Resident Evil 4 não só reinventou a franquia da Capcom, como também foi uma bomba atômica na indústria dos games. Com uma jogabilidade fluída e bastante concisa, o título foi responsável por uma enorme revolução nos jogos de ação em terceira pessoa e, mesmo hoje, 8 anos após o seu lançamento, continua influenciando na produção de diversas novas opções de entretenimento, além de ter dado uma guinada brusca nos rumos da série.

O impacto na franquia Resident Evil

Lançado para dar um novo ânimo na série, que já vinha dando sinais de cansaço desde Resident Evil CODE: Veronica, RE4 mudou totalmente os preceitos estabelecidos pela trilogia clássica da série e tornou a franquia novamente relevante no mundo dos games.

O título trouxe uma jogabilidade mais fluída, com cenários totalmente em 3D, e apostou pesado em uma aventura que colocava Leon S. Kennedy (talvez o mais carismático protagonista) mais uma vez em rota de colisão com o desconhecido. O antes policial novato se transformou em um agente do governo com habilidades incríveis e que quase sempre tinha o domínio da situação. Essa mudança no personagem reflete exatamente a evolução do jogo: de um título onde  fugir do perigo era quase sempre a melhor alternativa, para uma premissa muito mais frenética onde os inimigos nada mais são do que meros obstáculos quase insignificantes, na maioria das vezes.

Com isso, a ação passou a dominar o gameplay, dando a Leon muito mais velocidade e dinâmica, fazendo com que o jogador pudesse até mesmo participar das cutscenes por meio de quick time events, literalmente fazendo quem estivesse atrás da tela deixasse a visão de espectador e passasse a estar ligado o tempo todo com a aventura. Até mesmo o posicionamento da câmera foi pensado para que essa sensação fosse potencializada: ao invés de observar as cenas por um ângulo fixo, o jogador estava sempre vendo o que estava à sua frente, observando praticamente da perspectiva do personagem.

A mistura desses elementos iniciou um movimento que transformou RE de um jogo de terror em um jogo de ação com alguns sustos. O medo deixou de ser um companheiro constante e isso fez com que uma grande massa de fãs de títulos de ação passasse a conhecer a franquia RE. O resultado da iniciativa foi um aumento muito grande na base de fãs – para tentar acompanhar esse crescimento, RE5 e posteriormente RE6 apostaram em fórmulas semelhantes, obviamente passando por algumas adaptações.

RE4 foi tão importante para a série quanto RE1. O título é praticamente um reboot extra-oficial, já que mesmo quem não conhecia a trilogia clássica do PS1, pôde jogar RE4 sem ficar totalmente perdido em sua história, que não tem grandes ligações com o passado, mas deixou muitas pontas soltas para os jogos subsequentes.

O impacto no mundo dos games

O ano de 2005 foi um excelente ano para os títulos de ação. Lançamentos como God of War, Shadow of Colossus e Devil May Cry 3 fizeram a alegria dos fãs, mas Resident Evil 4 foi o que deixou o maior legado, não só por ter reinventado uma grande franquia, mas por tê-la alçado a um patamar mais alto e ter servido de inspiração para uma grande quantidade de jogos.

O sistema de câmeras e a mira a laser foram copiados à exaustão nos anos seguintes. Vimos nascer séries como Gears of War, sucesso absoluto do Xbox 360 que usou RE4 como inspiração – a informação foi confirmada pelos próprios criadores da franquia. O título é um dos exclusivos mais queridos dos “caixistas” até hoje, e inclusive acabou sendo usado como inspiração até mesmo por Resident Evil.

Uncharted foi outro jogo de sucesso que pegou carona na mecânica de RE4, e se transformou em um dos títulos exclusivos mais importantes da Sony. Houve diversas adaptações, que buscaram melhorias, e isso fez com a série acabasse criando a sua própria fórmula de sucesso.

O mesmo aconteceu com Dead Space, que nasceu inspirado no título da Capcom. Com o passar dos anos, acumulou diversas sequências e acabou se firmando como uma das maiores e melhores franquias de terror. Embora com uma abordagem muito mais “gore” e assustadora do que RE4, jogar Dead Space, especialmente o primeiro, é praticamente como experimentar RE4 com skins e uma história diferente. Obviamente há adaptações e evoluções, mas é impossível não notar a imensa semelhança que há entre os jogos.

Diversas outros títulos e franquias usaram elementos de RE4. Até mesmo GTA acabou se valendo de algumas influências do jogo da Capcom para a produção de GTA IV. Fallout e Mass Effect também foram influenciados, assim como outros first person shooters que acabaram usando um ou outro elemento do título.

Hoje, 8 anos após o seu lançamento, RE4 permanece sendo fonte de inspiração para diversos novos jogos, e não só por conta de seu gameplay. Os produtores de The Last of Us (TLoU), lançado em 2013, já declararam que aprenderam muito com RE4, desde seu sistema de jogo até as doses de terror e ação que o título apresenta. Em  TLoU, o objetivo era o de trazer de volta o sentimento de tensão e sobrevivência em um ambiente hostil e desconhecido, e para os desenvolvedores, RE4 foi a grande influência nesse aspecto.

The Evil Within, jogo produzido por Shinji Mikami – criador de RE4 – é outro que se apresenta com diversos elementos de seu idealizador, em relação à mecânica e em sua atmosfera.

O criador virou criatura

O interessante é notar que RE4 permanece como referência mesmo após o lançamento de RE5 e RE6, jogos que usaram a essência da mecânica do título de 2005, mas com alguns refinamentos. A verdade é que a Capcom não conseguiu mais encontrar o mesmo equilíbrio nas sequência, e talvez a saída de Mikami da empresa tenha importante papel nisso.

Em suma, Resident Evil 4 foi o último título da franquia que ditou regras e lançou tendências no mercado dos games, algo que era uma constante na franquia, especialmente na trilogia lançada para PS1, mas que voltou com força total no quarto título numerado da franquia.

Desde então, o que temos visto é o lançamento de jogos que embora carreguem o nome de Resident Evil, não representam sua essência. Tanto é que “apelidinhos” surgiram para a série, como “Resident Duty“, “Call of Evil” e “Gears of Evil“, em referência aos jogos Call of Duty e Gears of War, que serviram de forte inspiração para a Capcom na produção de RE5 e RE6.

O criador virou criatura, afinal, quando Gears of War surgiu tinha RE4 como grande influência, e agora a franquia da Epic é que influência a da Capcom. Isso inclusive, foi um dos pontos que Cliff Bleszinsky (um dos principais responsáveis por GoW) mais criticou em Resident Evil 6, já que ele afirma que ao jogar RE, o jogador não quer correr loucamente de explosões enquanto troca tiros com quem quer que seja.

Os gostos e as preferências dos jogadores são indiscutíveis. Cada um sabe o que curte e defende o seu ponto de vista com unhas e dentes, mas o que se espera é que em um possível RE7, a franquia volte a inspirar, influenciar e, acima de tudo, ter identidade própria.

CRÉDITOS
Escrito por: André Ceraldi (Ceraldi)
Revisado por: Ricardo Andretto (ThE cRaZy)
Data de Publicação: 13/09/2013

O texto não reflete a opinião do site REVIL, e sim do autor do artigo.

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