Análise – Gal Guardians: Servants of the Dark – Nintendo Switch

Gal Guardians: Servants of the Dark é um jogo que chamou minha atenção pelo estilo metroidvania e por parecer ser um título sem muito compromisso que pode ser explorado apenas pela diversão. E foi o que encontrei ao passar boas horas lutando contra demônios e outros seres da escuridão, de certa forma.

É um jogo que tem a opção de ser jogado em 2 pessoas, mas encarei sozinho o desafio. Há duas personagens principais que trazem características diferentes de ataques. Dá para ir alternando entre elas nos cenários e testando qual se encaixa melhor nos confrontos. A jornada pelo submundo não é fácil e descobri que mulheres têm ainda mais desafios a superar quando o assunto é brincar com o sobrenatural.



Um grande mangá (ou quase isso)

Gal Guardians: Servants of the Dark carrega características de um grande mangá. Daqueles bem caricatos pelo estilo dos personagens, pela narração em japonês e por explorar o sobrenatural. A história traz duas irmãs, Kirika e Masha, que “vivem” no Reino Demoníaco e são servas de um senhor demônio. Veja, um homem (demônio) que tem duas mulheres como servas de suas vontades. Apesar de parecer terrível na concepção, a história mostra que há na verdade um respeito delas com o senhor, no caso, Demônio Maxim.

Há três reinos nesse universo: o Céu que é uma maravilha, o Humano que é um lar de fragilidade e o Demoníaco onde o caos impera e demônios guerreiam entre si pelo controle. O jogo explora só o dos demônios, mas faz questão de citar a divisão entre os reinos. Logo no início, o castelo onde as personagens principais são “criadas demoníacas” é atacado por um senhor demônio rival, deixando Maxim literalmente em pedaços. O objetivo das irmãs Kirika e Masha é recolher esses fragmentos/ossos de Maxim espalhados pelo Reino Demoníaco para que assim ele restaure o seu poder.

Maxim segue manifesto com o seu crânio e ajudando as duas personagens na jornada pelos cenários, que estão cheios de criaturas do submundo e que vão se tornando cada vez mais difíceis de serem superadas. O final de cada cenário traz um chefe. Ao derrotar esse inimigo, um osso do senhor demônio é restaurado e eleva os níveis das irmãs, que passam a compartilhar parte do poder de seu senhor.

Em Gal Guardians: Servants of the Dark quando o jogador, ou algum aliado morre, a alma sai do corpo e fica pairando por algum tempo entre os ossos. É possível revivê-los colocando a alma de volta nos ossos. O caos no castelo provocou a morte de outros servos do senhor demônio, mas como a confusão durou muito tempo essas almas ficaram perdidas entre outros ambientes do Reino. O jogo incentiva que esses aliados/criados do castelo sejam restaurados. Cabe a Kirika e Masha encontrar essas almas e retorná-las ao lar.

A alma na cor branca fica pairando entre os cenários do jogo e precisa ser empurrada de volta no esqueleto de criados…

Ação e aventura na medida

Gal Guardians: Servants of the Dark é um metroidvania gostosinho de se jogar. Combina com o visual 2D e entrega ação e aventura na medida certa. Percorrer os cenários atrás não somente dos ossos do senhor Maxim, mas da restauração do mundo que as criadas têm como lar é um incentivo que prende os jogadores. Há uma variedade boa de inimigos e chefes finais de cenários, que são de fato desafiadores mesmo na dificuldade menor.

O jogo possui três opções de dificuldade: Casual, Veterana e Desafiante. A diferença entre as três é o nível de exigência. Na Casual o jogo te dá quase tudo pronto, incluindo o mapa que mostra pontos importantes e inimigos que ferem com menor potencial de dano. Na Veterana alguns pontos ficam mais ocultos e é preciso cuidar mais dos danos. Na Desafiante é preciso estar ciente de que vai ter que devolver a alma de uma das irmãs para o corpo por mais vezes.

Por se tratar de um metroidvania, o jogo é todo interligado por um mapa que divide os setores do jogo. Há indicações que ficam no mapa quando o jogador acessa uma área com um tesouro ou uma alma, por exemplo. Teve momentos que não consegui resgatar alguma alma por não ter a habilidade necessária para acessar um nível, mas que consegui resgatar depois de conquistar a habilidade e ver no mapa a indicação de onde o elemento apareceu. Importante isso de dar indicações, em especial para quem quer ter somente a experiência mais Casual.

Os puzzles são simples e não demandam muito esforço do jogador, mas exigem exploração em vários ambientes diferentes, o que pode ser cansativo. Me perdi mesmo com mapa em alguns momentos, mas sobrevivi.

Kirika usa uma submetralhadora e é especialista em combate à distância. Já Masha usa um chicote e é especialista no corpo a corpo. Há diversas armas secundárias que podem ser utilizadas entre habilidades, com invocação de aranhas e granadas demoníacas, lâminas, adagas e outros itens. É melhor confiar nos ataques primários do que nessas alternativas que podem não ser tão efetivas. O inventário ainda mostra as relíquias recolhidas durante o jogo.

Final demoníaco

Gostei de Gal Guardians: Servants of the Dark, mas não adorei. Há cenários que ficam meio vazios depois de serem explorados. O mapa é de ajuda, mas entendê-lo exige paciência. A trilha sonora é “ok” e o grande trunfo é a narração em japonês – mesmo que eu não entenda bulhufas da língua. Há interface e legendas em português do Brasil, claro, algo que é essencial. O menu é simples e funcional.

Fiquei incomodado com o apelo das roupas provocativas das personagens. Pelo conteúdo sexual, a classificativa no Brasil é de 12 anos, inclusive. É uma sensação de desconforto, mas é o REINO DOS DEMÔNIOS, elas são “criadas demoníacas” de um senhor demônio. É uma ficção. Um jogo. E as irmãs, personagens principais, têm um carinho especial de “filhas” com o “pai” Maxim. Então tá tudo bem, mesmo parecendo não estar. A história faz sentido e tem bons ganchos.

Gal Guardians: Servants of the Dark não é como Devil May Cry, mas passa pela mesma premissa de ter irmãs (ou irmãos) envolvidos em conflitos com demônios e em uma guerra entre senhores. É um jogo de diversão casual, com uma história interessante e com jogabilidade simples. É nostálgico para quem passou pela era 2D.

Além do Nintendo Switch, há versões do jogo para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox (Xbox One / Xbox Series) e PC via Steam.

O jogo foi analisado com uma chave digital do Nintendo Switch cedida pela desenvolvedora via Keymailer.

Pontos positivos:
Jogabilidade simples;
História condizente;
Localização em português do Brasil.
Pontos negativos:
Armas secundárias confusas;
Puzzles não são desafiadores.
8