Pela SEGUNDA vez neste ano, a Capcom lança um jogo no Nintendo Switch para fazer o demônio chorar. Devil May Cry 2, lançado originalmente em 2003 para o PlayStation 2, recebeu uma versão para o híbrido. Mas como será que o título roda na telinha e em versão maior? Confira nesta análise um pouco sobre a nova experiência de Dante no aparelho!

A análise foi feita totalmente sem spoilers do game. Leiam à vontade!

Enredo

Anos após os acontecimentos do primeiro Devil May Cry, uma jovem mulher de nome Lucia está em um museu procurando por uma relíquia chamada Arcana Medaglia, da qual se parece muito com uma moeda antiga.
Nesta ocasião, ela é atacada por vários demônios e recebe a ajuda do nosso querido Devil Hunter: Dante.

Após a batalha contra as criaturas infernais, Lucia arremessa uma adaga em um mapa, pedindo para que Dante a acompanhe – o nosso portador da Rebellion vai até a fictícia Dumary Island, onde já é recebido por demônios mandados pelo capeta.

Após adentrar as ruas de uma pequena vila, Dante encontra Lucia e ambos são surpreendidos por uma explosão que destrói uma pequena casa. Só que sua residente – uma senhora bem idosa de nome Matier, mãe de Lucia – sai dos escombros sã e salva.

Matier relata que que lutou ao lado do lendário Sparda, pai de Dante, para proteger a ilha de uma infestação de demônios. Ela pede ajuda ao caçador – let’s rock, baby! – para derrotar Arius, um grande empresário internacional que utiliza de poderes demoníacos e tem intenção de dominar o mundo. Dante aceita o pedido de uma forma inusitada – lançando uma moeda, ele define “cara” para um sim e “coroa” para um não.

Enquanto parte, Matier e Lucia discutem a respeito da “Arcana”, os itens necessários para Arius invocar a poderosa entidade demoníaca Argosax.

Dante e Lucia vivem aventuras distintas e vão realizando descobertas nada agradáveis a medida que cumprem seus objetivos – principalmente a  jovem mulher de cabelo estiloso.

A história, no entanto, é bastante direta, com pouquíssimos diálogos. Dá até a impressão que Dante não tem nenhuma personalidade no game, principalmente se compararmos com a imagem e reputação construída por ele no decorrer da franquia.

ENTÃO ME PROVES MAIS UMA VEZ QUE TU ÉS O FILHO DO CAPETA SPARDA!

Assim como seu antecessor , que também já deu as caras no Nintendo Switch, ele é um jogo da era PlayStation 2, logo é normal observar, novamente, alguns aspectos nos gráficos e gameplay: durante as cutscenes em FMV (Full Motion Video), as imagens ficam bastante embaçadas e desfocadas; no gameplay, a câmera dinâmica mais atrapalha do que ajuda por apenas focar nos protagonistas; os movimentos dos personagens são um tanto rígidos, ainda mais se compararmos aos títulos mais recentes, como o aclamado Devil May Cry 3 e o Devil May Cry V, lançado no começo desde ano – mas ei, lembre-se sempre que DMC2 é de 16 anos atrás.

Mas nada disso tira o crédito do game: jogar a segunda aventura original de Dante em um console portátil ainda mais quando tem gente usando a TV ou você precisa se aliviar daquela feijoada é uma experiência única!

O jogo roda a 30 frames por segundo e em resolução 720p, tanto no modo portátil quanto no modo dock, mas mesmo com as baixas especificações, eu afirmo que jogar no modo portátil é incomparável. Também é possível perceber que o “HDzaum” deixa as cutscenes ingame bem bonitas, principalmente se levarmos em conta que é um jogo original de PS2.

 

A idade do jogo se traduz no gameplay, mas desta vez de forma bem mais severa que seu antecessor: a parte de exploração é mínima. Com exceção de pouquíssimas missões, você só irá averiguar cada canto do cenário para fuçar pilhas de Red Orbs ocultas, armas coletáveis, os fragmentos de Blue Orbs (as vezes até Blue Orbs completos) escondidos e as eternas Secret Missions, que já são marca registrada da franquia.

O backtracking do primeiro game praticamente foi extinto, com pouquíssimos puzzles (todos “aperte tal botão/insira tal item para abri uma porta”) e parcas sessões de “platformer”, com total foco no combate. Lucia em particular possui algumas sessões que se desenrolam debaixo d’água – inclusive uma missão e batalha de boss exclusivamente submersa.

Uma crítica negativa em relação ao combate é a falta de variação de armas corpo a corpo dos protagonistas: cada um tem apenas 3 armas das quais se resumem a uma equilibrada, uma com mais alcance e uma com curto alcance, porém mais forte – sem contar que todas possuem o mesmo moveset, uma verdadeira lástima comparado ao primeiro jogo onde Dante tinha uma arma de combate marcial, com direito a muquetão e voadora.

Outro aspecto negativo, grave, é a câmera: ELA FOCA APENAS NO SEU PROTAGONISTA. Parece bobo, mas como há uma mira automática, é difícil de enxergar onde está seus oponentes, atrapalhando até mesmo em batalhas contra bosses – o que acarreta em muitas lutas se resumirem a “atirar, atirar e atirar até o inimigo cair”.

Entretanto, o jogo não deixa a desejar no quesito armas de fogo (Dante) e projéteis (Lucia), com direito a escopeta, submetralhadora, lança mísseis, facas de arremesso, dardos, granadas e até uma “bowgun”. Um detalhe interessante é que quando Dante utiliza uma arma diferente de suas icônicas pistolas gêmeas Ebony & Ivory, ele segura a arma primária em uma mão e uma das pistolas na outra para ainda atirar quando sua arma de fogo principal não for compatível com o movimento, como saltos.

Uma coisa que o jogo acertou em cheio foi a capacidade de customizar a Devil Trigger – transformação “Super Sayajin” onde Dante ativa seu modo demoníaco e Lucia o seu modo angelical. O amuleto que os protagonistas portam pode ser alterado com fragmentos encontrados pela jornada e tais modificações afetam a performance da transformação, permitindo voar, andar mais rápido, nadar em maior velocidade, potencializar a regeneração de vida, alterar o elemento dos ataques entre fogo, eletricidade e gelo, etc.

As várias Missões perderam seu efeito “checkpoint” do game anterior, permitindo agora salvar a qualquer momento pelo menu de pause.

As antigas Yellow Orbs, que funcionavam como “Continue” em caso de morte, agora são as Gold Orbs, que permitem evitar Game Overs, regenerando completamente suas barras de vida e Devil Trigger caso o seu personagem caia em combate.

Mais uma pequena decepção foi a falta de desafio no game. Mesmo nas dificuldades mais altas, as batalhas raramente se alteram, além da pequena duração da campanha principal: em menos de 3 horas é possível finalizar a história de Dante, sendo a de Lucia ligeiramente menor, embora o jogo permita desbloquear novas dificuldades, além de conquistas internas, o Bloody Palace – modo onde é possível derrotar hordas de inimigos, uma marca registrada nos games mais recentes da franquia – e até mesmo Trish como personagem jogável – esta, em particular, possui o mesmo moveset de Dante do game anterior.Blood Palace Devil May Cry 2 Nintendo Switch

Resident Evil versus Devil May Cry 2.0

Como eu já falei na análise do primeiro Devil May Cry, a franquia nasceu de um projeto de jogo descartado que viria a ser um Resident Evil. Há vários termos e referências – propositais ou não – entre as franquias da Capcom em DMC2. Vamos apontar algumas aqui e começar a diversão?Avião Uroboros Devil May Cry 2 Nintendo SwitchParece que Albert Wesker jogou Devil May Cry 2 antes de Resident Evil 5 e de sua tentativa de saturação global.Elevador Devil May Cry 2 Nintendo SwitchAcho que Billy Coen e Rebecca Chambers pediram uma ajuda do Dante para sair do Centro de Treinamento da Umbrella.Espada Vendetta Devil May Cry 2 Nintendo SwitchAcho que alguém lembrou dessa arma antes de darem o nome do último filme em animação de Resident Evil (risos) – não que isso tenha motivado.

Sequência de autodestruição… Sério mesmo Capcom, ATÉ AQUI?!Missile Launcher Devil May Cry 2 Nintendo SwitchE no final a missão tem um lança mísseis esperando o jogador? PEGA ESSA REFERÊNCIA!Hangar Avião Devil May Cry 2 Nintendo SwitchA Família Ashford deve ter emprestado rapidinho o avião deles, né?

“MAS EAE? VAI CHORÁ DE NOVO CAPETA?” – Vale a Pena?

O game pode não apresentar grandes mudanças na comparação com seu antecessor – apesar do título que carrega. É consideravelmente curto. Porém, para aqueles que desejam saber mais sobre como começou a história da franquia, vale a tentativa. É divertido e excelente para desestressar em fins de semana.

Devil May Cry 2 está sendo vendido somente em formato digital pela Nintendo eStore – sai por 19,99 dólares (cerca de R$ 84). O jogo também está disponível uma coleção para Playstation 3Playstation 4/4 ProXbox 360Xbox One/One X e PC (Steam).

Análise feita em conjunto por Paloma Cristini e Aluísio Teixeira.
Todas as imagens de Devil May Cry 2 usadas na análise foram retiradas do game rodando no Nintendo Switch. ==

O texto não representa a opinião do REVIL como um todo e sim dos autores da análise.

CONEXÃO CAPCOM - Análise - Devil May Cry 2 (Nintendo Switch)
Portabilidade do Nintendo Switch;Devil Trigger customizável;Gráficos em gameplay ficaram belos com o HD mesmo no modo portátil.
Câmera atrapalha muito, principalmente em batalhas contra chefes;Movimentos de combate dos personagens é incrivelmente limitado;Ausência de desafios;História minimalista com pouquíssimos diálogos.
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