Obscurium – O lado obscuro do folclore brasileiro | PRÉVIA

O REVIL foi convidado a participar do teste beta de Obscurium, um jogo indie brasileiro desenvolvido pela Wild Pepper Games. O jogo mistura construção de baralhos (deckbuilder), roguelike, estratégia por turnos, elementos de terror e folclore brasileiro, que vai muito além de apenas histórias regionais, colocando o jogador diante de criaturas sombrias em combates que exigem planejamento e não ter medo de arriscar as cartas que tem na manga.



Você morreu

Em sua descrição oficial Obscurium apresenta a seguinte proposta:

“Você morreu e, em vez de seguir em frente, a sua alma foi parar no Obscurium: um segundo Brasil, desconhecido e bem mais hostil. Com ferramentas ritualísticas em mãos, é necessário caçar criaturas folclóricas que escaparam para o mundo dos vivos. Apenas ao cumprir esse pacto você terá a chance de uma segunda vida. Você fica mais próximo de cumprir o pacto a cada chefe de região derrotado. Cada criatura possui seu próprio modo de combate, comportamento e fraquezas, do jeito que a lenda conta. Os pesadelos dos quais fomos avisados na infância ganham vida pelo estilo de arte sombrio inspirado na tradicional xilogravura e nos cordéis do Nordeste.”

Basicamente, como qualquer pacto bem feito, você não tem escolha de recusar e passa a caçar as criaturas sombrias que invadem o mundo dos vivos. Em duelos de cartas em forma de ritual, aquele que conseguir finalizar o ritual primeiro leva a vitória e a alma de seu oponente.

O Brasil é dividido por regiões e cada uma delas possui um chefe, uma criatura do folclore brasileiro, que pode ser enfrentado após percorrer o mapa da área, que se assemelha a um tabuleiro.

Obscurium apresenta uma jogabilidade fácil de entender, mas nem por isso simplória. É preciso estratégia para saber onde posicionar adequadamente as cartas e a hora certa de fazer sacrifícios. Na verdade, são os sacrifícios que ditam toda a dinâmica do jogo e a ideia é ótima.

Nada é obtido sem um sacrifício em Obscurium e tudo tem um preço – mesmo que o pague, não há garantias de que receberá o que foi ofertado. Aqui não tem nada de troca equivalente (oi, fãs de Fullmetal Alchemist), pois o universo quer que você se lasque mesmo.

Tudo é bem simples. Você tem 4 espaços para alocar suas cartas, assim como o adversário. As cartas colocadas uma de frente a outra se enfrentam, disputando pontos de vida e dano de ataque. Se uma delas chega a 0 pontos de vida, a carta é destruída.

Os espaços vazios significam chances de atacar diretamente o inimigo à sua frente, com a pontuação sendo bem simples. Cada ataque certeiro ascende uma das runas de selamento em volta da mesa, que significam os pontos de vida do seu adversário.

Ao conseguir ascender todas elas, você vence. Já para saber seus pontos de vida, uma vela queima com 10 divisórias e a cada ponto de vida perdido a vela diminuiu. Caso ela chegar a queimar por completo, você morre de novo.

A parte interessante vem da mecânica de sacrifícios que pode ser feita com as cartas, pois existem dois tipos de cartas, a dos espíritos que servem quase que estritamente para fornecer essência, o que seria a energia para poder jogar as cartas. E as cartas que já estão em jogo, seja na mesa ou na sua mão, que também podem ser sacrificadas para gerar essência e assim colocar cartas mais poderosas em jogo.

A mecânica de roguelike acontece entre a derrota de inimigos e os espólios, com novas cartas para adicionar ao seu deck. Durante seu caminho até o chefe de cada área também poderá escolher outros caminhos, além de só enfrentar inimigos, como um copiador de cartas, que pode ou não fazer o serviço dele bem feito.

Ou então quem sabe um joguinho rápido para descobrir onde está a dama, digo, sua própria carta. Ao melhor estilo de aposta de rua, onde você coloca uma carta entre outras e depois de serem embaralhadas precisa descobrir a posição. Se errar você perde a carta apostada, se conseguir encontrar, você pode ficar com ela e mais uma. Essas fases diferentes ajudam a não deixar o jogo cair na monotonia e a mesmice de só enfrentar inimigos.

É do Brasil

Trazendo contos e lendas do folclore brasileiro, Obscurium conta um pouco sobre cada uma delas. Durante o teste da beta enfrentei Capelobo, Pisadeira e Caboclo d’água. Provavelmente por ser uma beta, foram batalhas bem fáceis e poucas fases. Imagino que ainda vá melhorar muito mais esse e outros aspectos do jogo ao avançar do desenvolvimento. Para quem não conhece muito do folclore, o jogo traz um pouco de cada lenda para familiarizar o jogador sobre o que está enfrentando.

Como grande grande fã de jogos indies, principalmente os que são tupiniquins e melhor ainda se for deckbuilder, pois não resisto a um jogo de cartinhas, digo tranquilamente que Obscurium é um jogo que você pode colocar no radar.

Ele ainda não tem data exata definida, mas será lançado em 2027 para PC. Não deixe de adicionar Obscurium a sua lista de desejos Steam!

Este conteúdo faz parte do Blog REVIL, com produções alternativas da Equipe REVIL ou colaboradores na seção REVIL Lab.