Análise – Fading Echo – Nintendo Switch 2

Fading Echo é um jogo para qualquer momento do seu dia. Depois de uma temporada no PC, o título chegou aos videogames mais modernos com a dublagem inédita – e super necessária – em português do Brasil.

O jogo foi desenvolvido pela Emeteria, um estúdio indie New Tales. Dá para sentir que há um carinho especial, de feito à mão, em cada pedaço de Fading Echo. Aventure-se comigo para saber mais a partir daqui. Minha jornada foi em um Nintendo Switch 2.



Mergulhando em Corel

Tudo começa em Corel, um mundo que está se despedaçando aos poucos. Somos introduzidos a One e sua mãe, Rahne, que está preocupada com a movimentação do labirinto que sustenta o Aether, uma verdadeira artéria que leva ao coração de Corel. Logo no início descobrimos que as duas são Lendas que ajudam a manter o equilíbrio de um “corpo celestial” maior.

Rahne é uma Lenda que se expõe logo depois que os poderes de One afloram. One ganha o poder da água e se transforma nesse elemento quando a urgência aparece. Ela vira uma bola de água com um apertar de botões para passar por cercas, mas também usa a água para absorver temporariamente outros elementos, como toxidade e até mesmo bolas especiais de fogo que podem transformar o seu ser. Essa dinâmica permite, por exemplo, que com a toxidade o jogador possa dar pulos maiores, ou que, uma vez que a água toque em fogo, você vire vapor para acessar ambientes antes inalcançáveis.

A água de One, e os outros elementos no ambiente, também interferem no comportamento dos inimigos. Ameaças que estão com fogo podem ser solidificadas quando One passa por perto na sua versão água (fogo + água = pedra), assim como elas podem se queimar quando One carrega e explode uma pedra circular com fogo (fogo + inimigo = queima, com processo lento de perda de vida), entre outras combinações.

O mundo de Corel é fragmentado em diversas realidades paralelas. Nelas, o objetivo é reconectar as artérias que contêm água e se ligam ao coração de Corel – pense como uma veia que transporta sangue, mas aqui no sentido fantasioso da água. É preciso que o jogador reconecte doze dessas fontes, o que leva um bom tempo e obriga a visita a essas várias realidades.

Jogando com One

A questão do jogar não demanda muito esforço no começo, com um transformar aqui e uma ação de bater (ou pular) ali, mas exige lógica conforme vamos avançando com One. Isso porque há portas que precisam ser acionadas em ordem, objetos que devem ser coletados em lugares específicos, e outras necessidades a se fazer que exigem o uso de um ou mais elementos com critérios muito definidos. No fim, são puzzles que fazem sentido como são encaixados no contexto do jogo.

Os inimigos aparecem em lugares muito específicos. Apesar de Fading Echo ser vendido como um jogo de “RPG de ação elemental”, talvez essa seja a única característica de um RPG que eu tenha de fato percebido. Você encontra as ameaças, mas já sabe onde vai enfrentá-las e em muitos casos como acabar com elas, algo bem característico de RPG, mas sem a aleatoriedade de alguns jogos do tipo. Não é essencial eliminar esses inimigos para progredir. No fim, a ação vem, mas é mais como uma aventura nos ambientes de Corel.

O jogo conta com um sistema de “autoaprimoramento”, que funciona com pontos acumulados em combates e baús espalhados no jogo. Quando uma barra se enche, 1 Aetherfato é liberado para uso em uma espécie de mandala do poder, onde é possível acessar novos recursos para aprimorar golpes e comportamentos dos elementos de One.

One tem a companhia de um ser que se transforma em peixes, Vellum, envolvido na criação dessas várias fragmentações de Corel. Esse ser vai apresentando a One todos os aspectos desse mundo. É uma ótima companhia que favorece demais o entendimento da história ao narrar os fatos, dando sentido a tudo que vai aparecendo.

A localização em português do Brasil, com dublagem, foi muito necessária aqui, pois se esse jogo estivesse em inglês, talvez seria difícil acompanhar tudo de forma tão natural. Tenho duas observações a fazer, no entanto. A primeira delas é que não dá para começar o jogo com vozes brasileiras, pois há a predefinição do inglês. Mesmo com o meu Switch 2 em português, precisei alterar a preferência da voz em “Opções” > “Idioma da Dublagem”. A segunda observação é que, em cutscenes especiais, as histórias em quadrinhos não foram localizadas, então há duas versões de linguagem na tela, mas é mero detalhe em vista do excelente trabalho de localização em jogo indie.

Ao veredito

Joguei Fading Echo basicamente em modo portátil no Nintendo Switch 2 e com fone de ouvido, entre os trânsitos que faço no meu dia a dia com os três filhos em vários ambientes. Foi muito bom contar com um título que pudesse ajudar a aliviar a carga que tenho na rotina. A jogabilidade é simples e é divertido explorar esse mundo despretensiosamente. A história narrada e DUBLADA faz toda a diferença. Visualmente, o título é um espetáculo na parte artística. A trilha sonora também é bacana.

Fading Echo é um título leve, simpático e que pode ser jogado sem a pressão que jogos mais parrudos tendem a dar. Tem um probleminha aqui e outro ali, como por exemplo na exploração onde nem sempre o caminho de fontes Aethericas é lógico (e os peixes Vellum não ajudam), mas isso não apaga a beleza do jogo.

O título tem versões para Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series e PC via Steam / Epic Games Store.

O jogo foi analisado com uma chave digital do Nintendo Switch 2 cedida pela New Tales via assessoria de imprensa Theogames.

Pontos positivos:
Escolha visual e trilha sonora;
Jogabilidade e puzzles integrados com elementos da natureza;
Narrativa intrigante;
Dublagem em português do Brasil.
Pontos negativos:
Inimigos repetitivos;
Falta de indicador de caminho funcional – os peixes Vellum pouco ajudam;
No Switch 2 o jogo engasgou em trocas de ambientes.
8