Análise – Resident Evil (2026)

O REVIL foi convidado pela Sony Pictures Brasil para assistir à prévia de Resident Evil (2026), dirigido pelo Zeca (Zach Cregger), no Shopping JK Iguatemi em São Paulo. Tive a oportunidade de prestigiar o evento e conferir como ficou o filme completo de forma antecipada, depois de uma prévia ao qual também estive presente em nome da comunidade.

Se você está se perguntando por que sou eu que tenho tido essas participações, eu explico. É porque eu sou cinéfilo? Jamais. É porque eu tenho um grande senso crítico? Irmão, eu gostei do remake de Resident Evil 3. É porque eu tenho os contatos com a Sony Pictures e com a Capcom? Esse é o Ricardo Andretto. A verdade é que eu sou o único membro do REVIL que mora em São Paulo. Então, como disse o Zagallo em 1997, “vocês vão ter que me engolir”.



Para iniciar a análise, gostaria de transcrever dois parágrafos da análise da prévia, para fins de comparação:

A primeira delas é que esse COM CERTEZA será o melhor filme de Resident Evil (em live-action). Por mais que eu ame as galhofas dos filmes da Milla Jovovich e até mesmo o acidente de carro que foi Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City, Resident Evil (2026) vem para ser o primeiro filme da franquia que você pode mostrar pra alguém que não é fã dos jogos e ter a chance dessa pessoa gostar do filme.

Acredito ser de extrema importância um filme com apelo geral para atingir uma camada maior dos telespectadores, a fim de conquistar mais fãs para a saga. A audiência pode começar com esse filme, e meses depois já estar jogando Resident Evil Revelations, questionando a presença recorrente do Leon S. Kennedy em quase todos os jogos, se o Chris Redfield é hétero ou não, e tudo mais que a fanbase gosta de falar.

Resident Evil (2026) é COM CERTEZA o melhor filme da franquia. Incomparável, francamente. É o filme perfeito para você mostrar para alguém que não conhece nossa amada franquia de jogos de forma a convencê-la a jogar. Ou um filme para ver com os amigos num sábado de tarde, com a absoluta paz de espírito de que será uma experiência desfrutável, em vez de perder seu tempo vendo o Tricolor Paulista ser eliminado pelo Boca Júniors na Sul-Americana (eu deixei de ver esse jogo para ver a prévia).

Quanto à estrutura do filme em si, peço perdão se faltar descrição técnica, visto que o diplomado em Cinema é nosso querido Fred Hiro, mas posso afirmar o seguinte: ação frenética a todo momento.

Desde o momento em que o protagonista carinhosamente apelidado como “drogadinho do Weapons (A Hora do Mal)” pega a bolsa de transporte de órgãos até o desfecho da história, você, como telespectador, pode esperar ação sem parar, uma quantidade saudável de jump scares e uma história amarrada com começo, meio e fim.

E ressalto “começo, meio e fim” porque revi recentemente o Resident Evil: Bem Vindo a Raccoon City com nosso querido amigo Nico do Resident Evil Project e se tem algo que eu detestei nesse filme foi a forma como as histórias foram divididas em plot A e plot B entre a mansão e a RPD, o que resultou numa trama que não sabia que história queria contar, que mensagem queria transmitir e que experiência queria entregar para o telespectador. Resident Evil (2026) não comete esse erro.

Zach Cregger sabia que história queria contar e nos entregou uma sequência de eventos conexa e coerente. Nosso protagonista tem uma missão clara, assim como o Leon S. Kennedy em Resident Evil 4, e não mede esforços para completá-la. Como todos os entregadores de aplicativo do nosso país, não há clima ruim, polícia, zumbis ou eventos imprevisíveis que o impedirão de realizar a sua entrega (ou será que sim?). Mas a pergunta que não quer calar: Resident Evil (2026) parece Resident Evil?

A pergunta evoca uma resposta pessoal. Com toda certeza, você, leitor, terá uma interpretação diferente da minha, mas, de toda forma, tenho que expor minha visão. Resident Evil (2026) NÃO parece um jogo de Resident Evil. Como suscitado pelo nosso colega Nico do Resident Evil Project, o filme parece ter sido escrito como um filme de terror genérico que foi nomeado de Resident Evil posteriormente, mesmo não sendo o caso.

Concedo que a progressão do protagonista lembra um pouco os jogos. Ele começa com uma pistola, progride para uma escopeta e uma metralhadora. Mas, fora isso, não tem nada além dos Easter Eggs que me lembra Resident Evil. Nem mesmo os monstros, salvo apenas um, em 90 minutos de filme.

Se há algum jogo que esse filme me lembrou, foi Left 4 Dead, pois conta com um nível de ação frenético, um protagonista que está correndo a todo momento e uma cidade completamente caótica e arruinada. E, francamente, poucos momentos de tensão. E digo poucos, para não dizer zero. É improvável que alguém assista esse filme e dizer que deu medo, que saiu no cinema com medo de ir dormir sem olhar debaixo da cama.

Então, como avaliar um filme de Resident Evil que é bom, mas é Resident Evil apenas em nome? O critério de avaliação tem de ser a diversão. A experiência. O entretenimento. E Resident Evil (2026) te entrega justamente isso. Noventa minutos de ação ininterrupta, algumas cenas de comédia, jump scares, um protagonista simpático e uma história bem amarrada.

E levando em consideração que não se trata de um jogo canônico, no qual nós devemos de fato ser mais exigentes, tanto pelo preço de 350 reais quanto pelo impacto que cada jogo novo tem na franquia, sugiro que aproveite o filme pelo que ele é, e não pelo que ele poderia ser.

Resident Evil (2026) estreia no dia 17 de setembro nos cinemas do Brasil.

Pontos positivos:
História coerente;
Protagonista simpático;
Ação frenética.
Pontos negativos:
Sem terror;
Não parece Resident Evil.
8.5