Grande parte dos fãs de Resident Evil sempre sonharam em ver Resident Evil: Remake sendo lançado para outras plataformas que não as da Nintendo. Durante quase 13 anos houve esse sonho que cada vez parecia mais distante de acontecer, até que: boom! A Capcom anunciou uma versão remasterizada de sua maior obra prima, com lançamento para os consoles da Sony e da Microsoft da sétima e oitavas gerações, além dos PCs.

O dia 20 de janeiro, deve ficar marcado na memória dos fãs como o dia em que houve o lançamento da melhor edição daquele que é provavelmente o melhor de todos os jogos da franquia Resident Evil. Gostos a parte (inclusive o meu jogo preferido da série é RE2, e não o Remake), não há como contrariar essa máxima, dada a qualidade técnica e o fato de RE: Remake ter reescrito a história da série, não só no que diz respeito ao seu enredo, mas principalmente por ser uma releitura do clássico Resident Evil de 1996, sendo um jogo ainda mais inesquecível e ímpar na história da Capcom.

Nessa análise, não vou entrar em detalhes do enredo, até porque isso já foi analisado no REVIL Retrô de RE: Remake, esse texto vai “apenas” falar de tudo que a versão HD Remaster traz de novo, e no quão essa remasterização é um jogo obrigatório para todo fã de Resident Evil, de Survival Horror e de vídeo games em um modo geral.

Acessível para todos

Resident Evil HD Remaster Review 001

Esse subtítulo diz respeito a três coisas: primeiro em relação ao preço: R$ 40,99 por um jogo digital, e no lançamento. Comprar RE HD Remaster é um dos melhores negócios que um jogador pode fazer no quesito custo-benefício. A primeira vista, os mais céticos podem falar que se trata de um jogo requentado e lançado apenas em mídia digital por aqui. Mas ele é muito mais que um jogo requentado, é a melhor versão do melhor jogo da franquia. São dois personagens diferentes a se escolher, quatro dificuldades diferentes, além dos modos extras que adicionam ainda mais desafio após terminar o jogo pela primeira vez. Não bastasse isso, ainda existem roupas extras e 4 finais diferentes para cada um dos personagens. Só nesse pacote são incontáveis horas de diversão de qualidade elevadíssima por um preço que não paga nem 1/3 de qualquer lançamento de qualidade duvidosa.

Outro ponto que torna o jogo acessível é a nova dificuldade incluída nessa versão: o “very easy”. Muita gente que começou a jogar RE a partir do quarto ou do quinto capítulo da franquia numerada, não está acostumada com gerenciamento de inventário, racionamento de munição e itens de cura. O ritmo implementado por RE4 e RE5, fez com que jogadores que conheceram a franquia a partir destes capítulos, se acostumassem a sair matando praticamente todo e qualquer inimigo, sem muito se preocupar com itens, já que, além de encontrá-los “escondidos” pelos cenários, inimigos mortos dropam itens de forma ostensiva. O very easy de HD Remaster vem justamente para iniciar esses fãs mais novos, no mundo do verdadeiro e puro survival horror. Ensiná-los que quase sempre a melhor alternativa é fugir do combate direto, que guardar munição de armas mais fortes é vital para terminar o jogo ou enfrentar inimigos mais fortes, que os cenários devem ser explorados ao máximo e com olhos muito atentos para não deixar itens vitais passar, além de é claro mostrar que puzzles são parte fundamental de um jogo que prima pelo suspense e que cada file, cada canto da Mansão que pode ser analisado pode guardar algum segredo ou dica fundamental para o prosseguimento na aventura.

Por fim, para aqueles que possam achar a jogabilidade de RE HD Remaster confusa demais, por conta de o direcional para cima ser sempre o comando para o personagem andar para frente, não importando o ângulo da câmera, a Capcom deu uma forcinha e implementou um sistema de controle mais moderno: o direcional move o personagem de acordo com o ângulo da câmera, ou seja: o andar para frente por exemplo, muda de acordo com a câmera, algo que pode facilitar bastante a vida de quem não está acostumado a jogar os RE clássicos, e algo que dificulta muito, para velhos ranzinzas como eu, que estão acostumados ao estilo clássico e tem imensa dificuldade de se adaptar a estes novos comandos. O importante é que ambas as opções estão lá, basta escolher a que melhor se adapta a seu estilo de jogo, e ser feliz.

O que era belo virou uma obra de arte

Resident Evil HD Remaster Review 002

Quem jogou a versão de GameCube, sabe o quão RE: Remake já era absurdamente lindo, e mesmo jogando essa versão anos depois, ainda era impossível não se impressionar com os detalhes e com o esmero empregado em cada canto da Mansão e adjacências. RE HD Remaster torna tudo ainda mais belo, com texturas em altíssima definição nas roupas cabelos e armas dos personagens, quebras de polígonos praticamente inexistentes, e cenários pré-renderizados com texturas magnificamente refeitas em HD.

Desde detalhes dos papéis de parede da Mansão, detalhes de portas descascando, madeira, diferentes tipos de piso, árvores, barro (no caminho para a cabana), poças d’agua, efeitos de fogo, respingos… tudo foi cuidadosamente refeito, e é fácil se perder admirando os cenários em meio ao jogo, e nisso, os 1080p do PS4 dão um show a parte, rodando tudo de forma absurdamente suave.

Como se não bastasse, a possibilidade de jogar o título em widescreen, e os sutis movimentos de câmera torna tudo mais completo, fazem com que o jogador tenha ainda mais campo de visão para se atentar aos impressionantes detalhes da Mansão. Todos esses novos recursos, toda essa implementação visual fazem dos cenários ainda mais assustadores e opressores, e mais do que nunca dão a sensação de que você nunca está completamente a salvo, qualquer tremular de luz, qualquer sombra faz com que o jogador se sinta completamente desamparado em meio ao terror.

O contra-ponto de toda essa obra-de-arte, mais uma vez são as cutscenes. A exemplo do que aconteceu com as remasterizações de RECVX e RE4 que foram lançadas em 2011 para PS3 e Xbox 360, boa parte das cutscenes não foram refeitas, e algumas cenas clássicas acabam ficando com um aspecto porco, algo inadmissível e que fica como uma mancha em meio a qualidade do título.

Vida útil longa, muito longa

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O jogo é relativamente curto, marinheiros de primeira viagem devem demorar em torno de 6-8 horas para terminar o jogo com Jill, e entre 8-10 horas para terminar com Chris. Já os mais experientes, conseguem terminar o jogo com ambos os personagens em algo em torno de 2-3 horas.  Mas se engana quem pensa que isso faz com que esse seja um título que logo vai ficar encostado na sua biblioteca…

Junto com a remasterização do título, obviamente veio também o suporte ao sistema de conquistas e troféus da Xbox Live, PSN e Steam, e acredite, isso vai fazer tanto os fãs do jogo como os “trophy hunters” destroçarem o jogo inúmeras vezes atrás de cumprir os desafios proposto por este recurso.

Pra se ter uma ideia, além dos troféus/conquistas corriqueiros, como matar um zumbi, hunter, crimson head e os chefes como Neptune, Yawn e Tyrant, há também aqueles que farão o jogador terminar o jogo 3 vezes com cada um dos personagens, além de ter que superar o Real Survival e o Invisible Mode, que figuram sem dúvida entre os maiores desafios de toda a franquia. Como se não bastasse, há um troféu em que o jogador deve terminar o jogo inteiro usando apenas a faca como arma, nada de armas de fogo, itens de defesa ou qualquer outro recurso, apenas na faca. Desafios de sobra para render algumas boas dezenas de horas de jogo… e pode ter certeza mesmo após cumprir todos os desafios, muita gente ainda vai jogar novamente, só para ter o prazer de viver novamente toda a bela experiência proposta pelo jogo.

No fim das contas, o que era bom ficou muito melhor, e Resident Evil Remake que já era um dos melhores survival horrors de todos os tempos, chega para os consoles da sétima e oitava geração em uma versão definitiva. A dica é: aproveitem! Esse é um jogo único, que merece ser apreciado em todos os seus detalhes, com calma, dessa forma é possível compreender o grande trabalho feito pela Capcom e por Shinji Mikami, em um jogo que com certeza vai angariar novos fãs para o gênero e fará os fãs da era clássica de RE suspirarem e torcerem para que os próximos jogos da franquia tenham ao menos um pouco da alma que essa obra prima carrega consigo.

Ficha Técnica

Título: Resident Evil HD Remaster (Biohazard HD Remaster)
Data de Lançamento: 20 de janeiro de 2015
Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 3, Xbox One, Xbox 360 e PC.

CRÉDITOS
Escrito por: André Ceraldi (@andreceraldi)
Data de Publicação: 19/01/2015
O texto acima não reflete a opinião do REVIL, e sim do autor da análise.
Este jogo foi analisado no PS4 em cópia cedida pela Capcom-Unity Brasil.

Análise - Resident Evil HD Remaster
A melhor versão do melhor Resident EvilO verdadeiro survival horrorMovimentos sutis de câmera e suporte ao widescreenSuporte a troféus e conquistasQuase perfeito em todos os aspectos
Enredo tem furos em relação a história da franquiaAlgumas cutscenes em baixa resolução
9.7Pontuação geral
Gráficos9
Som10
Jogabilidade10
Enredo9.5
Diversão10
Votação do leitor 254 Votos
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