Rodeado por um sentimento misto de ansiedade e apreensão, Resident Evil: Revelations 2 chegou “de fininho”, e aos poucos tem conquistado e reconquistado fãs da franquia.

Lançado em formato episódico – que é odiado por alguns e amado por outros, o título veio para surpreender até os mais incrédulos que desacreditavam da reestruturação da série.

Por mais que a espera de uma semana para conferir cada episódio seja torturante, já estamos no terceiro episódio, “Julgamento”, nos preparando para a reta final dessa história que tem destruído mentes e causado grande alvoroço entre os jogadores.

Neste terceiro episódio, novas mecânicas e desafios foram apresentados – alguns desses elementos são familiares para os fãs mais antigos; mas será que tais componentes funcionam em um jogo atual da franquia? Vamos à análise!

ATENÇÃO: À partir daqui este texto contém spoilers

Novidades nostálgicas

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Mais uma vez, o episódio começa exatamente de onde o último terminou, mas se você acha que o segundo episódio, “Contemplação”, estabeleceu alguns “padrões” dentro de Revelations 2, prepare-se: até o gameplay irá te surpreender. Esqueça a ideia de sempre passar pelos mesmos locais que Claire e Moira passaram, quando controla Barry e Natalia. A narrativa se renova, e a mesmice sai de cena; não que isso seja completamente bom, já que o cenário de Barry e a narrativa, são bem menos divertidos do que a campanha de Claire e Moira em “Julgamento”.

Claire e Moira persistem em buscar uma forma de fugir da ilha, mas novos obstáculos aparecem: Natalia e Neil Fisher desapareceram, e nessa motivação, as garotas acabam entrando num perigo ainda maior.

Puzzles e armadilhas trazem à lembrança, elementos quase esquecidos, mas que trazem uma nova identidade e dão um certo charme ao episódio. E não pense que a volta deles é uma mera homenagem ao passado; eles possuem motivação própria.

Se você espera por enigmas de fácil assimilação e raciocínio, se prepare, pois alguns deles farão você perder alguns minutos em busca de files e informações para a resolução – e acredite, quando você descobrir, tudo fará um certo sentido; eles realmente se encaixam nas situações apresentadas e não são forçados como os vistos em títulos anteriores. A dificuldade dos mesmos é moderada – nada que te fará ir atrás de detonados para saber o que fazer.

Como citado anteriormente, os caminhos trilhados por Barry e Natalia felizmente não são os mesmos feitos por Claire e Moira após determinada parte. Nos últimos episódios, essa repetição deixava a experiência um pouco cansativa e sem muita criatividade. Entretanto, o cenário inédito no episódio de Barry e Natalia, não é tão interessante e assim, e o gameplay é um pouco tedioso e repetitivo.

O equilíbrio que dá identidade

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Os episódios anteriores apresentaram um esquema de cooperação pré-estabelecido; que em “Julgamento” é mais justificado do que nos episódios antecedentes. Alguns dos quebra-cabeças e obstáculos dos cenários exigem uma certa habilidade e raciocíno lógico do jogador para a solução do problema, que faz com que o sistema de troca de personagens seja mais interativo e necessário do que anteriormente, deixando tudo mais divertido.

“Julgamento” dá continuidade na evolução estabelecida pelos demais capítulos. Novos inimigos e desafios aparecem, e eles dão trabalho até para os jogadores “mais preparados”. Hordas maiores e B.O.W.s perigosas trazem aquele sentimento de opressão que, diferente dos capítulos anteriores da franquia, não estragam o clima de tensão e desconforto.

Ao combater a multidão de inimigos, alternar entre os protagonistas é sempre uma boa opção, mas em alguns momentos a melhor decisão será a fuga, não só para sobreviver, mas para economizar munição e suprimentos – sim, se você não adiministrar os seus itens, eles irão embora tão rápido quanto a voracidade e violência dos Afflicteds e Revenants, usar a esquiva (que é muito prática e fácil de executar), também é aconselhável.

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O combate está balanceado e na medida certa: os personagens não são páreo para os perigosos inimigos. A cooperação é obrigatória.

Mais uma vez, o trunfo de Revelations 2 é o equilíbrio do gameplay, que apesar de conter personagens veteranos como Claire e Barry, a despreparação de Moira e Natalia, proporcionam um contraste que funciona muito bem, considerando que nenhum dos personagens é páreo para os perigos apresentados. A fluidez e a forma como esses elementos foram inseridos, são as chaves para o clima de horror, carregado de indentidade própria, que o game tem.

Dá pra piorar? (no bom sentido)

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Essas são artes conceituais dos nossos novos “amiguinhos”.

Novos e perigosos oponentes são apresentados. E os já vistos nos dois primeiros episódios aparecem com uma frequência maior – alguns para agravar o desafio, e outros para fornecer a mesma coisa que adicionaram nos episódios já citados: indiferença.

Temos apenas dois inimigos inéditos: O “Dhurlga” e o “Neil Monstro”.

O “Dhurlga” é o chefe do final do episódio de Barry e Natalia. Ele é um tipo de Revenant mais poderoso e desafiador, capaz de aniquilar Barry com apenas um golpe. A estratégia para confrontá-lo é bem dificultosa e é bom o jogador se acostumar com a tela: “Você morreu > Tentar novamente”.

“Neil Monstro” proporciona algumas das melhores e mais emocionantes cenas apresentadas até o momento – algo que será abordado mais pra frente nessa análise.

O rapaz se transforma em um monstro de aparência similar de um Tyrant “misturado” com o aclamado Nemesis. E diferente dos chefões de RE5 e RE6, o “Neil Monstro” se encaixa muito bem no hall das “B.O.W.s queridinhas da série”, fazendo qualquer fã se sentir em casa.

A batalha com a forma mutante de Neil é extensa, mas não muito complicada, você saberá exatamente o que fazer, e o melhor: sem milhares de mutações a cada golpe desferido no monstrengo.

Durante o episódio de Claire e Moira, os inimigos aparecem de forma fluída e complementam a premissa do clima de Action Horror, mas nem tudo são flores; no episódio de Barry e Natalia, o combate se torna um pouco massante, por causa aparição dos desprezíveis Rottens e as Aranhas Chicote Gigantes, que são inimigos desinteressantes que tornam o gameplay um pouco chato e sem muitas nuances.

Quebrando parâmetros internos

Você provavelmente criou um padrão imaginário para os episódios, levando em conta que nos primeiros capítulos os caminhos e revelações feitas na campanha de Barry e Natalia eram muito mais interessantes e complementares do que os que apareceram nos cenários de Claire e Moira, fazendo as garotas parecerem pouco relevantes para tudo o que estava acontecendo. “Julgamento” faz esse preceito cair por terra.

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A relação de Barry e Natalia vai sendo construída aos poucos; de forma natural e bela.

Os acontecimentos na campanha das garotas são mais chocantes e trazem revelações mais significativas para a história, além de conter uma carga emocional madura e consistente – algo que estava em falta na franquia. Entretanto, o episódio de Barry tem o seu valor. A relação entre o veterano e Natalia se torna mais íntima e envolvente, trazendo novamente aquele “sentimento The Last of Us-ônico” (tive que criar o termo). É impossível não se sensibilizar com determinadas cenas e falas dos personagens.

Emoções em Resident Evil? Sim, isso é possível!

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Os produtores prometeram um jogo focado nas relações, e ele está aqui. Fica subentendedido que Claire e Neil tinham uma relação além de chefe e subordinada; o respeito da moça para com o seu superior vai além da amizade, e após a descoberta de que o mesmo submeteu alguns membros da Terra Save para a experiência de Alex Wesker na ilha em troca de uma amostra do Uroboros para fins conspiratórios envolvendo a falecida FBC e Morgan Lansdale (SIM), é impossível não entender a decepção de Claire e o choque após a transformação de Neil, que foi traído por Alex e infectado com o vírus que almejava. Infelizmente, só vemos o corpo da vilã.

Os sentimentos de Claire transparecem não só em sua voz e expressões faciais, mas principalmente em suas lágrimas nos olhos.

Assombrada pelo passado, a moça revive o pesadelo de ver um amigo querido se transformar: quem se lembra de Steve Burnside?

As fortes emoções não param por aí – logo após a batalha contra Neil, é revelado o porquê do trauma de Moira com armas de fogo. A explicação é rápida, clara e criativa – não espere um flashback em cutscene, e principalmente: acostume-se com Moira quebrando um pouco o clima, com seu linguajar nada adequado e suas falas inoportunas.

Os diálogos entre os protagonistas são valiosos, e mais uma vez, Barry e Natalia são os personagens que mais comovem o jogador em suas conversas. Barry conta para a pequena sobre suas filhas, explica melhor o que aconteceu e o desabafo é de amolecer o coração até mesmo dos mais frios.

Como visto em The Walking Dead e The Last of Us, é difícil não criar empatia por uma dupla formada por um adulto, e uma criança/adolescente. Diversos temas são facilmente abordados e assimilados pelo público. Ponto para o roteirista.

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É um pouco decepcionante ver Barry e Natalia carregados de carisma, criando um forte laço de companheirosmo, enquanto Claire e Moira se limitam à se ajudar, falar uns palavrões mal encaixados (no caso de Moira), e dissertarem o óbvio entre si.

Uma série de TV jogável

Que todo episódio termina com um ar de “ai meu deus, não vou aguentar esperar pelo próximo episódio”, todos já sabemos. Mas você reparou que a forma como as cutscenes são reproduzidas, deixa tudo muito maior? Os cortes de cena, ângulo e efeitos sonoros são um primor à parte. E em “Julgamento” isso ficou mais evidente do que nos episódios anteriores, devido a alta carga de drama e a complexidade dos sentimentos apresentados.

A prévia do próximo episódio deixou claro que estamos na reta final dessa trama fascinante.

Sobre os gráficos, som, trilhas sonoras e ambientação: a qualidade já vista nos episódios precedentes se mantém. Destaque maior para as expressões faciais e a dublagem carregada de boas atuações. Lágrimas e vozes cheias de sentimento são um espetáculo a parte, além das já mencionadas cenas de corte, muito bem produzidas e executadas. E se você acha que já viu sangue o suficiente, se prepare: nesse episódio a quantidade se multiplica de forma considerável, para os fãs de gore o capítulo é um prato cheio!

Julgando o “Julgamento”

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Se a cada revelação, novas perguntas surgiam, é bom jogar com uma folha e caneta do lado, para anotar as várias dúvidas que surgirão. O único defeito de “Julgamento”, é não ter um final tão apelativo e instigante quanto os capítulos antecedentes.

O monstro que apareceu no final do episódio anterior, é Alex Wesker e ela quer Natalia a todo custo. As teorias são infinitas, mas tudo ainda é muito confuso. Como Alex virou aquele monstro? Sobre essa questão, apenas um desejo: que Alex não tenha seu fim tão precocemente (por mais que o monstro que ela se tornou seja legal pra caramba).

Seria interessante se a vilã aparecesse completamente, e não apenas com o rosto “cortado” pelos ângulos de câmera. Afinal, já a vimos no quadro encontrado por Barry e Natalia no episódio anterior.

Claire e Moira estão perto de confrontar Alex e descobrir suas reais intenções. Mas ainda não há nenhuma pista do que aconteceu com as moças durante os seis meses de intervalo entre as duas campanhas.

Mistérios, bombas, revelações, e mais, e mais mistérios. Temos apenas mais um episódio pela frente, e outros dois extras que deverão responder essas e outras perguntas (e provavelmente, criar novas).

Enquanto todos achavam que a maior revelação que o game poderia trazer, era a identidade da vilã, Revelations 2 surpreendeu mais uma vez, com uma história cheia de conteúdo, reviravoltas e fatos questionáveis que só apimentam as discussões sobre o que foi apresentado até agora.

O terceiro episódio conseguiu proporcionar ao título mais qualidades que já fazem do game, um dos melhores dos últimos capítulos da série. O equilíbrio do que funcionava no passado, com o que conquistou fãs no presente, finalmente foi encontrado e estabelecido de forma louvável e agradável.

Resident Evil: Revelations 2, é o que todo fã esperou de Resident Evil 6, e o que deve ser levado a diante e aprimorado nos próximos títulos da série: Resident Evil de qualidade, que respeita o passado, o presente, e constrói um futuro acolhedor, carregado de identidade própria e carisma que fez da série um sucesso.

Ficha Técnica
Título: Resident Evil: Revelations 2 – episódio 3: Julgamento
Data de Lançamento: 10 de março de 2015
Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 3, Xbox One, Xbox 360 e PC.

CRÉDITOS
Escrito por: Juninho Lima (@JuniinhoLima) e Steven L. Andrade (@StevenLAndrade)
Data de Publicação: 11/03/2015
O texto acima não reflete a opinião do REVIL, e sim dos autores da análise. Este jogo foi analisado no PS4.

ATENÇÃO: Estão liberadas apenas informações ou especulações referentes ao primeiro, segundo e terceiro episódio (Colônia Penal, Contemplação e Julgamento) nos comentários desse post. Informações retiradas de outras fontes, ou imagens retiradas de capítulos posteriores do jogo serão consideradas SPOILERS.

Análise - Resident Evil Revelations 2 - Episódio 3 - Julgamento
Puzzles inseridos da forma corretaEconomizar os suplementos, esquivar e fugir, finalmente são as melhores opçõesA relação entre os personagens evolui de forma naturalO foco nas emoções e relacionamentosNeil Monstro e Dhurlga são inimigos impecáveisAs cutscenes bem produzidas causam grande impacto emocional
Revelações não tão empolgantesGameplay cansativo e repetitivo no episódio de Barry e NataliaMoira fazendo comentários errados na hora errada quebram o climaAlex Wesker se tornou um monstro
8.6Pontuação geral
Gráfico7.5
Som9
Jogabilidade9
Enredo9
Diversão8.5
Votação do leitor 32 Votos
8.4
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