Originalmente anunciado lá em 2020, PRAGMATA passou por vários adiamentos que deixaram o público em dúvida sobre o seu desenvolvimento e se algum dia o jogo veria a luz do dia, ou se ele iria de Deep Down.
Felizmente, ele chegou e nós do REVIL tivemos o prazer de analisá-lo. Será que após tanta espera, PRAGMATA conseguiu atingir as expectativas?
PARA A LUA!
De início, o jogo nos dá pequenas informações sobre a história e introduz o jogador ao motivo do personagem estar em uma missão lunar — Delphi, a corporação para qual o protagonista Hugh trabalha, envia ele e sua equipe para uma missão de investigação, após uma base lunar ficar muda e perderem contato com ela.
PRAGMATA faz uma introdução que já faz o jogador perceber que aquilo é algo totalmente novo e com uma identidade própria. Usando a temática sci-fi, a história inicialmente é centrada no personagem Hugh e sua equipe fazendo essa investigação lunar, antes das coisas perderem o controle e nos levarem de encontro com Diana, a carismática andróide de última geração.
Assim que avançamos um pouco mais, a história guia o jogador e expõe à fórmula de gameplay e combate, apresentando o mundo de PRAGMATA de forma orgânica e nos mostrando que cada pedacinho não está ali por acaso, com todos sendo colocados com carinho e de forma importante para a construção de suas camadas.
Por ser uma nova IP da Capcom, PRAGMATA faz um trabalho muito decente em prender o jogador não só ao mundo logo de cara, mas também aos personagens. Diana, por exemplo, com sua personalidade alegre e enérgica, faz com que o jogador consiga notar e se importar com a existência dela dentro daquele complexo lunar de diversas maneiras. Ao decorrer da campanha, esse aspecto da personagem é cada vez mais trabalhado, fazendo o jogador criar uma afinidade entre ela e o protagonista Hugh, bonito de se ver. Afinidade essa que pode ser melhor explorada nas diversas interações entre os dois durante os momentos de pausas. Nessas interações, colocadas em momentos estratégicos, além de desenvolver a narrativa, elas aprofundam a relação dos dois com brincadeiras, diálogos e reflexões pessoais.
Porém, as interações aqui não são o único jeito de desenvolver a narrativa. PRAGMATA herda algumas características de Resident Evil, que são os diversos arquivos espalhados pelo jogo, que servem para complementar questões do passado e explicar algo fora do conhecimento de ambos personagens.
Eu joguei PRAGMATA com a dublagem em português e achei o trabalho incrível. Gostei bastante do resultado, pois os personagens conseguem transmitir muita personalidade e as características de cada um. O personagem Hugh foi dublado por Mckeidy Lisita, que entregou um protagonista excelente e com ótima atuação. Já a Diana ganhou a voz da Marina Mafra, a mesma que dublou a Emily em Resident Evil Requiem e igualmente fez um excelente trabalho. O jogador pode optar por jogar tanto em inglês quanto em português, pois o trabalho de localização nos jogos da Capcom continuam de primeira categoria.
O LABIRINTO NA LUA
Assim que assumimos o controle do personagem, o jogo introduz os elementos de uma forma simples, fazendo da parte inicial um tutorial importante, já que o jogo possui diversas mecânicas novas que podem ser estranhas à primeira vista. Mas não se assuste, você pega o jeito fácil.
O level design demonstra saber como guiar o jogador do ponto A ao B, e consegue introduzir elementos entre esses pontos que expandem significativamente as primeiras horas de gameplay. Esses elementos fazem com que o jogo tenha uma exploração horizontal e vertical, misturando um jogo de Ação em 3D com Plataforma, que inevitavelmente acabou me lembrando jogos no estilo Metroidvania, contendo diversos caminhos para explorar, coletar recursos e enfrentar novos inimigos.
Apesar da semelhança com o estilo Metroidvania, PRAGMATA possui uma progressão mais amigável, fazendo com que o jogador seja instigado a explorar recursos, mas não o penaliza com uma dificuldade para memorizar cada canto.
Apesar de possuir partes mais lineares em seu começo, PRAGMATA se torna um jogo semi-linear após algumas horas de jogo, com áreas maiores e divididas em várias outras sub-áreas, com exploração horizontal e vertical — confirmando de vez a alta qualidade em seu level design. E não, PRAGMATA não é um Mega Man.
A SINERGIA DE HUGH, DIANA E O SISTEMA DE HACKEAMENTO
A jogabilidade é fluida, leve e responsiva durante todo o jogo. Andar, mirar, atirar, esquivar e hackear ao mesmo tempo — tudo funciona muito bem e de forma satisfatória. Acredito que a Capcom conseguiu criar uma fórmula inédita de qualidade, se afastando de Resident Evil, ao mesmo tempo que demonstra que houve otimizações e melhorias em seu game design. E tudo isso continua de forma consistente ao decorrer de todo o jogo.
A dificuldade de PRAGMATA começa tranquila e, aos poucos, aumenta gradualmente, precisando que o jogador fique atento nos inimigos em tela com certa frequência. Para acompanhar a progressão de dificuldades, o jogo introduz mecânicas novas de combate conforme você avança, que acabam se tornando muito divertidas e bem-vindas. E claro, não poderia faltar uma lojinha de upgrades ao estilo Mercador de Resident Evil 4, possibilitando upgrades e itens essenciais na jornada — além de áreas de ‘’Safe Rooms’’ onde você conseguirá atribuir melhorias para Diana e Hugh.
Existem melhorias tanto passivas quanto ativas, além de acessórios, que são um dos pontos mais importantes desse sistema. Elas adicionam novas camadas ao hackeamento, permitindo que você crie builds diferentes para enfrentar os inimigos de formas variadas.
E falando agora da trilha sonora, ela segue bem a temática Sci-Fi como eu esperava e faz seu papel ajudando na imersão geral, seja em momentos frenéticos de combate ou em interações calmas.
Mas, definitivamente, o grande ponto de PRAGMATA são seus efeitos visuais lindos, as interações com a Diana e o combate. Esses são os três elementos principais que compõem PRAGMATA.
Eu finalizei o jogo com aproximadamente dez horas, mas não pense que esse número é baixo, pois o jogo sabe o momento certo de encerrar para entregar uma experiência coesa sem chegar ao ponto de ser enjoativa.
Tecnologias da versão PC!
Antes de fechar a nossa análise, eu queria apontar umas coisas beeem legais que são as tecnologias da NVIDIA que o PRAGMATA tem!
A primeira delas é o NVIDIA DLSS 4, que é uma técnica de reconstrução de imagem por IA. Ela aumenta a performance, mas também busca entregar uma qualidade de imagem muito boa, aprimorando tudo através da inteligência artificial das placas RTX.
GPU: RTX 4070 Super
CPU: Ryzen 7 5700x3D
Ram: 32gb DDR4 3200Mhz
SSD: KC3000
Windows: 11
Vamos aos gráficos!
Eu fiz os testes em um ponto bem alto da Times Square que tem no jogo, justamente por ser a parte mais pesada que encontrei até agora. Qualquer outra área é bem mais leve e vai entregar ainda mais FPS que isso aqui.
Um detalhe curioso: por algum motivo, o jogo teve um leve gargalo de CPU nesse ponto. O uso da GPU ficou uns 10% abaixo do máximo, impedindo ela de chegar em 100% de uso quando o Frame Generator está desligado.
Performance: 4K Nativo vs. DLSS
Nativo (60 FPS)
|████████████████████ 60
Performance (93 FPS)
██████████████████████████████████ 93 (+55%)
Equilibrado (86 FPS)
|██████████████████████████████ 86 (+43%)
Qualidade (78 FPS)
|██████████████████████████ 78 (+30%)
Basicamente, tivemos um ganho que vai de no mínimo 30% até 55%, dependendo de qual modo você usa. É uma performance muito boa para um jogo rodando em 4K nativo e com gráficos de nova geração!
Quando levamos em consideração o 4K + DLSS com Frame Generator x2 ativo obtemos os seguintes resultados:
Performance: 4K Nativo vs. DLSS + FG x2
4K Nativo + FG (100 FPS)
|████████████████████ 100
Performance + FG (150 FPS)
|██████████████████████████████████ 150 (+50%)
Equilibrado + FG (138 FPS)
|████████████████████████████ 138 (+38%)
Qualidade + FG (128 FPS)
|██████████████████████████ 128 (+28%)
O Frame Generator foi algo que me surpreendeu demais nesse jogo. É impressionante como a fluidez da tecnologia realmente funciona na prática: mesmo na responsividade do controle ou no teclado e mouse, eu não consegui notar nenhum input lag. Recomendo muito a utilização, pois ele transforma a experiência e mantém tudo muito mais fluido sem prejudicar a gameplay.
A partir de agora, faremos a versão com Ray Tracing e Path Tracing!
FPS com Ray Tracing Ativado
Nativo + RT (56 FPS)
|███████████████████ 56
Performance + RT (90 FPS)
|██████████████████████████████ 90 (+61%)
Equilibrado + RT (81 FPS)
|███████████████████████████ 81 (+45%)
Qualidade + RT (75 FPS)
|█████████████████████████ 75 (+34%)
Acredito que, em 4K com RT nessa placa utilizada, o ideal é que você utilize pelo menos o DLSS em Qualidade, pois ele consegue manter 60 FPS consistentes do começo ao fim.
FPS com RT + DLSS + Frame Generation
Nativo + RT + FG (95 FPS)
|████████████████████ 95
Performance + RT + FG (142 FPS)
|██████████████████████████████ 142 (+50%)
Equilibrado + RT + FG (135 FPS)
|████████████████████████████ 135 (+42%)
Qualidade + RT + FG (124 FPS)
|██████████████████████████ 124 (+31%)
Quando partimos para o Path Tracing, alcançamos a maior fidelidade gráfica possível da tecnologia, porém tivemos um impacto na performance, pois o jogo utiliza mais efeitos e o Ray Reconstruction no conjunto da obra! Que infelizmente não é possível ativar quando você está apenas com o Ray Tracing comum.
Path Tracing em 4K (Modo Performance) + FG
Sem Frame Generation (30 FPS) |██████████ 30
Com Frame Generation (56 FPS) |██████████████████ 56 (+86% de ganho)
Porém vale lembrar que essa é a parte mais pesada que encontrei no jogo. Quando descemos ali para baixo na rua, temos um ganho de FPS que sobe para 60~80 dependendo da parte com Path Tracing, e ao decorrer do jogo tive uma média de 65~75 FPS +-. Ou seja, é sim possível jogar o jogo com Path Tracing em uma RTX 4070 Super em 4K!
Caso você jogue em resoluções menores, como 1800p ou 1440p, você terá resultados ainda melhores em termos de FPS.
Ray Tracing
Ao ver o jogo Sem RT, com Ray Tracing (RT) e com Path Tracing (PT), notamos diferenças gráficas marcantes que contribuem significativamente para a imersão.
É possível evidenciar que, na versão sem RT, o reflexo do letreiro “Dinner” no chão aparece pixelado e mais contido em como a luz se espalha. Já com o Ray Tracing ligado, o efeito dissipa melhor, reduzindo os pixelamento e trazendo um aspecto mais espelhado ao chão.
Ao chegarmos no Path Tracing, notamos que esse efeito é potencializado: o reflexo se torna mais forte e definido, demonstrando uma fidelidade visual superior ao que vemos.
Outro detalhe importante é o reflexo no vidro à esquerda, que só se manifesta plenamente com o Path Tracing. Além disso, a parede do letreiro vermelho em cima apresenta variações nítidas de iluminação: ela é mais clara na versão sem RT, torna se mais escura e contrastada com o Ray Tracing e, finalmente, ganha uma iluminação indireta mais suave e realista com o Path Tracing.
Esses mesmos pontos se repetem quando observamos outros cantos da imagem. O chão apresenta reflexos pixelados e pouco realistas na versão sem RT, enquanto as versões com Ray Tracing e Path Tracing entregam uma fidelidade superior.
Repare também na mala localizada no canto superior esquerdo a qual podemos notar que, na imagem original, ela parece ter uma textura esverdeada? na parte metálica. Porém, quando a iluminação reage ao metal com RT ou PT, ela ganha uma iluminação muito mais realista, revelando a textura metalizada que o objeto deveria ter + fidelidade de como metal reage a luz.
O cristal ao lado também apresenta um sombreamento completamente diferente devido à iluminação de Ray Tracing e do Path Tracing. Na parte inferior do objeto, podemos ver a reação com a luz azul emitida é muito mais convincente com RT e PT, permitindo distinguir visualmente o sombreamento e a incidência de luz na ponta dele.
UMA JÓIA QUE BRILHA
PRAGMATA é um grande jogo e definitivamente merece sua atenção. Os seis anos de espera foram colocados à prova de sua qualidade e fico feliz em dizer que ele atingiu as expectativas que eu possuía.
Com personagens carismáticos que levarei com carinho em meu coração e possuindo um grande potencial para se tornar uma franquia de sucesso, PRAGMATA entrega uma experiência extremamente divertida e marcante, indo além de um simples jogo de ação e aventura.
O jogo foi analisado com uma chave digital cedida pela Capcom via Theogames.
















