O REVIL esteve em dois dias da Brasil Game Show 2026 (BGS 2026), com o dia de imprensa (9 de outubro) e o primeiro aberto ao público (10 de outubro). Nesses dias, eu (Dry Portes), Mathias Cavalcanti e Rafael Rodrigues vimos que a maior feira de games da América Latina conta com grandes empresas do mercado de games, jogos independentes e atividades voltadas à comunidade gamer.
Apesar de alguns destaques, a edição é marcada pela nossa percepção de uma oferta menor de conteúdo em comparação com o ano anterior, além da ausência da Capcom e de Resident Evil, que de uma forma geral não teve representação expressiva na feira – para além dos cosplayers, mesmo que poucos.
Durante o dia reservado à imprensa e à produção de conteúdo, a Nintendo chamou a atenção com um dos maiores estandes do evento, oferecendo diversos jogos para experimentação. A SEGA também se destacou pelo espaço amplo e pela ambientação temática dedicada a diferentes títulos, incluindo Stranger Than Heaven, previsto para 2027. A Square Enix é outra presente.
Apesar das atrações, a nossa avaliação geral é que há redução na quantidade de estandes, na presença de jogos independentes e nas atividades da área de fliperamas. Por outro lado, a organização dos espaços agora favorece a circulação dos visitantes, com ambientes menos apertados em comparação com a edição anterior.
Nintendo e SEGA concentram atrações
A Nintendo tem uma grande variedade de jogos em seu estande, que se destaca pelo tamanho. Já a SEGA investiu em uma estrutura temática, com áreas dedicadas a diferentes produções, incluindo jogos de suas principais franquias. Entre as experiências disponíveis estava Persona 4 Revival, remake do RPG originalmente lançado em 2008. A demonstração permitiu experimentar trechos iniciais da aventura, incluindo confrontos contra chefes. A avaliação foi positiva, com destaque para as animações e as melhorias na jogabilidade em relação à versão original.
Stranger Than Heaven
Stranger Than Heaven, previsto para 2027, é um atrativo da SEGA. O jogo é ambientado no Japão, atravessando cinco períodos históricos diferentes em cinco cidades diferentes. É um Soulslike que lembra levemente os títulos da franquia Like a Dragon produzido pela RGG Studio e distribuído pela Sega.
A demonstração disponibilizada na Brasil Game Show deste ano focou em apresentar três combates diferentes, cada um com um nível de dificuldade. Sendo que o primeiro e o último ainda permitem apreciar um pouco da ambientação em uma das ruas das respectivas cidades enquanto nos dirigimos até a luta (embora a exploração das outras partes da cidade estivesse bloqueada).
A primeira luta se passa em 1915, sendo bem fácil e permitindo que o jogador entenda os controles e se acostume com o estilo de luta. É necessário apenas derrotar alguns poucos inimigos.
A segunda luta acontece em 1929 e se mostrou um pouco mais complicada. A quantidade de inimigos simultâneos aumenta significativamente e um deles em especial causa muito dano e aguenta muita pancada, ainda assim, é um desafio divertido.
Já a terceira luta, que se passa em 1943, foi realmente desafiadora, nela enfrentamos um único inimigo, porém ele possui ataques rápidos e que podem derrubar o nosso personagem, inclusive realizando ataques enquanto estamos caídos, nos obrigando a esquivar para os lados em vez de levantar. Além disso, ele próprio possui itens de cura, assim como o protagonista, e não economiza ao usá-los.
Quanto a jogabilidade, cada um dos braços e pernas são controlados individualmente pelos botões de ombro e gatilhos (jogando com um controle), e os inimigos podem ser atordoados e finalizados se apanharem o suficiente.
O jogo possui lançamento previsto para o dia 15 de janeiro de 2027 e conta com menus e legendas em português brasileiro, enquanto a dublagem estará disponível apenas em inglês e japonês.
Square Enix também presente
Foi possível jogar Final fantasy VII Revelations, previsto para 2027. O terceiro jogo da série remake de Final Fantasy VII segue frenético, como tem sido os títulos mais recentes da saga, e continua a história de Cloud e companhia. Na Brasil Game Show deste ano, o título da Square Enix está disponível para ser testados pelos fãs que estiverem dispostos a encarar uma boa fila.
Os cenários estão muito bonitos e o combate não está difícil, considerando o nível em que os personagens estão durante o trecho jogado. Como foi liberado apenas o tempo de cinco minutos para jogar, e esse tempo foi utilizado quase que totalmente em combate, infelizmente não consigo me aprofundar nas impressões da narrativa ou em aspectos técnicos. Ainda assim, foi uma experiência divertida e que não apresentou bugs, aliás, o jogo conta com menus e legendas em português brasileiro, o que permite que os fãs que não dominem língua estrangeira aproveitem o título.
Outro da Square Enix foi Final Fantasy Ressonance. Voltando à pegada dos títulos clássicos da saga, o jogo retorna aos gráficos 2D e ao combate por turnos, o que irá agradar muitos dos fãs do gênero. Com lançamento previsto para o dia 22 de outubro deste ano, o próximo final fantasy apresenta uma arte belíssima e um escopo aparentemente menos ambicioso do que o FF VII Revelations, o que não significa falta de qualidade.
Durante o breve período em que foi disponibilizado para jogar notei um combate um tanto fácil, provavelmente por os personagens estarem em nível 15, porém a quest disponibilizada possui nível recomendado 11. Os cinco minutos disponibilizados não se mostraram suficientes para concluí-la.
Para a tristeza de muitos, o jogo não traz qualquer localização para o Brasil, o que certamente afastará boa parte do público nacional.
Jogos independentes ampliam a diversidade
A área de jogos independentes apresentou produções de diferentes gêneros, embora tenha sido percebida como menor em comparação com a edição anterior.
Entre os títulos experimentados estava The Black Ice, descrito como um jogo de survival horror inspirado em Resident Evil. A aventura se passa em uma base na Antártida, onde o jogador investiga acontecimentos misteriosos e encontra ameaças como zumbis. O título estava disponível em acesso antecipado na Steam, para PC.
Outro jogo mencionado foi The Soul, que combina ação, investigação e narrativa. A história acompanha um personagem que caça criaturas sobrenaturais e enfrenta ameaças que coexistem com o mundo humano. As decisões tomadas durante os diálogos influenciam os acontecimentos, enquanto a investigação conduz o jogador por situações envolvendo demônios, zumbis e outros seres.
As duas produções foram apresentadas pela Antelus Games, que levou diversos títulos para experimentação no evento. Um dos aspectos destacados foi a disponibilidade de versões em português brasileiro, além de outros idiomas.
Outros títulos também chamaram a atenção, incluindo Poly Fighter, um indie que combina elementos de jogos de luta com mecânicas roguelike. A cada vitória, o jogador pode adquirir movimentos dos adversários derrotados, ampliando as possibilidades de combate ao longo da partida.
Outro destaque foi Soulsworn, jogo de cartas com elementos roguelike e inspiração em sistemas de batalhas como os de Yu-Gi-Oh!. A produção permite realizar fusões entre monstros e adquirir novas cartas durante a progressão. Um de seus diferenciais é a possibilidade de criar cartas personalizadas, escolhendo elementos visuais e efeitos entre as opções disponibilizadas pelo jogo.
Soulsworn ainda está em desenvolvimento, com lançamento previsto para 2027, inicialmente para PC, por meio da Steam. A equipe responsável também demonstrou interesse em levar o título a outras plataformas.
A feira também contou com jogos de cartas e tabuleiro. Entre eles estava Geeks vs Trolls, da Daico Studio, um card game físico com partidas para dois a seis jogadores na versão básica. Expansões ampliam as possibilidades, incluindo modos cooperativos e para grupos maiores. A dinâmica envolve a compra de cartas, habilidades e decisões que podem beneficiar o próprio jogador ou prejudicar os adversários.
Outro projeto mencionado foi Hollow Souls, jogo de tabuleiro divulgado por meio de uma campanha no Catarse.
Comunidade gamer e apresentações musicais
Os fãs estiveram entre os destaques da Brasil Game Show, especialmente por meio dos cosplayers. Personagens como Kratos, figuras da franquia Alien, Street Fighter, alguns de Resident Evil e outros marcaram presença e contribuíram para a movimentação do evento.



A Team Liquid também promoveu um torneio de FIFA, com premiações para os participantes. A iniciativa foi destacada como uma oportunidade de interação com o público, apesar das críticas à grande quantidade de espaços dedicados a jogos de futebol e Call of Duty, títulos que, na avaliação dos visitantes, poderiam dividir espaço com outras experiências.
Na programação musical, a Video Game Orchestra apresentou um espetáculo com cerca de uma hora e vinte minutos de duração. O repertório incluiu músicas de diferentes jogos, como Sonic, Silent Hill e Metal Gear Solid, além de faixas de Hotel Barcelona, produção independente lançada em 2026.
Embora tenha que elogiar a execução e a energia dos shows, faço aqui ressalvas à quantidade de músicas de Sonic. O repertório poderia ter contemplado mais franquias, mantendo a diversidade das trilhas sonoras de videogames.
Ausência da Capcom e Resident Evil
Um dos pontos negativos é a ausência da Capcom e da uma presença significativa de Resident Evil na feira. Mesmo em um ano com lançamentos e anúncios relacionados à franquia, não encontramos Resident Evil Requiem ou do remake de Resident Evil 4 nas telas e nos consoles que rodavam jogos na Brasil Game Show.
A falta de atrações oficiais contrastou com o interesse dos fãs pela série. No primeiro dia, poucos cosplayers relacionados a Resident Evil foram encontrados. Encontramos a Moni, do Resident Evil Database, e infelizmente boa parte da comunidade acabou não estando na BGS deste ano. Então infelizmente foi só isso.

A Capcom voltou a deixar o público brasileiro sem uma representação expressiva de sua principal série de survival horror na BGS, apesar da relevância do mercado nacional.
Espaços maiores, mas menos atrações
A redução no número de estandes teve efeitos distintos sobre nas nossas experiências. No segundo dia, o evento estava consideravelmente mais cheio, com indicação de que os ingressos para sábado poderiam estar esgotados. Mesmo assim, os espaços comportaram o público melhor do que na edição anterior, quando a distribuição das atrações havia provocado maior sensação de aperto.
As filas se concentraram especialmente nas áreas da Nintendo e da SEGA, enquanto a presença de jogos independentes e de máquinas de arcade foi considerada menor. Outro ponto de crítica foi a cobrança para utilizar algumas máquinas na área de fliperamas, atividade que anteriormente era oferecida gratuitamente em determinados espaços.
Apesar das ressalvas, a Brasil Game Show manteve atrações que aproximam o público dos jogos, dos desenvolvedores e da cultura gamer. A combinação de grandes estandes, produções independentes, cosplayers, jogos físicos e apresentações musicais garantiu momentos positivos, mas a redução da diversidade de atrações e a ausência de Resident Evil permaneceram entre as principais críticas à edição.
A BGS 2026 segue até 12 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Colaboraram com a produção deste conteúdo com texto/fotos e vídeos: Dry Portes, Mathias Cavalcanti e Rafael Rodrigues
Colaborou com a inserção no site e edição de imagens: Ricardo Andretto





















