E aí, survivors? O REVIL foi convidado pela Garagem Cultural e pelo IMAX Curitiba para assistir ao novo filme de Street Fighter, em um evento especial que também contou com um campeonato de Street Fighter 6. A competição teve a participação do atleta do REVIL, Theusma, que conquistou o primeiro lugar e levou para casa prêmios incríveis! O REVIL agradece imensamente pelo convite e pela oportunidade de participar desta experiência.
Mas, afinal, Street Fighter é uma boa adaptação? Pelo menos é um bom filme? Vamos analisar agora!
Uma história que mistura nostalgia e novidades
A trama começa em 1987, com o protagonista Ryu enfrentando o poderoso Sagat no primeiro torneio World Warrior. Após derrotar seu adversário utilizando um poder sombrio, o lutador acaba se afastando de seu amigo Ken Masters e desaparece do mundo das artes marciais.
Seis anos depois, M. Bison, o ditador da organização Shadaloo, organiza um novo torneio World Warrior na cidade de Metrolao, com o objetivo de tirar Ryu de seu esconderijo. Para isto, Chun-Li recruta Ken e outros lutadores de diferentes partes do mundo, dando início à aventura.
A narrativa combina elementos já conhecidos da franquia com novas ideias, incluindo mudanças na personalidade e na caracterização de alguns personagens. Para quem não acompanha profundamente a série de jogos, como é o caso deste redator, algumas referências podem passar despercebidas. Ainda assim, o filme apresenta elementos suficientes para reconhecer a identidade de Street Fighter.
Há, inclusive, referências diretas aos jogos, como a famosa cena do carro, também presente no trailer. São momentos que ajudam a aproximar a produção de suas origens e podem agradar aos fãs.
A estória é interessante e, acima de tudo, divertida. As coreografias de luta funcionam bem, os momentos de humor ajudam a manter o ritmo e a produção não tem medo de abraçar a galhofa. É um filme que sabe explorar o absurdo de seu universo e, em boa parte do tempo, transforma isto em entretenimento.
O passado de Ryu e Ken é um dos destaques
Um dos aspectos mais impressionantes da produção está nos trechos em estilo anime que apresentam o passado de Ryu e Ken. O visual destas cenas é muito bem executado e consegue capturar a essência da franquia de maneira bastante convincente.
Em determinados momentos, esta abordagem animada parece representar Street Fighter até melhor do que com os atores reais. A qualidade visual e a maneira como estas sequências apresentam os personagens reforçam a ideia de que uma adaptação inteiramente animada também poderia funcionar muito bem.
Durante a sessão, inclusive, surgiu a observação de que talvez um filme totalmente em anime fosse uma escolha ainda mais interessante. É uma possibilidade que faz sentido, considerando como estas cenas conseguem traduzir a identidade dos jogos para o cinema.
A alternância entre passado e presente também contribui para a construção da narrativa. Ao apresentar a trama dos protagonistas e contextualizar suas relações, o filme procura dar mais profundidade aos acontecimentos, evitando que a trama se resuma a uma sequência de combates.
As lutas entre os personagens são empolgantes e representam alguns dos melhores momentos do filme. É durante estes confrontos que as habilidades e a identidade de cada lutador ganham destaque, despertando no espectador a curiosidade e o interesse por personagens como Blanka, Dhalsim, Chun-Li e Ken, assim como acontece ao conhecê-los pela primeira vez nos jogos da franquia.
Entretanto, nem todas as escolhas funcionam tão bem. A caracterização de alguns personagens, determinadas mudanças de personalidade e o aproveitamento limitado de certas lutas e figuras da franquia deixam a desejar. Em uma produção com tantos lutadores conhecidos, alguns poderiam receber mais espaço para demonstrar suas habilidades e sua trajetória no universo Street Fighter.
O filme aborda muitos de seus elementos de maneira competente, mas a quantidade de acontecimentos e personagens pode acabar gerando certa confusão. Em alguns momentos, a trama pode parecer desorganizada, mas consegue manter uma estrutura narrativa com começo, meio e fim.
Visual caprichado e ritmo envolvente
Visualmente, o filme apresenta um ótimo trabalho. A fotografia e a iluminação merecem destaque, enquanto os cenários ajudam a construir ambientes que remetem à identidade visual dos jogos. A produção se preocupou em transportar os elementos deste universo para o cinema, ainda que nem todas as escolhas sejam igualmente bem-sucedidas.
O ritmo também é um ponto positivo. Há muitos personagens, acontecimentos e sequências de ação, mantendo a narrativa movimentada e oferecendo poucas oportunidades para que o espectador perca o interesse. Esta agilidade combina com a proposta de uma adaptação que busca equilibrar história, combates e humor.
A trilha sonora cumpre seu papel, embora não seja um dos aspectos mais marcantes da experiência. Algumas faixas se destacam, especialmente para quem aprecia as músicas dos jogos da franquia, conhecida por composições bastante memoráveis. Ainda assim, a trilha poderia ter sido mais explorada para tornar determinados momentos ainda mais impactantes.
Os efeitos sonoros, os sons ambientes e a mixagem de áudio também apresentam um resultado satisfatório, contribuindo para a imersão durante as cenas de luta e os demais acontecimentos.
Conclusão
Afinal, Street Fighter é um bom filme? Sim! O novo filme de Street Fighter é uma produção divertida, capaz de proporcionar bons momentos e entreter o público. Não se trata de uma obra extraordinária, mas sua combinação de ação, humor, referências aos jogos e sequências de luta garante uma experiência agradável.
Como adaptação, o resultado também é positivo. Mesmo quem não conhece profundamente a franquia pode compreender seus conceitos básicos, reconhecer a importância dos personagens e ter uma ideia do que tornou a série tão popular. Neste sentido, o filme pode funcionar como uma porta de entrada para novos espectadores.
A produção consegue preservar parte considerável da essência de Street Fighter, embora algumas decisões criativas e o aproveitamento de determinados personagens deixem a sensação de que havia potencial para algo ainda melhor.
Esta análise também levanta uma questão importante sobre adaptações de videogames: compreender a identidade da obra original é fundamental para transportá-la ao cinema. São justamente seus personagens, suas características, seus temas e sua proposta que conquistam o público e fazem uma franquia se tornar reconhecida.
Isto não significa que uma adaptação precise reproduzir tudo fielmente. Mudanças são naturais, e algumas podem até funcionar melhor no cinema do que nos jogos. O desafio está em compreender quais elementos são essenciais e como adaptá-los sem perder aquilo que torna a obra especial.
No caso de Street Fighter, a produção demonstra compreender parte desta identidade, mas poderia ter explorado melhor algumas lutas, desenvolvido certos personagens e aproveitado mais as possibilidades de seu universo. O resultado é um filme que diverte e apresenta boas ideias, ainda que não alcance todo o potencial que a franquia oferece.
No fim das contas, Street Fighter é uma adaptação que vale a pena conferir, especialmente para quem procura ação, humor e, de certa forma, nostalgia. Não reinventa o gênero nem entrega uma experiência memorável em todos os aspectos, mas cumpre sua proposta de entreter.
Mais uma vez, o REVIL agradece à Garagem Cultural e ao IMAX Curitiba pelo convite e pela oportunidade de participar deste evento especial. Confira o registro:
E fica a pergunta para os survivors: o que vocês esperam de uma adaptação cinematográfica de videogame? A fidelidade aos jogos é essencial ou há espaço para mudanças mais ousadas?










