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Silvia Goiabeira é uma carioca apaixonada pelo que faz: dublagem. Ela é a dona da voz em português da heroína dos filmes de Resident Evil, Alice (Milla Jovovich), além de outros personagens, como a Jasmine de “Aladdin”, Allison DuBois de “A Paranormal”, Pepper Potts de “O Homem de Ferro”, Nakoma de “Pocahontas” e a Bond Girl Camille de “007 – Quantum of Solace”. Essa atriz versátil não trabalha só com dublagem e já atuou em novelas nacionais, como “Barriga de Aluguel” (Rede Globo) e “Amazônia” (extinta TV Manchete). Em entrevista para o REVIL, ela conta como é dublar “uma mulher destemida” como Alice.

 


 

REVIL: Como você começou a trabalhar com dublagem?

SILVIA GOIABEIRA: Eu já fazia teatro e vi na dublagem mais uma oportunidade para exercitar e aprimorar meu trabalho de atriz. Acabei dublando mais do que fazendo teatro atualmente.

R: Como você foi escolhida para ser a dubladora da Milla Jovovich nos filmes de Resident Evil?

SG: Eu a dublei primeiro em “O Quinto Elemento”, depois a Miriam Ficher, que ia dirigir o filme [a dublagem] Resident Evil me escalou. Pronto! Aí comecei a dublar todos [risos]. Pelo menos por enquanto.

R: Você já conhecia RE antes de trabalhar dublando os filmes? Chegou a jogar algum game da série?

SG: Não, eu não conhecia RE antes dos filmes. Só depois que fiquei sabendo dos jogos.

R: Como é o processo de dublagem dos filmes de Resident Evil?

SG: O processo é normal, como qualquer filme que dublo. O diretor orienta contando a trama e descrevendo o personagem. Então ensaiamos e depois gravamos. Mas nestes filmes em especial curto mais, pois já sei como é a minha personagem. Tem toda uma continuidade e eu me emociono. Gosto muito de fazer!

R: Você dublou vários personagens muito diferentes entre si, como a Jasmine de “Aladdin”, Pepper Potts de “Homem de Ferro” (Gwyneth Paltrow) e Allison DuBois de “Medium” (Patricia Arquette). Você adapta a sua voz a cada personagem? Se sim, que características você gosta de passar através da sua interpretação quando está dublando Milla em “Resident Evil”?

SG:Procuro fazer uma interpretaçao de Milla Jovovich em RE meio “seca” – sofrida, mas não muito. Ela teve que se reinventar naquele caos, então ela se tornou forte, fria. Uma mulher cheia de atitude com o pensamento rápido. É isso!

R: Existe alguma cena dos filmes de Resident Evil que você tenha dublado e que ficou marcada na sua memória? Que você tenha gostado muito?

SG:A cena do “cachorro do avesso” [Cerberus] me marcou. Desculpe, eu não sei bem se o cão está com o vírus ou ao molho bolonhesa [risos]. Brincadeira!

R: Você se identifica com a Alice em algum aspecto?

SG: Sou bem diferente da Alice, mas admiro muito as mulheres destemidas como ela.

R: Você já havia dublado a Milla antes em “O Quinto Elemento”. Você volta como dubladora dela em “Os Três Mosqueteiros 3D”?

SG: Ainda não sei nada do filme “Os Três Mosqueteiros 3D”, mas eu espero voltar sim, vou adorar!

R: Quais são as diferenças entre dublar desenhos animados e filmes?

SG: Eu, particularmente, não vejo tanta diferença entre dublar desenhos ou filmes. Pode ser que o desenho seja mais divertido de dublar.

R: O Brasil tem muitos dubladores amadores, e é possível encontrar vários trabalhos desse tipo no Youtube, por exemplo. Quais seriam os conselhos para quem quer ingressar na carreira de dublador profissionalmente?

SG: Meus conselhos são: treinar muita leitura em voz alta, fazer um curso de dublagem para aprimorar o sincronismo, fazer teatro para “ganhar” mais interpretação. Enfim, estudar muito!

R: O “sincronismo” é entre a boca do personagem e as suas falas?

SG: Isso mesmo! Tem que parecer que o gringo está falando realmente português. Como se fosse mágica! [risos]

R: Nota-se que alguns atores tem dubladores “fixos” no Brasil, dando uma certa identidade nacional a eles, como você enxerga isso?

SG: Realmente procura-se manter o mesmo dublador para o ator, mas às vezes acontece de outra pessoa dublar porque o dublador oficial não pode ou porque o cliente pede testes e outro dublador ganha o papel. Coisas assim.

R: Alguns jogos já estão ganhando dublagem brasileira, como é o caso de Killzone 3 e Uncharted 3. Infelizmente, esse tipo de iniciativa tem sido muito criticada, pois o trabalho é feito por estúdios localizados nos Estados Unidos e os gamers tem reclamado que a interpretação dos dubladores ficou “a desejar”. Você concorda com isso? De qualquer forma, você gosta dessa iniciativa? Gostaria de trabalhar dublando um jogo?

SG: Acho que a critica é maior por serem dublados fora do país por pessoas que não são atores profissionais, diminuindo o nosso mercado. Quanto a dublar games, eu acho ótimo, já dublei alguns das Princesas, fazendo a Jasmine (de Aladdin).

R: De todos os seus papéis, tem algum que você considere mais especial?

SG: Com toda certeza a Jasmine, foi meu primeiro grande papel!

R: Há algum filme, personagem ou atriz que você tenha muita vontade de ser a dubladora? Se sim, qual o motivo?

SG: Adoraria dublar Liz Taylor em “A Megera Domada”. Primeiro, porque amo o filme; segundo, porque adoro filmes de época; e terceiro: Liz é TUDO! Infelizmente não será possível. Já foi dublado maravilhosamente pela colega Sumara Louise.

R: Quais são seus futuros projetos?

SG: Bom, espero fazer a dublagem da Milla em “Os Três Mosqueteiros 3D” e que apareça bastante trabalho para mim.

R: Deixe uma mensagem para os fãs que acompanharam essa entrevista.

SG: É tão gostoso sentir o carinho de vocês, mesmo distante. É gratificante saber que mesmo sem o glamour da fama, existem pessoas que gostam e se importam com o meu trabalho. Trabalho este que escolhi e faço com AMOR! Beijos a todos!

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