Resident Evil Requiem

Análise – Minigame “Leon Must Die Forever” – Resident Evil Requiem

Sejamos sinceros, quando a Capcom anunciou um modo extra para Resident Evil Requiem, a grande maioria de nós (inclusive eu) estava esperando o clássico Modo Mercenaries. É o minigame mais icônico da franquia, fez sucesso nos moldes clássicos como DLC do Resident Evil 4 e, convenhamos, já era sucesso antes mesmo de ser lançado, só pela expectativa dos fãs. Até Resident Evil Village, mesmo mudando a fórmula original, entregou algo meramente divertido.

Em vez disso, recebemos o “Leon Must Die Forever”, ou “Leon Deve Morrer para Sempre”. Apesar do nome já ter aparecido antes com o “Ethan Must Die” (Resident Evil 7), a proposta aqui é bem diferente – ainda bem! O minigame de Requiem é bem vagamente uma mistura do Mercenaries com o modo Raid de Revelations que vimos no Village, só que menos divertido.



Mesmas fases e mesmos chefes

Minigame "Leon Must Die Forever" - Resident Evil Requiem

O minigame se estrutura em fases e níveis fixos. O nível da fase determina a sua dificuldade, quanto maior ele for, mais fortes são os inimigos. Fora isso, ainda existem 5 Ranks de dificuldade geral, que deixam o jogo ainda mais difícil, mesmo que as fases e seus níveis em si não mudem, reduzindo cada vez mais seu tempo limite.

A dinâmica desse modo se baseia principalmente no roguelike. Durante as fases, Leon S. Kennedy encontra caixas de suprimentos com armas aleatórias. Quanto maior o nível da fase, melhor o equipamento.

Outra forma de conseguir poder de fogo é eliminando inimigos coloridos. Durante as fases alguns inimigos poderão brilhar em vermelho ou azul. Os vermelhos são resistentes a ataques de longa distância, mas vulneráveis a ataques de curto alcance. Já os azuis são bem resistentes a tudo, mas concedem um bônus de dano momentâneo se você conseguir aparar seus ataques.

Como parte da tática para aumentar a dificuldade, o machado não pode mais ser reparado livremente como na campanha. Aqui, você depende de pontos específicos no mapa ou de habilidades do seu Coletor de Sangue para fazer isso, ou com sorte, se o jogo estiver de bom humor, aparecem em caixas de itens.

O Coletor de Sangue acumula pontos ao derrotar inimigos e, ao atingir 100%, permite que você escolha uma habilidade para Leon. No total existem 8 espaços para colocar habilidades passivas para Leon, mas em cada rank esses espaço diminuem, embora seja possível encontrar pelas fases itens que vão expandindo esses espaços.

O Coletor foca em habilidades passivas, aumento de dano para armas, granadas, aumento da duração de efeitos ao eliminar inimigos, maior defesa contra armas de fogo e alguns outros tipos.

Há também habilidades de uso imediato para recuperar vida ou consertar o machado. Como a barra enche rápido e o custo para realocar as habilidades é baixo, dá para montar builds interessantes e variadas, principalmente com uma rotatividade bem grande de habilidades, o que costuma ser muito útil em lutas contra chefes.

Sem tempo, irmão

Minigame "Leon Must Die Forever" - Gideon

Assim como no Mercenaries e 99% dos modos extras de Resident Evil, você deve lutar contra o relógio. Se o tempo zerar, é Game Over, e terá de começar tudo de novo. Para estender o cronômetro, você precisa eliminar inimigos usando habilidades específicas que concedem esse bônus ou caçar aranhas coloridas espalhadas pelos cenários.

A progressão das fases acontece por meio de portas que conectam o mapa até o confronto final contra Gideon, repetindo a batalha da campanha principal de Resident Evil Requiem.

Ao conseguir bater um Rank, você desbloqueia novas versões do Leon com sets de armas e habilidades pré-definidas. E claro, o selo japonês de bizarrice está presente, pois prepare-se para jogar com um Leon usando orelhinhas e cauda de lobo (até aí nada novo), ou com um “chapéu” de Porsche e um giroflex na cabeça – maravilhosamente bizarro!

Talvez a minha alta expectativa por um Mercenaries tradicional tenha me feito torcer um pouco o nariz para o “Leon Must Die Forever” (além do fato dele surrupiar descaradamente o nome da dificuldade de Devil May Cry, mas isso é outra história). Sendo muito sincero, ele é apenas minimamente divertido.

O maior pecado do modo é a repetição. A grande maioria das fases recicla cenários, inimigos, posicionamentos e chefes da campanha de Resident Evil Requiem. Mesmo com o fator aleatório dos equipamentos e as combinações de habilidades, o cansaço bate rápido. As variações de uma partida para outra são mínimas, limitando-se ao local onde as aranhas do tempo ou os inimigos coloridos aparecem.

Falando em repetição, Leon repete exatamente as mesmas falas do jogo principal. Embora exista uma opção na loja para comprar novas linhas de diálogo usando seus PCs (Pontos de Conclusão), ainda assim, são poucas adições e ele satura o jogador repetindo-as em um intervalo curtíssimo de tempo.

Se for analisar bem, o nível de dificuldade está principalmente em quais níveis de fase você escolhe para prosseguir e a pressão do tempo diminuindo a cada novo Rank, ou ainda, ser muito azarado e não conseguir armas boas o suficiente para derrotar Gideon na fase final.

A batalha final, dependendo da situação, se torna injusta e praticamente impossível – embora a decisão de enfrentá-la ainda seja inteiramente sua. A derrota não se deve à sua falta de habilidade, mas sim à grande desvantagem dos níveis de seu equipamento referente ao nível da fase, que muitas vezes impede a vitória.

Para completar o conjunto de frustrações, o modo não possui outros personagens jogáveis além de Leon. Eu sei, o nome do minigame entrega o protagonismo, mas poxa, custava dar a opção de jogarmos pelo menos com a Grace? Ela é uma personagem excelente e sua adição poderia possivelmente trazer uma nova dinâmica para o modo.

Leon Deve Morrer para Sempre

Talvez seja o meu saudosismo falando mais alto, mas enfrentar hordas de inimigos, com o tempo apertado, a dificuldade aumentando conforme mais inimigos são derrotados, me deixam bem mais entretido do que ficar passando por fases explorando um lugar em que a maioria das minhas ações serão iguais às da campanha. “Leon Must Die Forever” de Resident Evil Requiem diverte por algumas horas, mas falha em ser cativante e principalmente algo que os fãs realmente queiram.

Joguei o minigame no Xbox Series S.

*Texto publicado sob supervisão do jornalista Ricardo Andretto. Capturas de imagens por Dry Portes.

Pontos positivos:
Skins bizarras?!
Alta rotatividade das habilidades
Pontos negativos:
Excessivamente repetitivo
Apenas Leon como personagem jogável
Machado não é reparável livremente
6