Tomb Raider: A Origem marca o retorno da franquia Tomb Raider aos cinemas. Tendo como base o reboot do jogo de 2013, o filme traz uma Lara Croft mais humana, jovem e inexperiente, em buscar de respostas sobre o misterioso desaparecimento de seu pai.

O filme mistura elementos vistos em Tomb Raider (2013) e Rise of the Tomb Raider, fazendo algumas adaptações e mostrando um pouco mais da vida de Lara em Londres e de seu relacionamento com o pai.

Infelizmente, Tomb Raider: A Origem não quebra a maldição dos filmes de videogame, mas com certeza traz algumas lições que podem ser aprendidas pelos responsáveis pelo reboot dos filmes de Resident Evil.

A Lara Croft dos jogos nas telonas


Uma das coisas que mais incomodam os fãs dos jogos de Resident Evil, é a retratação “pouco fiel” pra não dizer porca de seus personagens favoritos. Tendo apenas Sienna Guillory como Jill Valentine em Resident Evil 2: Apocalipse, Shawn Roberts como Albert Wesker em Resident Evil 4: Recomeço e talvez Ali Larter como Claire Redfield em Resident Evil 3: A Extinção como possíveis exceções, todos os outros personagens clássicos foram “soltos” em meio a trama da protagonista Alice sem muito cuidado, não dando muita importância pra aparência e muito menos para a personalidade dos ícones da franquia.

Já o contrário acontece em Tomb Raider: A Origem, onde Alicia Vikander convence como “a nova Lara Croft“, se mantendo fiel a personagem dos jogos e entregando uma garota jovem, inteligente e sem medo de seguir os seus instintos.

Foco no objetivo


Os filmes de Resident Evil começaram como algo totalmente diferente. Uma nova protagonista, novos personagens e uma nova trama, tendo como base apenas elementos chave como a Umbrella Corporation, o T-Vírus e as criaturas provenientes dele. E talvez seja por isso que Resident Evil: O Hóspede Maldito seja tão bom: é um filme com foco.

Paul W.S. Anderson optou por não trazer os jogos para o cinema e sim apostar em algo novo que partilhasse do mesmo universo, o que não agradou a todos, mas trouxe um ótimo filme de suspense/terror e ficção científica. A partir do segundo filme, Resident Evil 2: Apocalipse, mais elementos dos jogos foram adicionados por pressão dos fãs, e foi aí que tudo começou a desandar.

Em Tomb Raider: A Origem os produtores decidiram se manter fiéis a história iniciada pelo reboot de 2013 e levar para as salas de cinema uma adaptação que diverte tanto o público em geral quanto os fãs dos jogos, preparando terreno pra uma sequência bem embasada.

Fan service na dose certa


Nos live-actions de Resident Evil os fan services mais comuns eram a presença dos personagens clássicos e de inimigos marcantes dos jogos. Porém, tirando os nomes, não era possível enxergar muito dos personagens, e as criaturas icônicas sofreram alterações que não agradaram muito, tendo como alguns exemplos o Nemesis que chora em Resident Evil 2: Apocalipse, o Tyrant com tentáculos em Resident Evil 3: A Extinção e o Licker gigante em Resident Evil 5: Retribuição.

Tomb Raider: A Origem faz referências a várias cenas marcantes de Tomb Raider (2013) de forma inteligente e “pé no chão”, entregando boas cenas de ação sem querer brincar com a inteligência de quem está assistindo.

Até agora, tudo que sabemos sobre o reboot de Resident Evil nos cinemas é que ele será produzido por James Wan (Jogos Mortais e Invocação do Mal) e roteirizado por Greg Russo (que também está envolvido junto com Wan no reboot de Mortal Kombat nos cinemas). Fora isso, não sabemos qual rumo esse reboot irá tomar.

Humanidade

A principal diferença entre Resident Evil e Tomb Raider – além de serem franquias pertencentes a gêneros e empresas diferentes – está também na humanização e na proximidade dos personagens com a realidade do público. Guardadas as devidas proporções, é perfeitamente possível que alguém se veja perdido em uma ilha e tenha que sobreviver, passando pelos desafios de Lara Croft – há casos reais de pessoas que sobreviveram ao isolamento das piores formas possíveis.

Mas é como dissemos, guardadas as devidas proporções, por que cada jogo é uma viagem, tal como um livro ou, neste caso, um filme. Talvez seja isso que falte para que Resident Evil se aproxime do público, humanidade – mesmo em uma situação improvável, mas não tão distante de um ataque viral, que resulta em mutações. Se a Alice, dos filmes, seguisse a premissa de Resident Evil: O Hóspede Maldito, quem sabe Paul W.S. Anderson não seria tão detestado por uma parcela dos fãs.

Mas é preciso respeito acima de tudo. Respeito por que os filmes em live-action aumentaram ainda mais a base dos fãs, geraram milhões em bilheteria e merchandising e mostraram para o mercado o potencial – as vezes bem aproveitado, outras não – que os jogos também tem na área. Os responsáveis por Resident Evil nos cinemas tem um desafio e tanto a partir daí, e é justamente por isso que ainda não vimos qualquer notícia a mais sobre o assunto circulando na internet, por que é bem provável que a palavrinha mágica do momento para o reboot é PLANEJAMENTO.

E nós, do REVIL, esperamos de verdade que os roteiristas aprendam a lição com Tomb Raider, que é uma adaptação que também comete erros, mas que consegue brilhar com uma verdadeira representante humana. E o que a gente quer? Talvez uma Jill, ou uma Claire que possa, assim como Lara, mostrar que pode sangrar, temer – de verdade – quando ameaças aparecerem na sua frente, e aprender a LUTAR e a cativar o público nos cinemas assim como os fãs dos jogos.

Ah, e que o Leon S. Kennedy, interpretado por Johann Urb em Resident Evil 5: Retribuição, sirva como lição para quem só quer que “todos os personagens de Resident Evil apareçam nos filmes”. Isso sem contar NAQUELE Barry Burton na pele de Kevin Durand. Não dá, simplesmente… Não dá!

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