Ainda hoje, cerca de 5 anos após o lançamento de Resident Evil 5, e a morte confirmada (inúmeras vezes pela própria Capcom) de Albert Wesker, muitos fãs ainda clamam por sua volta e até duvidam que sua morte tenha de fato acontecido no vulcão em Kijuju após receber dois tiros de Rocket Launcher.

Mas afinal, porque a Capcom decidiu matar Wesker, o vilão mais querido de Resident Evil e um dos personagens mais icônicos e carismáticos da série?

De cerebral a vingativo

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Asssim como Resident Evil em um todo, Albert Wesker também mudou consideravelmente no decorrer dos anos. Nos primeiros jogos, ele é mostrado como um vilão cerebral, que planeja cada passo que dá e procura quase sempre agir nas sombras, aliando-se a pessoas chave como William Birkin, Ada Wong e com a Terceira Organização, e valendo-se de vantagens estratégicas como ameaçar a família de Barry Burton para contar com o seu apoio. Porém, Wesker acabou perdendo muito dessa sua veia cerebal e low profile, especialmente em Resident Evil 5, quando ele aparece como um vilão megalomaníaco e totalmente cego em seus desejos de vingança e dominação, o que indiscriminadamente levou a sua ruína.

Sua vingança contra Ozwell Spencer, a Umbrella e posteriormente contra Chris Redfield, expuseram pontos fracos que ainda não haviam sido vistos no vilão. A emoção da raiva demonstrada especialmente contra Spencer e Chris, mostram que afinal Wesker tornara-se um ser que nada mais queria do que provar a todos que era superior. Embora tivesse traçado um plano de saturação global com o Uroboros, ele acaba deixando isso em segundo plano quando Chris se coloca em seu caminho, mostrando que a vingança pessoal acabou sendo mais importante do que o “plano de sua vida”, algo impossível de se imaginar que aconteceria, especialmente quando se pensa no Wesker de CODE: Veronica, que teve oportunidades de liquidar pessoalmente com Chris e até mesmo com Alexia Ashford, mas preferiu dar prosseguimento aos seus planos do que perder tempo e se arriscar em vinganças.

O resultado dessa mudança de personalidade, foi um Wesker descontrolado, que agiu por impulso se fundindo ao Uroboros e se tornando uma aberração, assim como William Birkin, Sergei Vladimir, Javier Hidalgo e tantos outros fizeram no passado.

A conclusão de um arco

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A morte de Albert Wesker representou a conclusão de um arco da história iniciado lá atrás, em 1996 com Resident Evil 1. Desde então, Wesker morreu, reviveu, adquiriu poderes sobre-humanos, procurou por agentes biológicos para criar seu próprio vírus, confrontou Chris e Alexia, ferrou e roubou toda a pesquisa da Umbrella, matou Sergei e Spencer, se uniu a Excella Gionne e a Tricell, criou seu próprio vírus e por fim foi impedido por Chris de colocar seu plano megalomaníaco em prática. Depois de passar tudo isso, não restava muito mais para ele além de ter uma morte pelas mãos de seu maior inimigo.

Além disso, com o fim da Umbrella, a morte de Spencer e com a história saindo totalmente de Raccoon City, Wesker acabou sendo uma espécie de “sobra” daquilo que foi criado a partir de 1996. A morte dele, também representa a mudança, uma evolução da franquia, que caminharia para buscar novos antagonistas.

O foco global

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Com o bioterrorismo se tornando cada vez mais global, era de se esperar que novos antagonistas fossem encontrados e que Wesker acabasse se tornando “apenas mais um”, e matá-lo foi a forma que a Capcom disse: ei, precisamos seguir em frente e encontrar novos vilões com novas motivações. Até porque, se Wesker continuasse vivo, acabaríamos naquele loop quase infinito de jogos como Zelda, Mario, e tantos outros onde o mesmo vilão retorna praticamente em todos os jogos, com as mesmas motivações, planos e sempre sendo derrotado pelo herói no fim, para então retornar novamente no jogo seguinte e repetir tuuuuuudo de novo.

Portador do papel da vilania durante quase 15 anos, Wesker acabou sendo sobrecarregado, ultra-explorado e virou um enorme clichê. A maior prova disso é que ele era um vilão com ar de superioridade, com certa arrogância e acabou se transformando em um louco megalomaníaco e homicida que parece ter saído direto de algum filme de James Bond.

Status: Morto

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Sim, Albert Wesker já morreu uma vez em Resident Evil, e no entanto voltou a vida. Inicialmente Resident Evil não fora planejado como uma enorme franquia, mas RE1 fez tanto sucesso que novos jogos foram criados e a necessidade de se ter um vilão forte na série, para isso nada melhor do que utilizar o grande antagonista do primeiro jogo. Embora ele estivesse “morto”, a Capcom conseguiu contornar muito bem a situação, usando para isso uma explicação que colocava Wesker como um dos mais cerebrais vilões dos games.

Mas isso, aconteceu lá atrás, quando RE estava tentando se estabelecer como uma grande franquia. Anos depois, com Wesker mais do que bem explorado e a necessidade de se seguir adiante, sua morte definitiva foi planejada para Resident Evil 5, onde de fato o vilão ganhou uma lápide definitiva na história de RE. Isso foi inclusive confirmado por um dos principais produtores de RE na atualidade, Masachika Kawata, que em suas palavras disse: “Mesmo que vocês queiram que Alber Wesker volte, não há chances de isso acontecer”

Com essa declaração e o futuro da série meio obscuro após Resident Evil 6, fica bem claro que Wesker não voltará a vida como já aconteceu alguma vez, a não ser é claro, em eventuais Remakes ou então em um possível(?) reboot da franquia.

O texto reflete a opinião do autor do artigo, não do REVIL.

CRÉDITOS
Escrito por: André Ceraldi (Ceraldi)
Data de Publicação: 28/03/2014

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