Após muito tempo e expectativa, Resident Evil Vendetta finalmente chega ao Brasil de forma oficial, entitulado aqui como Resident Evil: A Vingança. Teve sua pré-estreia realizada no Santos Criativa Festival Week, em 22 de julho. O terceiro filme em CGI baseado na famosa franquia foi exibido oficialmente no Japão em 27 de maio; e em 19 de junho nos Estados Unidos. É possível adquirir o filme através do iTunes ou Playstation Store desses países.

A grande premissa de Vendetta, conforme dito pela Capcom na época do anúncio, é que ele simboliza um reboot dos filmes CGI no que diz respeito ao seu tom e direcionamento, não à narrativa, pois os eventos canonicamente se passam entre Resident Evil 6 e Resident Evil 7. A questão é, o filme cumpre seu papel e agrega algo ao universo de Resident Evil?

Infelizmente não, apesar dos pontos positivos. Vou buscar passar pelos elementos mais importantes que compõem o filme sem dar spoilers, para não prejudicar a experiência de quem aguardou o lançamento nacional até então.

Primeiro, vamos aos aspectos técnicos, a parte audiovisual. A produção realizada pela Mazda Animation Planet, em conjunto com a Capcom, trouxe resultados visivelmente superiores aos dois primeiros filmes, no que diz respeito à qualidade das animações, coreografias, movimentação e expressões faciais dos personagens e criaturas.

O destaque vai para Rebecca Chambers. Suas expressões e maneirismos refletem com precisão a personalidade da personagem, culminando numa exemplificação próxima do ideal de caracterização, aliando imagem e narrativa de forma equilibrada e harmônica. Ainda assim, alguns personagens apresentam problemas na animação de suas emoções em momentos depressivos ou situações extremas de stress, como Leon Kennedy.

As cenas de ação, mesmo com momentos absurdos, proporcionam bom entretenimento. A coreografia está dentro do que já foi visto no universo do jogo, parecendo retirar muito de Resident Evil 6. A trilha sonora não possui temas marcantes como nos jogos, mas ajuda a determinar a cadência das cenas – seja de suspense, ação, horror, calmaria – dentro do esperado.

A grande falha de Resident Evil Vendetta, no entanto, é sua narrativa: um emaranhado de eventos e ideias que tem potencial no papel, mas falham miseravelmente em sua execução, sendo repleta de clichês e fan-service que nada agregam no final.
Resident Evil Vendetta Review - Image 001
A sinopse inicial do filme é que um novo bioterrorista, Glenn Arias – cujo passado é ilustrado em apenas uma cena que não adiciona profundidade ao seu personagem – desenvolveu um novo e mais poderoso vírus, e deseja se vingar trazendo o apocalipse ao mundo através do terror das armas biológicas. Um completo megalomaníaco. Percebam o padrão de estrutura que já virou “carne de vaca” de tanto que foi usado.

Vendetta reune grandes ícones do universo de Resident Evil, sendo eles Chris Redfield, Leon Kennedy e Rebecca Chambers, que tem a melhor caracterização dentre os personagens principais, mesmo que o filme também falhe em explorar as experiências vividas pela personagem desde os eventos ocorridos no incidente da mansão, contados em Resident Evil 1, que levaram a se tornar referência no estudo de agentes virais em uma universidade e o desenvolvimento de respectivas vacinas.

Chris permanece o “mesmo” de sempre, e Leon Kennedy, cujo filme tenta gerar uma empatia entre o espectador e o personagem por conta da crise existencial que vem passando, falha miseravelmente, uma vez que tudo é tocado de forma superficial, e o pior, não é nem ilustrado no filme. Para se ter ideia, há momentos que são contados apenas na novelização e estão ausentes no filme, o que contribui ainda mais para afundar uma narrativa que já é naturalmente fraca.

Outro desserviço que o filme traz é, que fora o vilão e protagonistas, os personagens coadjuvantes são completamente descartáveis, então, por que perder tempo tentando dar “personalidade” a pessoas que o espectador nunca vai se conectar e logo serão mortas ou nunca mais vão aparecer? Não faz sentido.

Acredito que Resident Evil Vendetta serve como ponto de atenção para a Capcom, que ainda não conseguiu encontrar um balanço ideal ilustrando o universo da série em formato para o cinema, mesmo usando seus maiores ícones.

A impressão que fica é que como Resident Evil 7 começou um novo arco, a Capcom tentou agradar aos veteranos saudosistas com um filme que não expande o universo da série de forma interessante, tampouco se conecta a elementos importantes. É basicamente mais uma história, uma ataque bioterroristas e os mesmos heróis de sempre salvam o dia. Não há surpresas, nem situações difíceis ou evolução dos protagonistas.

Passável.

IMPORTANTE: O texto acima reflete a opinião do autor da análise, e não do REVIL como um todo. A análise do filme foi feita através da conta pessoal do autor na Playstation Store norte-americana, tendo alugado a versão em alta definição em inglês por 30 dias.

Resident Evil: Vendetta
Rebecca ChambersAnimações de melhor qualidadeAção na medida certa
Narrativa Clichê e FracaCaracterização de alguns personagens é risívelNão expande o universo da série de forma inteligente
5Pontuação geral
%d blogueiros gostam disto: