Resident Evil Resistance foi anunciado antes mesmo de Resident Evil 3 Remake e fez muita gente torcer o nariz a princípio. Depois que descobrirmos que seria um modo multiplayer de RE3 ficamos mais aliviados, ou não, já que muitos esperavam a volta do modo Mercenaries. Mas este não é o ponto aqui…

Todos sabemos que a proposta de ter um assassino e vários sobreviventes em jogos online já é bem conhecida, pois jogos famosos como Dead By Daylight e Friday the 13th: The Game usam desta mesma premissa. O que diferencia cada jogo é como essa proposta é aplicada. E quanto ao Resistance então? O que ele tem de diferente? Como o foco é apenas a jogatina online, então não é de surpreender que não tenhamos história neste game – tudo o que sabemos é que são um grupo de pessoas tentando escapar de um experimento conduzido pela Umbrella.

Jogabilidade

Temos dois lados da história, a dos sobreviventes e a dos vilões. Vamos começar com os malvados primeiros. Diferente da maioria dos jogos, nós não controlamos necessariamente o assassino, já que aqui invocamos várias B.O.Ws para matar os sobreviventes para nós.

Usamos as câmeras espalhadas pelos cenários para localizarmos os outros jogadores e então invocar nossas B.O.Ws. Funciona da seguinte forma; possuímos um baralho, com algumas cartas com custos de habilidades, que podemos ir invocando. Ao escolhermos uma carta, usando a câmera, nós posicionamos a criatura em questão em uma parte do cenário e a magia tá feita – pouquíssimos segundos depois sua linda B.O.W já está pronta para matar.

Mas caso você queira sentir o gostinho de como é ser uma B.O.W, você pode assumir o controle de algumas criaturas que invoca, tornando-se o assassino direto de suas vítimas. As habilidades de cada criatura variam assim como os baralhos iniciais dos vilões. Temos ainda armadilhas imobilizadoras e bombas que podemos posicionar estrategicamente pelo cenário, fora o uso de armas de fogo acopladas nas câmeras.

Cada vilão tem uma arma suprema, que é alguma B.O.W bem forte ou tecnologia suprema. Eles possuem 3 tipos diferentes de habilidades, sendo 2 delas passivas e a terceira a arma suprema.

No time dos vilões temos Annette Birkin que controla seu marido William Birkin em sua primeira forma de mutação G. Seus golpes consistem em ataques com a barra de ferro que ele carrega e agarrar os inimigos, o que ocasiona na morte direta deles se não forem salvos por seus companheiros. Sua única desvantagem é ser incrivelmente lento.

Daniel Fabron é o personagem original deste jogo, sendo um empregado direto de Spencer e auxiliando Alex Wesker em suas pesquisas. Ele que possui o controle do Tyrant (Mr.X). Mr.X é o que se move mais rápido de todas as armas supremas que podemos usar. Ele praticamente corre atrás dos sobreviventes e tem socos muitos rápidos! Assim como o Birkin, ele também pode agarrar seus alvos e pulverizá-los com seu ataque.

Alex Wesker tem o controle de uma espécie de planta carnívora gigante, a Yateveo. Diferente das outras criaturas, você não pode se locomover ao ativá-la. Com um grande alcance, você pode lançar suas raízes e cipós nos sobreviventes e cuspir uma espécie de gosma neles e, caso estejam por perto, você pode tentar devorá-los. Outra particularidade da Yateveo é que você pode trocar entre as câmeras e ela a hora que quiser, diferente dos outros, que ao assumir sua arma suprema, se quiser voltar as câmeras terá de destruí-los.

E por último temos Ozwell Spencer, que diferente dos demais não usa uma B.O.W e sim uma arma tecnológica da Umbrella, o D. Field. É uma espécie de campo de força que causa dano a quem encostar nele. Você apenas o posiciona e o deixa lá, esperando que os sobreviventes passem por ele. Ele é muito útil para bloquear portas, impedindo a entrada e saída dos sobreviventes em certos locais.

Você tem o controle de sua arma suprema apenas por um minuto, mas diferente das outras criaturas ela não pode ser destruída até o tempo acabar, no máximo ser atrasada. Não temos livre acesso aos vilões, é preciso alcançar determinados níveis com cada um para ir desbloqueando os outros. Para usarmos as cartas do baralho, precisamos gastar pontos de habilidades. Esses pontos de habilidades são dados automaticamente conforme o tempo vai passando e são necessários alguns poucos segundos para carregá-los.

Conforme os sobreviventes vão avançando pelas áreas, que consistem em três cenários diferentes a serem “atravessados” enquanto desvendam puzzles até que eles consigam fugir de vez, seus pontos de habilidades são carregados mais rapidamente. Na área 1 temos um tempo até que os pontos sejam carregados, ao passarmos para a área 2 este tempo dobra e na área 3, a final, você tem o tempo de carregamento triplicado.

O avanço pelas áreas também implica em cartas que só podem ser usadas nelas, com algumas mais fortes que demandam mais pontos de habilidades a serem gastos. É algo como: cartas fracas no começo, cartas médias no nível intermediário e cartas fortes no final. Isso equilibra o jogo para que não fique muito fácil ou difícil, tanto para o vilão quanto para os sobreviventes.

No time dos sobreviventes temos, a princípio, 6 personagens jogáveis. Cada um deles possui personalidades e habilidades distintas. Cada sobrevivente tem 4 habilidades, duas passivas e duas ativas. Essas habilidades variam de acordo com os personagens.
Também podemos usar 4 slots para colocar alguns equipamentos que melhoram nossos status e habilidades. A princípio temos apenas um, mas conforme subimos de nível vamos ganhando os demais. Os itens a serem equipados possuem custos de equipamento, que também vão aumentando ao subir de nível.

Valerie Harmon ganhou um estágio no Nest 2 por ter chamado a atenção da Umbrella com suas pesquisas inovadoras, mas quando percebeu que algo estava errado, ela nem sequer teve tempo de descobrir o que realmente era e infelizmente acabou indo parar em um dos experimentos inescrupulosos da companhia.

Valerie é a suporte de cura do grupo. Com uma de suas habilidades, ela tem o poder de curar todos que estivem a sua volta por algum tempo, além de poder rastrear itens também, revelando os que estiverem por perto.

January Van Sant é uma hacker habilidosa e por isso acabou sendo contratada pelo jornal de Raccoon City para encontrar provas da corrupção de Irons com a Umbrella. Mas ela não pôde finalizar seu trabalho, desaparecendo misteriosamente.

Suas habilidades são voltadas para atrapalhar a vida do vilão, desativando e avariando suas câmeras, o que o força a gastar muitos pontos de habilidade para uma invocação.Tyrone Henry é um dedicado Bombeiro que acabou desaparecendo no cumprimento de seu dever. Ao participar do grupo que tentava controlar um incêndio em um dos laboratórios da Umbrella ele é sequestrado pela empresa e submetido a vários tipos de experimentos.

Com certeza é um dos personagens mais fortes deste game, já que suas habilidades consistem em redução de dano e regeneração, sem contar que ele ainda expande suas habilidades para toda a equipe ao usá-las. Além disso, ainda possui habilidades de ataque que derrubam os inimigos.Samuel Jordan era um boxeador que viu sua promissora carreira ser interrompida por uma lesão. Desesperado para voltar aos ringues, ele aceitou participar de um projeto com um remédio misterioso que poderia curá-lo. Apesar de ter tido sua tão esperada recuperação, viu-se preso junto a outras pessoas em um experimento aterrorizante.

Sam é perfeito para o combate de curta distância, pois suas habilidades de boxeador elevam seus status de ataque fazendo com que causem bem mais danos do que os demais – só que isso se limita a combates corpo a corpo.Martin Sandwish é um gênio da mecânica, se dando melhor com as máquinas do que com as pessoas. Infelizmente para seu desprazer, acabou acidentalmente descobrindo um laboratório subterrâneo da Umbrella enquanto trabalhava no Hospital Memorial Spencer. Sendo assim, ele acabou sendo pego e usado nos experimentos da empresa.

Excelente suporte para atrasar os inimigos e também destruir as armadilhas colocadas pelo Vilão no cenário. Com suas habilidades mecânicas ele pode desativar rápido e facilmente qualquer armadilha em seu caminho. Martin também melhora o status de reparo das armas, deixando-as mais duráveis, assim como pode cegar e eletrocutar seus inimigos.

Becca Woollett é guarda florestal e ao investigar uma chamada de estranhos gritos na floresta, acabou caindo em uma emboscada que resultou em seu sequestro. Agora, ela participa de horríveis experimentos junto a outras pessoas.

O foco com Becca são as armas de fogo, tendo uma habilidade que a deixa com munição infinita, e outra que a faz causar um dano bem alto com suas armas – mas neste caso, ela fica incapaz de se mover. Além disso, ainda faz com que os inimigos mortos por ela deixem munição, e ainda tem uma chance maior de causar um acerto crítico.Uma equipe de 4 jogadores devem sobreviver às três áreas dos experimentos feitos pelos Vilões, tendo de coletar três tipos diferentes de peças de um quebra-cabeça para passar da primeira e menor das áreas. Já na segunda, é preciso encontrar uma B.O.W que possui um cartão de acesso – ela decodifica os terminais para que a porta para a próxima área seja aberta. E por fim, na última, é preciso destruir alguns tanques que ficam espalhados pelo cenário.

Começamos com 5 minutos decrescentes para passarmos a primeira área. O tempo diminui a cada vez que levamos dano ou morremos.A jogabilidade é basicamente a mesma de Resident Evil 2 e RE3 Remake, o que deixa tudo bem fluido e rápido. Com os comandos de atalhos para as armas, podemos trocar rapidamente entre elas e ter uma dinâmica maior e mais rápida hora de matar os inimigos. O inventário com slots limitados também está presente, fazendo com que o jogador tenha que pensar bem o que carregar nele. Só que esse inventário é em tempo real, ou seja, se houver inimigos por perto, você ficará vulnerável, então cuidado ao usá-lo. Existe ainda uma caixa de suprimentos no início das áreas e outra espalhada por algum cômodo do cenário. Essa caixa permite que os jogadores comprem armas, ervas e itens de cura para serem usados nas partidas.

Começamos com alguns créditos Umbrella, que seria o dinheiro do jogo para gastar como quisermos. Ao matarmos inimigos, evitar ser mordido, coletar itens e outras coisas, vamos ganhando mais desses créditos – além de existirem vários deles espalhados pelos cenários que podem ser coletados para aumentar o montante de dinheiro.

Os comandos funcionam muito bem e o gameplay das duas perspectivas é bem interessante. Com certeza é bem mais fácil e “apelão” de se jogar com os Vilões. Temos uma enorme vantagem em poder ficar invocando quase que infinitamente os inimigos para deterem os sobreviventes – principalmente quando “possuímos” uma das B.O.W.s.

Já os mocinhos? Esses podem ficar sem munições, armas de curto alcance, ervas e tudo mais. Sem contar que para ter uma vantagem contra o Vilão, é preciso memorizar os lugares que os itens dos puzzles podem vir a aparecer – e esse é basicamente o único jeito de vencer, pois ficar procurando aleatoriamente nos consome muito tempo. O trabalho em equipe também é essencial para a vitória.

Temos um mapa para nos guiar pelas áreas, mas ele não mostra a localização dos itens – apenas se já tivermos passado por eles ou em caso dos itens chave (que aparecem no mapa se demorarmos muito). Já o uso desse recurso para o vilão é bem mais amplo, uma vez que é por lá que você se “locomove” pelas salas, trocando de câmeras.

Podemos ver onde estão nossas armadilhas e monstros, assim como onde estão os sobreviventes e as portas que estão trancadas ou não. Os itens chave também ficam expostos para nós, assim temos como montar uma boa estratégia.

Gráficos

Os gráficos são bons. Como é o mesmo motor gráfico dos outros jogos recentes da Capcom, a RE Engine, podemos dizer que Resistance está bem bonito visualmente, no mesmo padrão que já vimos os outros jogos de Resident Evil (RE2 e RE3). Os personagens estão bem detalhados e até me arrisco a dizer que os cenários estão um pouquinho melhor que no próprio Resident Evil 3.

Os inimigos, sendo em sua maioria os zumbis, estão bem como sempre mesmo – bons detalhes, mas nada anormal e super extravagante. Este quesito fica mais para as armas supremas usadas pelos Vilões, eles têm um nível visual um pouco maior que os demais.

Trilha Sonora

Com certeza o ponto mais forte deste jogo é a trilha sonora! A própria abertura do jogo e seu menu nos apresentam a uma boa música de fundo. Quando chegamos a 1 minuto restante de jogo nas partidas, a música nos ajuda a entrar em desespero se formos sobreviventes – e pular de alegria se estivermos jogando com os Vilões.

Os efeitos sonoros dos inimigos, nossos disparos com as armas, o carregamento delas e o barulho das armadilhas está muito bom também. Temos ainda a mudança da música quando a arma suprema do vilão é invocada. No caso de Mr. X, por exemplo, sua trilha tema de Resident Evil 2 Remake é tocada enquanto ele estiver no cenário.

Conectividade

O grande problema deste jogo são os servidores – que aparentemente não andam muito cheios. É um tanto quanto demorado arranjar partidas algumas vezes, principalmente se tentar algo rápido. Caso você tente ser o Vilão, é bom pegar um petisco e sentar pra esperar, pois demora demais – o que nos faz desistir na maioria das vezes. Em geral, aguardar mais de 5 minutos por uma partida em jogos online, é algo bem anormal – geralmente isso só ocorre em jogos em “fim de vida”.Os servidores, infelizmente, demoram muito para conectar os jogadores e também não são muito estáveis. Muitas das partidas apresentam Lags e Bugs devido a variação do nível de internet neles – provavelmente. A melhor saída para encontrar partidas um pouco mais rapidamente é a criação de salas públicas, caso queira ser Vilão, ou então se juntar a uma como sobrevivente.

Infelizmente, jogando pelas salas públicas, temos os pontos de experiência muito reduzidos e não podemos usar nossos itens para impulsioná-los ou participar das missões diárias – isso só pode ser feito apenas pelas partidas rápidas.

Os maiores problemas de Resistance são mesmo de conectividade, mas o título é bem divertido de se jogar, principalmente se você conseguir juntar os amigos para formar uma equipe ou tentar matá-los.

Localização

A localização está boa, como de costume nos jogos da Capcom. A única coisa que tenho a apontar aqui que ficou faltando foram as legendas para as falas dos Sobreviventes. Ao jogarmos, todas as falas do vilão estão localizadas e podemos entendê-las, mas as dos sobreviventes foram completamente ignoradas.

Não importa se são as falas do início da partida ou as dos comandos de comunicação, infelizmente nenhuma delas foi localizada. O que é uma pena, pois para aqueles que não entendem inglês é bem legal saber como cada sobrevivente reage aos experimentos, mostra um pouco da personalidade deles também.

A base desta análise foi feita em cima da versão do jogo para Xbox One (modelo padrão), mas os apontamentos são os mesmos de outros membros da equipe REVIL, que experimentaram Resistance no PlayStation 4 e PC (Steam), com jogo cedido pela Capcom Unity Brasil. Todas as imagens usadas foram retiradas diretamente do Xbox One.

Veredito final
Boa jogabilidade;Divertido.
Servidores instáveis;Demora na conexão das partidas.
8Pontuação geral
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