Análise – Flesh Made Fear – PlayStation 5

Flesh Made Fear é mais um jogo da série dos “Resident Evil Like” (vou fazer esse termo se popularizar), caracterizado por câmeras fixas, manejo de recursos, puzzles, backtracking (apesar que nesse jogo ficou um pouco a desejar) e tudo mais que conhecemos da nossa franquia favorita.

Desenvolvido pela Tainted Pact e publicado pela Assemble Entertainment, Flesh Made Fear veio ao mercado de jogos com a promessa de trazer uma experiência nostálgica regado ao terror, “com as mecânicas de horror que você conhece e ama, enquanto inovando no gênero”.



Lançado inicialmente no dia 31 de outubro de 2025 para Steam, o jogo chegou no PlayStation 5 em 25 de junho de 2026. No PC, o jogo contava com 244 análises de gamers, com uma porcentagem avassaladora de 93% de avaliações positivas no momento desta publicação.

SINOPSE

Você se torna parte de uma equipe militar de resgate especializada (déjà vú, não?) enviada para resgatar o seu colega de trabalho desaparecido e neutralizar um cientista ex-CIA rebelde com um perfil psicológico digno de internação psiquiátrica.

O vilão, Victor Ripper, era envolvido na pesquisa do projeto MK-Ultra, um programa ultrassecreto e ilegal conduzido pela Agência de Inteligência Central (CIA) no início da Guerra Fria com o objetivo de explorar o uso de drogas como meio de obter confissões e manipular o comportamento humano (isso não é ficção; vale a pena pesquisar).

Sem dar muitos spoilers, a carreira de Victor na CIA se encerrou de forma abrupta e, posteriormente, se instalou na cidade de Rotwood, onde o jogo se passa. Com muito tempo nas mãos e uma grande disponibilidade de cobaias, o cientista passou a realizar experimentos nos cidadãos da cidade, com o objetivo de completar a sua pesquisa de controle mental.

GAMEPLAY

O jogo te dá a opção de escolher entre dois personagens, Jack Richards e Natalie Lewis, cada um com suas vantagens e desvantagens de gameplay, exatamente nos termos do Resident Evil 1: ele possui mais vitalidade, enquanto ela possui um maior inventário.

Assim como em sua inspiração, Flesh Made Fear te dará a oportunidade de explorar iguais e diferentes partes do mapa com seus personagens. Você poderá tomar caminhos alternativos e completar tarefas opcionais para obter finais diferentes.

Como mencionado na introdução, as características do jogo são aquelas dos Resident Evil clássicos: backtracking, manejo de recursos, câmera fixa, a necessidade de resolução de puzzles para progredir na história (e a incessante procura de chaves esquisitas para abrir portas mais estranhas ainda).

O QUE O JOGO FAZ BEM

Os puzzles são gratificantes. Não são muito difíceis, mas ainda apresentam um certo desafio que os torna compensadores. Então se você achou que os puzzles de Resident Evil Requiem foram fracos, este jogo não te decepcionará. Você terá que se apoiar na sua memória e capacidade interpretativa para resolver alguns, enquanto utilizará lógica para os outros.

Os cenários do jogo são bem elaborados. Inspirado nos jogos da década de 90, os monstros e o ambiente na sua forma pixelada atuam de forma sinérgica para construir uma experiência nostálgica. Alternativamente, se você é jovem demais para sentir nostalgia dos anos 90, esse jogo pode ser a sua ponte para a conexão com um passado distante e um tempo não vivido.

Post-content bem-humorado, repleto de agradecimentos tanto aos que apoiaram o projeto da equipe, quanto aos jogadores. Além de uma “sala” dedicada apenas aos colecionáveis do jogo, é possível sentir o quanto esse jogo é um projeto de paixão do desenvolvedor, que ousou sair da esfera de fã de survival horror para um criador de conteúdo.

O QUE O JOGO FAZ MAL

Enquanto tenho uma certa relutância em apontar erros em um projeto indie, ainda mais um projeto tão dedicado e lapidado de uma equipe pequena, não seria uma resenha crítica sem, bom, críticas, correto?

Não há qualquer momento do jogo em que você sinta medo. Era de se esperar justamente o oposto de um jogo com o título de “Flesh Made Fear” mas, infelizmente, o jogo não te faz sentir amedrontado nem se você jogar de madrugada. Enquanto há momentos em que você está baixo em recursos e precisa correr pela sua vida, a sua fuga parece muito mais uma pista de obstáculos com zumbis, que são incapazes de te surpreender de qualquer forma.

Algo que contribui com a falta do elemento de terror é a repetitividade e previsibilidade dos inimigos. Com pouca variação e padrão de ataques monótono, o único momento em que você se sente verdadeiramente ameaçado é quando você fica preso entre dois inimigos em um stun-lock impossível de sair.

Por fim, há que se mencionar que o mapa do jogo é absolutamente inútil do ponto de vista de utilização. Ele serve muito mais como algo estético para mostrar os pontos da cidade do que realmente como um instrumento para te guiar na gameplay.

Conclusão

A melhor coisa desses jogos indies inspirados por Resident Evil é que você consegue sentir a paixão por trás da obra. Flesh Made Fear vai além de apenas uma experiência nostálgica, pois possui uma atmosfera própria e uma história envolvente o suficiente para te fazer jogar por horas consecutivas.

Contudo, a gameplay falha em transmitir uma verdadeira sensação de terror. Grande parte dessa deficiência decorre da repetição de inimigos previsíveis, que raramente representam uma ameaça individual e só se tornam perigosos quando aparecem em grupo. Além disso, o sistema de stun-lock praticamente garante a morte do jogador ao ser cercado, o que acaba comprometendo a tensão e a ansiedade. Em vez de gerar medo do desconhecido ou da imprevisibilidade, o jogo faz com que o jogador simplesmente espere por uma derrota inevitável.

Uma chave digital de Flesh Made Fear foi cedida para o REVIL pela assessoria de imprensa PR Hound.

Pontos positivos:
Puzzles;
Nostalgia;
Cenários;
Vilão;
Ausência total de bugs.
Pontos negativos:
Ausência de terror;
Inimigos repetitivos e previsíveis;
O mapa não serve propósito funcional.
7