The Sinking City 2 é uma mescla do estilo Noir do cinema americano da década de 40 com o terror cósmico de H.P. Lovecraft. A história dá sequência do primeiro jogo e se passa no mesmo universo, porém com novos personagens, e não há a necessidade de jogar o título anterior, visto que são histórias diversas, em vez de uma continuação propriamente dita.
Joguei no PC via versão do Steam. Tive alguns perrengues, mas falo mais ao longo do texto.
O universo
Você assume o papel de Calvin Rafferty, um “aventureiro/investigador do oculto”, que precisa salvar sua amada, Feya Bennet, que caiu sob um coma/maldição quando tentaram realizar um ritual, separando sua mente de seu corpo.
O jogo se passa em Arkham (não a do palhaço), uma cidade que foi afetada por uma enchente devastadora, que atraiu forças sobrenaturais e violentas que resultaram na evacuação da cidade.
O jogo é um clássico Survival Horror. O jogador precisa decidir entre matar e fugir dos inimigos, juntar munição, pegar armas, craftar itens de vida, dar upgrade no seu equipamento, backtracking, pontos de salvamento e baús para guardar equipamentos excedentes (nesse caso, uma maleta).
Além de amaldiçoada e encharcada, a cidade está cheia de obstáculos que impedem o progresso do protagonista, que é obrigado a resolver puzzles, coletar chaves, pistas e muito mais para conseguir abrir uma simples porta, e tentar entender o que caralhos está acontecendo, qual a origem dessa enchente, por que a sua esposa foi acometida de um coma sobrenatural e como resgatá-la.
Ademais, o jogo, apesar de ser mundo fechado, te dá certa liberdade de exploração, ao oferecer missões secundárias e colecionáveis não essenciais ao progresso da trama. E é um conteúdo extra, de certa forma, considerável. É possível encontrar no youtube walkthroughs de 8 horas, com foco apenas na história principal, e de 16 horas, para explorar tudo que o jogo tem a oferecer. É, em toda a sua essência, o que se espera de um Survival Horror.
Resident Evil-like?
Se você for ler outras análises na internet, verá comparações com o remake de Resident Evil 2, The Evil Within e até mesmo Silent Hill.
Pessoalmente, pelo gameplay e pela atmosfera do jogo, tanto narrativa quanto de cenário, me lembrou bem mais o Alone in the Dark (2024), pelas suas características de drama investigativo somado ao sobrenatural, mas sem a energia negativa e pesada de The Evil Within.
Além de compartilhar da atmosfera de Alone in the Dark (2024), os jogos dividem a mesma decepção: um jogo de terror que não dá medo e que oferece uma gameplay muito pouco dinâmica.
Os controles são “rígidos”, especialmente a mecânica de desvio, o que faz ser ou não ser atingido muito mais sorte que habilidade (ressalvada a possibilidade de EU ser um bagre que não conseguiu se adaptar à mecânica).
Boa idéia, má execução
Superadas as questões de opinião, é necessário falar do maior problema do jogo: a performance.
Eu suplico a você que dê uma chance para esse jogo, pela história interessante que elaboraram, por ser um Survival Horror fiel ao conceito e por vir de uma produtora de jogos independentes com ideias originais. MAS, o jogo foi feito na Unreal Engine 5. E todas as críticas que você já leu e ouviu sobre esse motor gráfico estão presentes na versão de PC. Problemas de desempenho, queda de frames, qualidade gráfica inconsistente e vários crashes.

E devo ressaltar VÁRIOS crashes novamente. Meu PC não é a melhor máquina do mundo, um PC da nasa, de pro player, mas tem um poderio equiparado ao do PS5 pro, e foi uma verdadeira vergonha ter que colocar todas as configurações do jogo no “médio”, desativar o TSR (pra você que não sabe o que é isso, como eu não sabia, é uma tecnologia de upscaling para aumentar a taxa de FPS sem perder tanta qualidade visual) e deixar o FPS travado no 30. A mesma máquina que conseguiu rodar o Resident Evil 4 com quase tudo no “ultra” passou por 6 crashes no intervalo de 10 minutos em uma noite.
Então, se for dar uma chance para esse jogo, ou se já está interessado em jogar porque jogou o The Sinking City Remastered, jogue no PlayStation 5 ou Xbox Series, porque no PC será uma dor de cabeça que vai te deixar com vontade de jogar fora sua máquina.

Dispositivo
Ante o exposto, JULGO SER UM BOM JOGO, com RESSALVAS. O jogo entrega uma história e atmosfera envolvente que te fará querer terminá-lo no mesmo final de semana. Mesmo com um combate rígido, os seus objetivos de “pegue item x para abrir porta y e completar objetivo z” e seu roteiro intrigante te mantém envolvido na trama a ponto de não ter nenhum momento tedioso no jogo.
Seu maior problema está, de fato, na performance do jogo, problema este que pode ser remediado apenas jogando no PlayStation 5 ou Xbox Series, em vez do PC.
O jogo foi analisado com uma chave digital do Steam cedida pela Frogwares via Keymailer.




