Análise – Kusan: City of Wolves – Nintendo Switch

Kusan: City of Wolves é um jogo desenvolvido pelo estúdio indie CIRCLEfromDOT e distribuído pela PQube. É um título que me interessou logo de cara pela jogabilidade que vi em trailers e divulgações antes do lançamento. Fui fisgado pela ideia de um jogo de ação e tiro com uma pegada mais simples, mas no fim encontrei algo bem mais complexo.

O nome do jogo traz Kusan, que é a cidade onde o enredo se desenrola. O local está mergulhado na violência e no caos provocado por lobos (não necessariamente no sentido literal) que disputam o poder. A criminalidade opera de diversos níveis e cabe a Jin, uma pantera antropomórfica que tem aparência e características humanas, investigar e detonar diversos conspiradores para manter o equilíbrio entre as espécies de seu mundo.



Um jogo animal e uma grande HQ

A história de Kusan: City of Wolves traz vários animais antropomórficos. Ela é contada por meio de várias Histórias em Quadrinhos (HQs), então não há cutscenes daquelas mais tradicionais. Os diálogos estão bem localizados em português e são adequados ao contexto do jogo. Você certamente já viu por aí HQs se tornando novas obras, como filmes e séries de TV, e é muito legal quando desenvolvedores usam esse recurso em um jogo. Claro, não é um estilo inédito, mas traz um destaque que encanta.

A narrativa de Kusan: City of Wolves parece ter saído de algum filme ou série futurista e me trouxe uma sensação de déjà vu – não que isso seja ruim. Inclusive, acho que os desenvolvedores poderiam transformar o jogo em alguma série animada. A história é bem conectada em vários arcos e em situações de violência do mundo real que têm sido retratadas em obras de ficção. A Cena 0, que dá início ao jogo, por exemplo, fala sobre o tráfico de mulheres. Depois, o título vai para o lado do roubo de materiais genéticos e da bioexperimentação na cidade com tom animalesco.

Jin é ex-soldado mercenário ligado ao contrabando de armas e que administra uma lavanderia de fachada, algo que facilmente se encontraria em um filme norte-americano de um negócio que encobre outro suspeito. Ele aceita trabalhar com a Agência Nacional de Segurança para investigar ações de um grupo que está desenvolvendo mutações. A partir daí é porrada, traição e conspiração até o fim. Jin não é do tipo que aceita injustiças e vai salvar inocentes e fazer a coisa certa (de alguma forma).

Jogando em Kusan

A parte visual é em 2D, com vista aérea do personagem Jin. Falando nele, é uma pantera no estilo “Duro de Matar”, que sai metendo a porrada e quebrando tudo, só que aqui mora a “pegadinha”, porque por mais durão que pareça, ele pode morrer com um só golpe, o famoso “one hit kill“. Isso vale também para os inimigos entre os estágios, que também morrem com um só golpe. E é assim que o jogo é.

Kusan: City of Wolves é dividido em 3 Capítulos. O Capítulo 1 tem 4 cenas, incluindo uma ZERO que introduz o jogador ao conceito do jogo. O Capítulo 2 é o maior, com 7 cenas, e o Capítulo 3 é o final e traz 4 cenas. Se somadas, são 16 partes. Só que entre cada Capítulo há vários estágios, que são as salas onde há inimigos que precisam ser derrotados. Só dá para avançar se o jogador limpar o cenário, e nisso são 54 estágios entre todos os capítulos. É bastante coisa, porque não é fácil passar por tudo sem ser estratégico. Dá para se perder com boas horas.

Agora, sobre a jogabilidade em si, há dois tipos de controle, Estiloso, que é o recomendado do jogo, e Mira Livre, que como o próprio nome diz, dá a liberdade do jogador fazer uma mira mais própria. Depois de testar, mantive o Estiloso e comecei a meter a porrada. Jin pode usar os punhos ou fazer ataques a distância, com facas por exemplo, e é preciso medir o que fazer, como fazer e quando fazer para não morrer contra um animal insignificante depois de ter derrotado outros três ou quatro e ter que voltar ao início de um estágio – o que pode causar muita raiva e frustração.

Sobre a mira do personagem em si, aqui está o principal problema: é algo terrível. Morri por diversas vezes por não conseguir calibrar meu campo de visão contra algum inimigo. Mesmo focando em um, o sistema me jogava para outro e o resultado? Eu morrendo e tendo que reiniciar, as vezes, depois de três ou quatro salas já estando limpas em um estágio. Mesmo trocando o estilo de controle, não consegui me adaptar direito, e talvez outras pessoas também pontuem isso como um dos principais pecados do jogo.

É possível comprar melhorias com os itens coletados dos cenários, melhorando o Combate e as Armas. As melhorias podem ser alocadas em espaços que exigem gerenciamento, como uma maleta de Resident Evil 4. Ou seja, não dá para sair comprando várias melhorias e achar que o personagem vai virar o Hulk, pois é necessário gerenciar se há espaço disponível. O encaixe é meio como um Tetris, algo que acaba se tornando similar a um puzzle (mas sem grandes desafios).

Conclusão

A dinâmica de Kusan: City of Wolves pode ser cansativa e a questão da mira não ajuda. Joguei mais na TV, mas é um título que se encaixa muito bem no modo portátil do Nintendo Switch. A trilha sonora é outro grande diferencial do jogo, algo que me encantou logo na tela inicial com um som lembrando Bossa Nova. Ouvir algo que incentive e empolgue entre os estágios é bom em meio a tanta violência e mortes (no PLURAL 🥲). A trilha sonora está no canal do YouTube da PQube – clique aqui para ouvir.

O que achei incômodo no começo é ter que aceitar um “contrato de licença de usuário final”, meio incomum para um jogo tão simples. Em tempos de discussões onde você não é totalmente dono de um software, e do mundo cada vez digital, isso me deixou ressabiado. Mas não é o primeiro e nem o último jogo a ter contratos. O deste jogo fala que o software não é seu, e sim da produtora, que se exime de algumas responsabilidades.

Kusan: City of Wolves traz um mergulho em um mundo animal que tem várias camadas. Não é um jogo simples como parece ser, mas ainda sim traz simplicidade em sua jogabilidade. Pode proporcionar horas de diversão, ou de irritação. Encanta tanto com o seu estilo artístico que faz o jogador ficar com um gostinho de quero mais.

O jogo foi lançado em 30 de julho de 2026 e tem versões para Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series e PC via Steam. Está totalmente localizado, com o menu de Idioma apresentando especificamente o “português brasileiro”.

O jogo foi analisado com uma chave digital do Nintendo Switch cedida pela PQube via Keymailer.

Pontos positivos:
A história contada no estilo de tradicionais HQs torna o jogo primoroso;
Localização para o português brasileiro fantástica;
Trilha sonora envolvente.
Pontos negativos:
O sistema de mira é terrível e é o que leva a morte em muitos dos casos;
Faltou um ponto no menu para relembrar a história dos Capítulos em HQ.
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