Análise – Starforged Legacy – Steam

Starforged Legacy é um Bullet Heaven (você é quem cria a chuva de balas contra as hordas de inimigos) com elementos Roguelike e temática espacial. Ele tem uma estética bem trabalhada, gráficos bonitos e uma trilha sonora que embala muito bem as batalhas e explorações espaciais. No entanto, acaba deslizando em alguns aspectos.

Seguindo o padrão de jogos do gênero, em Starforged Legacy você encara fases com um tempo pré-programado e precisa sobreviver aos inimigos até o fim do cronômetro para poder avançar.



Explorando, batalhando e coletando recursos

Como é para ser em jogos do tipo, você começa de modo bem precário, liso, sem nada de bom e será morto algumas vezes até ter alguns recursos para ser capaz de melhorar a sua nave. Mas uma coisa boa é que o jogo te incentiva a explorar e não só a derrotar seus inimigos durante a fase, pois isso te garante recompensas maiores e melhores, consequentemente avançando mais rápido seu progresso permanente para poder se sair melhor em novas tentativas.

Enquanto enfrenta seus inimigos há algumas missões de exploração para coleta de recursos, analise de anomalias, salvamento de sobreviventes, entre outras coisas que aumentam as recompensas ganhas ao completar a fase. Além disso, no seu mapa de batalha, pode escolher o caminho a trilhar em diversos momentos, buscando os melhores recursos e recompensas até chegar ao chefão.

O mapa em si não é muito longo, mas há meios de evitar algumas batalhas, caso queira, como escolher caminhos em que pode parar em algumas estações espaciais de troca. Nelas você pode trocar alguns recursos saqueados em suas expedições galácticas por créditos, a moeda principal do jogo. É com ela que você fará suas melhorias fora das batalhas, além de precisar de outros tipos de recursos conforme seus upgrades ficam mais avançados.

O sistema de progressão é um dos pontos altos e um excelente incentivo para continuar jogando. A árvore de habilidades é extensa, dividida em 3 tipos: dano, sobrevivência e exploração, garantindo melhorias permanentes que fazem a diferença para uma nova jornada.

Além disso, há uma boa quantidade de itens para desbloquear. São 12 diferentes armas, mais de 100 melhorias, naves e mais. O que também ajuda no incentivo a continuar jogando.

Até o momento, Starforged Legacy conta com 6 naves diferentes, cada uma com qualidades e atributos distintos que podem mudar sua forma de jogar. A curva de dificuldade é balanceada, escalando, ao meu ver, de forma justa junto com as recompensas que você adquire. Morrer faz parte do processo, mas nem de longe chega a ser algo frustrante e desanimador.

A mecânica de batalha é bem simples. Por se tratar de um Bullet Heaven, seus disparos são automáticos – mas há a opção de deixá-los manuais – se os inimigos entrarem no seu raio de ação. Você possui apenas uma barra de vida e uma de escudo. Para que sua vida seja drenada é preciso que seu escudo caia. Porém ele possui recarga automática, facilitando assim a sua sobrevivência. Bom, ao menos nas primeiras fases…

Provavelmente a mecânica mais importante seja o dash. Ele é essencial para sua estratégia de sobrevivência, uma vez que a nave se move bem devagar e a exploração é recompensada. Não só isso, mas sem ele você não conseguirá se afastar dos inimigos para ganhar espaço e contra atacar.

Pilotando no espaço ou no gelo?

Se a progressão é um ponto alto, a movimentação da nave joga um balde de água fria na experiência. A física do jogo é, no mínimo, esquisita… Ela consegue ser travada e extremamente escorregadia ao mesmo tempo. A sensação constante é a de que a sua nave está deslizando no gelo, ela vira de menos e escorrega demais.

Se você se aventurar no teclado, a experiência é ainda pior! A movimentação lembra muito o clássico “controle tank“. Você precisa colocar para frente para a nave andar e só então rotacionar. Se apenas pressionar para o lado, a nave gira no próprio eixo sem sair do lugar. A título de comparação, a movimentação fica bem semelhante ao dos Resident Evil clássicos de PS1.

No controle, a movimentação até flui melhor, mas esbarra no problema da lentidão. Talvez proposital do jogo, por causa da mecânica de dash, mas essa vagarosidade excessiva é bem incômoda.

Por causa disso, o dash deixa de ser apenas uma mecânica de esquiva e passa a ser fundamental para a locomoção básica pela fase. Em níveis mais avançados, com mais inimigos e projéteis, tentar manobrar e contra-atacar nessas condições se torna uma tarefa bem frustrante.

Talvez um ponto um tanto quanto ambíguo seja seu “Bullet Heaven”, uma vez que o jogo não inunda a tela com os projéteis de sua nave. O que é bom por deixar o mapa mais clean (limpo) durante as batalhas e facilitando a identificação de inimigos e seus ataques, mas ao mesmo tempo, falta aquela loucura quase psicodélica na tela que costumamos ver em muitos jogos do gênero.

Lembra que eu disse que jogar no controle melhora a movimentação? Pois é, o problema é que a compatibilidade do jogo com o controle é péssima. Os comandos simplesmente param de funcionar do nada. Nos menus, a navegação de subir ou descer trava e o botão de confirmar não responde. Muitas vezes tive que movimentar o mouse, selecionar com ele o que desejava, para que o controle voltasse a responder logo depois. Testei com 2 controles diferentes, um da GameSir e outro do Xbox Series, ambos apresentaram os mesmos problemas.

Felizmente, durante a gameplay em si, esses apagões não aconteceram, mas existe um delay (atraso de resposta) bem perceptível que incomoda.

Para piorar a parte técnica, o jogo sofre com telas de loading demoradas. E aqui vai um aviso importante de qualidade de vida – ou a falta dela… O jogo não tem checkpoint no meio da partida. Se você precisar fechar o jogo por qualquer motivo durante uma run, já era. Você perde o progresso e precisa recomeçar tudo do zero! Sem a opção de voltar para o mapa ou para o início da fase em que estava.

Por mais que terminar o mapa galáctico não seja muito demorado, é inviável não ter um checkpoint no jogo para poder retomar sua partida depois. Imprevistos, emergências e até o pouco tempo para jogar fazem com que precisemos sair do jogo, ou por qualquer outro motivo que seja, e ter a segurança de voltar o mais próximo possível de onde estava, é algo que não pode faltar hoje em dia.

Infelizmente o jogo também não conta com suporte ao português, sendo o inglês o único idioma em que o jogo está disponível.

Em uma galáxia tão, tão distante…

De forma geral, Starforged Legacy é um jogo “Ok”. Ele não tenta reinventar a roda e não mostra nada de revolucionário, mas também tem certa personalidade para não cair na vala dos jogos genéricos. O sistema de progressão, as naves e a arte são bons pontos positivos, mas os problemas com controles e a física de movimentação desanimam um pouco. Vale lembrar que o título está em Acesso Antecipado, então existe uma grande margem (e esperança) para que a desenvolvedora corrija esses tropeços nas atualizações futuras.

O jogo foi analisado com uma chave digital cedida pela desenvolvedora via Keymailer.

Pontos positivos:
Design, estética e gráficos muito bonitos;
Trilha sonora boa que combina com a temática;
Bom sistema de progressão;
Curva de dificuldade boa.
Pontos negativos:
Movimentação escorregadia e travada;
Compatibilidade terrível com controle;
Controles estilo "tank" horríveis ao jogar no teclado;
Loadings demorados;
Ausência de checkpoints caso você feche o jogo sem completar uma run.
6.5