Resident Evil: Survivor (Biohazard: Gun Survivor, no Japão) é um jogo de pistola de luz desenvolvido e publicado pela Capcom. Foi lançado para o PlayStation One, no Japão, em 27 de Janeiro de 2000, e na América do Norte, em 30 de agosto de 2000.

O jogo é totalmente experimental, pois pela primeira vez a franquia saiu do modo de jogo com câmera fixa, apostando no modo de tiro em primeira pessoa. A possibilidade de jogá-lo com a Namco Gun é, sem dúvida, o grande – talvez único – atrativo do título. Utilizando uma tecnologia igual ao das máquinas de tiro que estavam espalhadas pelos fliperamas do mundo, RE: Survivor é um jogo com qualidade técnica bastante fraca, enredo interessante – porém mal aproveitado – e que apresentou aos jogadores um agente amigo de Leon e um dos vilões mais cruéis de toda a franquia.

A história

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Talvez a história e o enredo de Resident Evil: Survivor sejam o grande e provavelmente único ponto forte do jogo. Não que seja uma história impecável, muito pelo contrário, ela é abordada de forma bastante superficial durante o game, e somente lendo os files é que dá pra se ter a verdadeira dimensão da trama.

O plot principal é a investigação de Ark Thompson na ilha Sheena. Ele foi ao local a pedido de seu amigo, Leon S. Kennedy para investigar uma suposta base da Umbrella. Chegando no local ele não só se depara como um dos principais centros de pesquisa da empresa mas também com o mais cruel de todos os vilões: Vincent Goldman. E é justamente a história de Vincent Goldman e seu papel na Umbrella que tornam o jogo realmente interessante.

Goldman é o comandante supremo da ilha Sheena, base usada pela Umbrella para algumas de suas mais importantes pesquisas, dentre elas, o aperfeiçoamento do projeto Tyrant. No local, Goldman aprisionou dezenas de adolescentes com o objetivo de matá-los e extrair deles uma substância chamada Beta-Hetero Aserotonina, que seria fundamental para a produção em massa dos Tyrants. Goldman conduzia a ilha com punhos de ferro, inclusive fez questão de matar a sangue frio todos os jovens que tentaram fugir do local mas que acabaram sendo capturados, essa era a forma de mostrar a todos que ele estava no controle e quem batesse de frente com ele teria sérios problemas.

Após chegar na ilha, Ark Thompsom se passa por Vincent Goldman, ambos são muito parecidos fisicamente. Com esse artifício, Ark conseguiu se infiltrar nas instalações da Umbrella e descobrir o que estava acontecendo ali. Quando decidiu escapar, ele deu de cara com Goldman, que instantes antes havia liberado o T-Vírus na ilha. Ao tentar fugir, Ark tentou embarcar em um helicóptero mas este foi abatido por Goldman, O helicóptero caiu, mas Ark sobreviveu apesar de ter ficado inconsciente, e é aqui que o gameplay começa.

Ark acorda no meio da ilha e não se lembra de nada, nem de seu próprio nome. Ele se vê em meio a um caos, com zumbis e criaturas mortais espalhadas pela ilha. Durante a aventura, além de lidar com o perigo na ilha, ele ainda tem o desafio de recuperar sua memória e descobrir quem ele realmente é e o que faz naquele local. Apesar de todos os sobreviventes que encontra o chamarem de Vincent Goldman, ele não tem certeza se realmente é essa pessoa, e conforme vai descobrindo a crueldade de Goldman ele passa a duvidar mais e mais que essa é a sua verdadeira identidade.

Como dito mais acima, infelizmente a história do jogo é bastante superficial durante o gameplay. Todo o background de Vincent Goldman e da produção em massa dos Tyrants é conhecida apenas nos files do jogo. Restando ao jogador, apenas lidar com os perigos da ilha e ajudar alguns poucos sobreviventes enquanto busca sua verdadeira identidade e a razão que levou o local a virar um caos.

O desafio

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Esse talvez seja o mais fácil e mais curto jogo de toda a franquia Resident Evil. O desafio aqui é bastante fraco, e afirmar que o jogador só terá certa dificuldade no chefe final não é nenhum exagero.

A handgun vem com munição infinita, e isso é o suficiente para derrotar praticamente todos os inimigos do jogo, inclusive os inúmeros “Mr.X” que aparecerão durante o jogo. Mantendo uma distância razoável e descarregando cerca de 20 tiros você derruba o outrora temido Tyrant e pode prosseguir em frente. Zumbis, Ivys, Cerberus e Cleaners (inimigos enviados pela Umbrella que podem te atacar a distância com armas de fogo ou de perto com golpes físicos) não serão grande problema, e vale usar armas como a Shotgun apenas para enfrentar os Lickers e Hunters, mas não que eles sejam difíceis, apenas é complicado mirar neles por conta de sua velocidade.. No resto, guarde as armas mais poderosas para enfrentar o Hypnos Tyrant, já que esse sim pode lhe trazer problemas. Ervas e sprays de cura também não são um problema no decorrer da aventura.

Até marinheiros de primeira viagem não terão muitos problemas para fechar o jogo em cerca de 1h, e como é oferecido ao jogador três caminhos diferentes, talvez seja esse o maior desafio do jogo: fechar nos três caminhos oferecidos para poder ter acesso a todos os files e armas disponíveis.

A jogabilidade

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A jogabilidade experimental de RE: Survivor é um dos pontos mais interessantes e também um dos mais problemáticos. Desenvolvido para ser jogado com a pistola de luz da Namco, a jogabilidade peca em atributos básicos como o fato de não ser possível mirar para baixo, ou seja: se um zumbi cair e vier se arrastando até você, não há  que fazer a não ser fugir. Em geral, apesar das limitações, a jogabilidade com a pistola tem seus méritos, principalmente na precisão da mira, embora possam haver algumas confusões na hora de movimentar o personagem.

Já com o joystick, apesar de contar com uma mira menos precisa, a jogabilidade como um todo melhora, principalmente porque a ação de se movimentar e mirar melhora sensivelmente. Mas, um problema muito grave que se apresenta tanto com a pistola quanto com o joystick é o “personagem tanque”, um problema muito sério por se tratar de um jogo de tiro em primeira pessoa. Estar em uma sala com um licker ou um hunter e correr para a parede pode ser mortal, já que virar o seu personagem de frente para o monstro é tão lento e impreciso quanto manobrar um caminhão em uma vaga de carro comum.

Os gráficos e o som

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Aqui temos mais dois pontos bastante fracos no título. Toda a preocupação com esses aspectos que foi mostrada nos 3 títulos anteriores, em RE: Survivor dão a impressão de não terem existido, mas há algumas diferenças importantes entre os títulos.

RE: Survivor é o primeiro título da série que não contou com cenários pré-renderizados, ou seja: os cenários são todos em 3D e texturizados. isso por si só já faz com que o jogo tenha uma qualidade gráfica inferior aos demais títulos da franquia, já que basicamente os cenários pré-renderizados estão prontos e você os vê somente naquele ângulo, não havendo a necessidade de se construir por exemplo, uma sala onde o jogador possa observar os quatro cantos do ambiente. Ainda levando isso em conta, os gráficos de RE: Surviror são bem aquém do que poderiam ter sido, especialmente no que se refere a textura dos próprios cenários, que são de baixa qualidade, deixando um jogo com aspecto de velho, principalmente porque diversos jogos de tiro em 1ª pessoa do próprio PS One e que foram lançados anos antes de RE: Survivos apresentavam uma maior qualidade gráfica.

A trilha e os efeitos sonoros, que quase sempre são executados com maestria até mesmo nos piores jogos da franquia, não tiveram o devido cuidado no título. Não há uma caracterização bacana das vozes dos personagens e os efeitos sonoros quase sempre parecem opacos e distantes, como se fosse um som mono.

Conclusão

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Apesar de ser um jogo totalmente experimental e ter inúmeros problemas, Resident Evil: Survivor ainda assim é um título interessante. Obviamente não se pode esperar dele a mesma qualidade dos REs 1, 2 e 3, mas os três caminhos diferentes que ele oferece, podem prender o jogador por algumas horas, e isso se aplica principalmente a aqueles que tem intenção de conhecer mais afundo a história do título através dos files diferentes espalhados pelos caminhos.

Durante muito tempo esse jogo foi renegado pelos fãs da série, que em muitos casos nem consideravam-no como um Resident Evil, mas, com a recente inclinação da franquia para ação, RE: Survivor voltou a ser citado por ser de fato o primeiro título da franquia que fugiu quase que completamente do Survival Horror.

Para os colecionadores e amantes da franquia, ele acaba se tornando um jogo obrigatório, e nele, pela primeira vez vemos a força e a influência da Umbrella chegando a locais fora de Raccoon City, isso seria apenas uma pequena amostra do que estaria por vir nos próximos títulos, onde a Umbrella se tornou praticamente onipresente em todo o mundo.

Curiosidades

  • Há uma versão de PC de RE: Survivor, lançada em outubro de 2002 na China, ela nunca chegou de forma oficial as prateleiras de nenhum outro país.
  • RE: Survivor é o primeiro título da série a apresentar cenários totalmente tri-dimensionais. Ele também é o primeiro título da série a ser jogado em 1ª pessoa.

Ficha Técnica

Título: Resident Evil: Survivor (Biohazard Gun Survivor)
Ano de Lançamento: 2000
Plataformas: PlayStation One, PC (exclusivamente na China)

CRÉDITOS
Escrito por: André Ceraldi (Ceraldi)
Data de Publicação: 12/04/2013

REVIL Retrô - Resident Evil: Survivor
6.3Pontuação geral
Gráfico6.5
Som7.5
Jogabilidade6.5
Enredo7.5
Desafio5
Fator replay5
Votação do leitor 79 Votos
4.2
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