Análise – Grim Trials – Nintendo Switch 2

Tem poucas provocações entre os jogos que são oferecidos ao REVIL que tendo a gostar, mas Grim Trials acabou me chamando a atenção. Depois de aparecer em um e-mail, resolvi cair em tentação e solicitar para jogar. As primeiras impressões, baseadas em imagens e em um trailer, me fizeram criar a teoria sobre ser um jogo meio heavy metal com estilo roguelite.

Joguei no Nintendo Switch 2, que é a minha opção de conforto na rotina frenética que tenho entre família, trabalho e viver a vida. Quase como uma ironia, enquanto falo de vida, Grim Trials trata de um aspecto oposto: a morte. É um título de camadas que precisam ir sendo exploradas. Trabalha parte do psicológico que tem sido abordado por diversas mídias e que envolve o imaginário do que supostamente acontece após morte. E sim, em um roguelite.



Começando a jornada

Grim Trials é um jogo para 1 pessoa. O menu é simples e leva o jogador a fazer o mais básico de tudo: clicar em jogar. A personagem principal é Avelin, que logo no início é chamada para se tornar uma aprendiz de Ceifador após morrer. Ela acredita poder voltar à vida para encontrar o seu amor. “Nos meus dias mais sombrios, que eu não me esqueça: isto também passará.”

Avelin vai parar em um Instituto, onde ganha um Mentor e descobre ter sido escolhida como Casulo – a tal da aprendiz de Ceifador. Casulo é um nome interessante para se dar à personagem, pois a partir daí é que o jogo começa de fato, com o jogador explorando várias Arenas de Desafios, derrotando Almas Pecadoras (inimigos comuns) e concluindo os Desafios Fúnebres (derrotando os chefões finais de cada etapa).

Você começa sem muito saber jogar. Apanhei demais para entender que Grim Trials não é um simples jogo de bater despretensiosamente em tudo que aparece. Passei raiva morrendo muitas vezes na Arena de Desafios até entender que isso fazia parte da dinâmica do roguelite. Você faz o que pode e acumula recursos até morrer, depois volta e recomeça a jornada, com o cenário levemente diferente e inimigos colocados de outras maneiras até morrer de novo. Confesso ter procurado (na minha ingenuidade) um modo “Fácil” depois de só perder, mas não há opção de escolha de dificuldade justamente pelo estilo. Basicamente é jogar, persistir e resistir até vencer o último desafio.

Meio fiapo de vida e um sonho…

Todos os recursos acumulados na Arena de Desafios voltam com Avelin para o Instituto. É isso que acontece em um roguelite, que é diferente de um roguelike onde essa “mamata” não acontece. Enfim, os recursos podem ser utilizados para criação de armas, equipamentos e consumíveis. O jogo vai te fazer usar os recursos para criar materiais, e só depois de tê-los é que dá para seguir para a finalização na mesa de forja. Foi só depois de forjar um machado com mais poder que consegui chegar ao fim do primeiro Desafio Fúnebre – e os desafios seguintes exigiram armas mais potentes, com novas forjas.

Falando nisso, é sério, prepare-se para passar várias horas andando pela Arena de Desafios. Além da angústia entre as salas (de não morrer e não perder muita vida), a raiva vem mesmo ao chegar ao desconhecido Desafio Fúnebre. Cada chefe final derrotado faz parte do Processo de Purificação da personagem, que materializa pecados que fazem parte de si. E os chefes são difíceis de serem derrotados. Avelin está manifestando o que viveu em um próprio “Casulo”, agora como aprendiz de Ceifadora, mas a vida de ninguém é (ou foi?) fácil.

Desafios de purificação

Ao entrar em uma Arena de Desafios, o jogador percorre por diversos casulos onde estão as Almas Pecadoras, que são os inimigos manifestados. É preciso ir passando por eles sem perder muita vida para conseguir chegar ao final. Além da criação de armas e outros atributos no Instituto, ao voltar das arenas, as almas dos inimigos podem ser reunidas para criar uma Runa de Alma e melhorar Habilidades em um processo que achei semelhante a Final Fantasy X. É legal ter isso, pois incentiva a voltar para a arena já sabendo que pelo menos você poderá ir aumentando a sua vantagem em campo – e não só morrer, e morrer, e morrer de novo.

Grim Trials é dividido em quatro partes, com sete Desafios de Purificação. Há vários eventos alternativos entre uma ou outra entrada na Arena de Desafios que podem ser cumpridos no Instituto ou nas arenas a pedido de outros seres do Instituto. As recompensas geralmente ajudam a melhorar a performance de Avelin, algo que incentiva o jogador a buscar e retém o interesse por mais tempo.

É preciso ficar atento também em qual Bênção escolher após passar por cada casulo individual, pois isso vai te ajudar a aumentar elementos importantes para seguir a outros casulos, com porcentagens de ataques, recuperação de saúde e outros atributos.

Uma Ceifada final

Aceitei jogar pois achava que, sei lá, a personagem principal fosse usar algum instrumento no ritmo de heavy metal do submundo e destruiria o mal no processo. Algo parecido com Hi-Fi RUSH, sabe? Mas não foi isso que aconteceu ao jogar, pois Grim Trials tem sua própria alma. Me surpreendeu, como jogo, mas fiquei meio decepcionado com a trilha sonora. A trilha da tela inicial é fantástica, mas no resto do jogo só há mais intensidade quando se enfrenta uma Alma Pecadora final.

Ó, até a primeira Alma Pecadora tava meio para baixo antes de eu chegar e a trilha agitar as coisas

Sobre jogar, há basicamente três tipos de ações: ataque, ataque especial e tiros a distância. É só ficar atento e formar estratégias de como passar pelos casulos sem sofrer muito dano. Em alguns eu permaneci mais a distância colhendo almas (ou seja, derrotando as ameaças) na segurança que acreditava ter. Mas não se engane, porque os desafios não são fáceis quanto parecem – já falei que morri, sei lá, um zilhão de vezes, né?.

Agora, em relação ao jogo no Nintendo Switch 2, joguei mais em modo portátil do que via dock. Há um probleminha que pode incomodar logo quando o jogador clica para acessar o jogo. Em todas as vezes que iniciei o software, demorou incríveis 25 segundos para sair de uma tela preta e chegar até a tela do menu inicial, com um “v 1.0.20260623” bem no canto inferior que presumo ser a versão. Espero que uma atualização esteja prevista para corrigir o que entendo ser uma falha. Só é incômodo ali. O carregamento na Arena e nos cenários do Instituto é super rápido.

Garanto que Grim Trials traz horas de diversão. E são horas prazerosas, onde você até vai passar raiva, mas a sensação de superação é maior. Dói, mas é gostoso. E o destino de Avelin? Jogue para descobrir!

Além do Nintendo Switch 2, o jogo tem versões para Nintendo Switch, Xbox Series, PlayStation 5 e PC via Steam. O lançamento é em 20 de agosto de 2026, com interface e legendas em português do Brasil.

Análise realizada com cópia cedida pela assessoria JF Games Press Team. Grim Trials foi desenvolvido pela Glory Jam e a distribuição é da Soft Source.

Pontos positivos:
Funciona como um roguelite e as arenas têm desafios renovados a cada entrada;
Recursos que estimulam o jogador a se desafiar e a atualizar a personagem;
História condizente.
Pontos negativos:
Falta agitação na trilha sonora;
Carregamento inicial demorado no Switch 2.
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