Sim, nós jogamos Resident Evil Requiem! Recentemente o REVIL teve a oportunidade de testar 3h do aguardado nono título da série principal. Com o marketing sendo feito a conta-gotas, muitos fãs seguem ávidos por novidades e também receosos com o réquiem da franquia. São muitas as preocupações, desde a jogabilidade alucinada de Leon S. Kennedy, a alternância entre ele e Grace e também a trama do título, que teve pouquíssima coisa revelada até então.
Com base no que jogamos, os fãs podem ficar mais tranquilos, porque Requiem não parece uma reciclagem dos jogos anteriores, mas sim uma evolução do que a franquia têm de melhor.
Acompanhe o Hands-On também no vídeo exclusivo do canal @revil:
LEON – EM CAIXA ALTA (e com uma motosserra)
Em nosso hands-on não jogamos a demo de Grace Ashcroft tentando escapar da Big Mama que rodou o mundo afora (exceto pelo Brasil). Nossa gameplay começou com Leon chegando ao Rhodes Hill Chronic Care Center. A apresentação do capítulo se deu tal qual um jogo da Remedy, com o texto LEON em uma fonte bold cobrindo toda a tela. Leon aguarda para conversar com o Dr. Gideon, mas uma emergência logo anuncia que o hospital foi tomado por zumbis, obrigando Leon a fazer o que sabe fazer de melhor: farmar aura.

A jogabilidade de Leon parece uma versão aprimorada de Resident Evil 4 (2023), mantendo as mesmas mecânicas, mas adicionando novas. Leon ainda pode aparar ataques, dessa vez usando um machado que pode ser reparado a qualquer momento, mas o machado também pode ser usado como um ataque padrão e também para finalizar os inimigos. E vale lembrar que este é um Leon após Resident Evil 6. Como disse o diretor Koshi Nakanishi, ele tem plena noção disso e o jogo apresenta tudo isso na gameplay.

Leon pode fazer quickshots, finalizações ambientais, golpes especiais e até mesmo usar algumas armas que estão no cenário. Durante a primeira sequência, eu acreditei que a motosserra seria usada como um item único, mas eu pude enfrentar todos os inimigos da área usando a ferramenta.

É algo bem responsivo e que demonstra a evolução do personagem. E apesar de Leon estar no ápice de suas habilidades, ainda nos sentimos acuados neste primeiro confronto, então não é apenas um festival de ação, mas sim um belo action horror.
Mas essa sequência foi relativamente curta e pouco depois encontramos Grace Ashcroft, em uma cena que se inicia logo após o fim da demo. E sim, Leon é dublado novamente por Felipe Grinnan. Mantendo um excelente trabalho em questão de dublagem, Requiem conta com atuações fantásticas em português brasileiro, mas infelizmente ainda não conseguimos identificar os outros dubladores.
Após essa sequência inicial, Leon e Grace acabam sendo separados, e agora assumimos o papel da nova protagonista.

Aqui tivemos uma grata surpresa e também podemos responder a maior dúvida sobre a jogabilidade de Resident Evil Requiem: a troca do estilo de gameplay de Leon para Grace funciona ou prejudica o ritmo?
GRACE – Com uma Magnum (mas só uma bala)

É com muito prazer que podemos informar que as trocas dos segmentos de Leon e Grace funcionam muito bem. Não só muito bem, como garantem excelente dinamismo entre a sensação de presa e predador, ainda que ambos estejam enfrentando os mesmos inimigos. Enquanto a seção de Leon foi mais linear e com um grande foco em ação, a seção de Grace remete muito mais ao Resident Evil 2 e Resident Evil 7, com o foco principalmente em exploração e survival horror. No Rhodes Hill, precisamos encontrar objetos e resolver puzzles para prosseguir na trama, o que envolve muita exploração e backtracking.

Ao contrário de Leon, Grace é uma agente inexperiente, então precisamos jogar com muito mais cautela e os inimigos representam um risco bem maior. A munição é escassa, a nossa vida está por um fio e precisamos passar pelos inimigos da forma que pudermos. E sim, os inimigos padrão do título são zumbis, apesar de eles serem mais inteligentes do que na trilogia original. Os inimigos mantêm certas características e costumes de quando ainda estavam vivos, então eles ainda realizam algumas atividades como apagar as luzes, que é algo que podemos usar a nosso favor para distrair o inimigo e passar de uma área.

Essas tarefas que os zumbis realizavam em vida também se traduzem como características dos ataques, como um zumbi açougueiro que ataca com seu cutelo e uma zumbi cantora, que causa dano com seus gritos. Os zumbis ainda têm um resquício de fala, que é algo presente na franquia desde o primeiro Resident Evil com o clássico “Itchy, tasty”, mas que pode ser visto principalmente em Resident Evil Outbreak quando o jogador vira um zumbi, com o personagem tentando formar frases e pedir ajuda mesmo após ter se transformado em uma criatura. É um elemento muito interessante de ser trazido novamente, principalmente considerando a ligação de Requiem com Outbreak.

Um ponto muito interessante é que a jogabilidade de Grace não é diferente de Leon, mas as ações da personagem são “limitadas” em relação às suas habilidades. Grace também pode se agachar para tentar passar despercebida e, finalmente, a lanterna pode ser ativada e desativada quando o jogador quiser(!). Ela pode não conseguir dar um roundhouse kick, mas Grace pode atordoar o inimigo e empurrá-lo. Ela também não tem força para decapitar um inimigo, mas se ela estiver com um Injetor Hemolítico, pode matar um inimigo usando o item em um ataque stealth ou mesmo como finalização.

Uma nova mecânica é coletar sangue para poder criar itens, que remete tanto ao primeiro Resident Evil Revelations quanto a The Evil Within. Ao juntar o sangue dos infectados com outras peças, podemos criar itens como munição ou o novo Injetor Hemolítico, que pode ser usado para finalizar os inimigos e também para impedir que eles voltem à vida como uma criatura ainda mais forte.
Essas mecânicas se ligam diretamente à trama do jogo, que ainda não vamos entrar em detalhes, mas aparenta estar diretamente relacionado à investigação de Grace e Leon, que como os fãs especularam, está sim infectado. Mas esta trama não aparenta ser algo inédito, e sim conectado com os eventos de Resident Evil 2 há quase 30 anos. A Capcom tem sido bem seletiva com o que foi exibido até então e mesmo a parte que pudemos testar aparenta ser um trecho bem inicial do jogo, então acreditamos que a trama possa ser um ponto forte do título e entregar grandes surpresas e reviravoltas.
LEON – Ainda mais armado (e sem jaqueta)

Enquanto na seção de Grace somos perseguidos por uma estranha criatura que parece um bebê gigante, quando voltamos a jogar com Leon (que perdeu a jaqueta de novo, coitado) nós enfrentamos esse mesmo inimigo. É uma boa dualidade entre os personagens que funciona de maneira natural e, agora com Leon, passamos a explorar o mesmo ambiente em que Grace estava e acessar lugares que ela não podia usando nosso machado. E se deixarmos alguma criatura para trás durante a jogatina com Grace, elas ainda estarão aqui quando estivermos jogando com Leon.

Um ponto importante a comentar é sobre a câmera do jogo. Quanto à câmera, já sabíamos que a Capcom daria a opção de jogar em 1ª pessoa e 3ª pessoa. Inclusive, recomendaram que a gameplay da Grace seria melhor aproveitada em 1ª pessoa.
A câmera em 3ª pessoa funciona para demonstrar a experiência e a capacidade do Leon. Com belos requintes de gore, os golpes executados pelo nosso amado ex-policial passam uma sensação cinematográfica digna dos blockbusters de Hollywood. A câmera em 1ª pessoa, por sua vez, nos demonstra com melhor clareza os tremores e a respiração pesada de Grace, seja quando ela corre ou mira nos inimigos, demonstrando a sua inexperiência e pavor, além de, pela natureza da proximidade da câmera, nos trazer muito mais perto dos inimigos.
O marketing de Requiem tem mostrado principalmente Leon em terceira pessoa e Grace em primeira pessoa, mas em nossa experiência o título funciona muito melhor em terceira pessoa para ambos os personagens. E acho importante ressaltar que eu tenho o Resident Evil 7 como um dos meus jogos favoritos da franquia, mas a câmera em primeira pessoa de Requiem não me agradou muito. Talvez no computador tenhamos uma opção para aumentar o campo de visão que ajude a aliviar esse meu incômodo, mas por enquanto, nossa recomendação seria de jogar em terceira pessoa.
Réquiem para Leon, Pesadelo para Grace
Ao contrário de Resident Evil 6 que tenta fazer de tudo e acaba não entregando nada, Nakanishi está completamente focado no que ele quer trazer em Requiem. A jogabilidade e o game design fazem com que a transição entre um personagem e outro ocorra de forma natural e não limitante, tanto é que, para nós, a seção de Grace foi a parte mais interessante do jogo e não tivemos aquela sensação de preferir jogar com um personagem ou outro. Mas, conforme abordamos em nossa prévia, o jogo não parece uma reciclagem dos títulos anteriores, e sim uma evolução natural desses jogos. Faltando praticamente um mês para o lançamento do jogo, ainda não sabemos tanto sobre a trama do título, mas pelo que vimos até agora, Requiem tem o potencial para ser um dos melhores jogos da franquia.




