeram!
Mesmo que você não goste (ou não conheça) Alan Wake você pode jogar CONTROL, pois o jogo consegue se sustentar como uma obra própria do começo ao fim.
GPU: RTX 4070 Super
CPU: Ryzen 7 5700x3D
Ram: 32gb DDR4 3200Mhz
SSD: KC3000
Windows: 11
CONTROL Ultimate Edition foi analisado em uma cópia digital adquirida diretamente pelo autor no Steam.














