Muitas pessoas associam a criação de elementos icônicos de Resident Evil somente a Shinji Mikami, o idealizador da franquia de survival horror da Capcom. No entanto, nomes como o de Kenichi Iwao, que são raramente creditados, também são extremamente importantes para a história do primeiro jogo da série.

Iwao foi o roteirista do primeiro Resident Evil e responsável por estabelecer a origem de uma história de mais de duas décadas de existência.

Confira a seguir as principais ideias de Kenichi Iwao para o primeiro Resident Evil e como ele foi responsável por idealizar personagens icônicos e elementos que definiram a franquia.

Criação dos personagens: Jill, Chris e Wesker

O roteirista entrou para a equipe de desenvolvimento de Resident Evil quando o projeto já estava iniciado – e as coisas não iam muito bem.

Iwao conta os conceitos que “encontrou” nessa fase: “Não havia humanos no jogo, somente ciborgues! Deveria ser um jogo de terror, mas esses personagens no estilo ‘Exterminador do Futuro’ não eram nada assustadores”.

A partir daí, Iwao decidiu refazer os personagens totalmente do zero: “Comecei com um cientista louco que estava fazendo experimentos bizarros. Acabei refazendo personagens que acabaram tendo papéis importantes no jogo, como Chris, Jill e Wesker”.

Muitos fãs acham que a ressurreição de Albert Wesker foi uma desculpa esfarrapada para trazer o vilão de volta em Resident Evil CODE Veronica, mas este também foi um plano de Iwao. Ele sempre pensou em usar o personagem novamente no futuro, justamente porque “o T-vírus é capaz de reviver os mortos”, mas palavras do criador do personagem.

O roteirista também é responsável por colocar a Umbrella como a grande “vilã” da história e desenvolveu o conceito do T-vírus, que transformava humanos em zumbis.

Iwao também teve uma das ideias mais importantes e que passaram a definir Resident Evil: os files. Ele escreveu todos os arquivos e diários espalhados pelo jogo que, além de marcarem uma época, passaram a fazer parte de quase todos os jogos da franquia.

Recursos escassos

Munição contada? Também é uma ideia de Kenichi Iwao.

“Havia um jogo chamado ‘Alcazar: The Forgotten Fortress’ para o MSX, que serviu de inspiração. Haviam vários castelos no jogo, mas as masmorras que você explorava eram randômicas. Como resultado, a quantidade de itens que o jogador encontrava era extremamente limitada. Eu queria que Resident Evil tivesse ainda mais elementos parecidos com esse jogo, como usar minas e armadilhas nos zumbis, mas não pudemos fazer essas coisas por causa do cronograma apertado. Tecnologicamente falando, acho que era possível”.

Abertura em live-action: vergonhosa!

Iwao também comentou sobre a famigerada abertura em live-action do primeiro Resident Evil. A ideia foi de Shinji Mikami e foi uma saída para questões orçamentárias:

“Nós não tínhamos tempo ou dinheiro para usar CG na abertura, infelizmente. Todas as filmagens com os atores foram dirigidas pelo Mikami, enquanto eu escrevi as cenas e as falas. Eu não sei a origem dos atores usados para a abertura e dublagem, mas eu não gosto do fato que aqueles atores em particular tenham sido escalados”.

Iwao contou, ainda, que muitos dos membros da equipe de desenvolvimento ficaram envergonhados com o resultado final da cena de abertura.

Sucesso incerto

Kenichi Iwao também comentou o fato de os próprios criadores não colocarem muita fé em Resident Evil.

A equipe de desenvolvimento não achava que o jogo venderia tão bem quanto outros títulos da empresa: “Enquanto fazíamos o jogo, achamos que ele parecia muito ‘barato’. Quer dizer, a gente achava que era assustador, mas não tínhamos certeza se as pessoas iam pensar assim e, mesmo que pensassem, será que elas iam querer comprar um jogo de terror? Será que era um gênero viável?”

Inspirações

Iwao foi bastante inspirado pelos gamebooks “Aventuras Fantásticas” de Ian Livingstone e Steve Jackson. Estes livros trazem páginas de histórias contadas em um formato semelhante ao de RPGs, em que o jogador precisa solucionar enigmas e tomar decisões que determinavam os rumos da trama. Muitos desses livros foram publicados no Brasil pelas editoras Marques Saraiva e, mais recentemente, pela Jambô.

O roteirista conta que desejava incorporar o mesmo sentimento destes livros em Resident Evil. Uma das cenas do jogo, em que Jill ouve Wesker e Barry conversando atrás de uma porta, foi tirada de um dos livros.

Fonte: Gaming.moe, Via Biohaze.

  • Eva4Ever#ThankYouEva

    Essa conversa do Wesker voltar no CV sempre fez sentido, pq na versão japonesa quando o corpo do Wesker é examinado diz que ele estava inconsciente ao invés de morto.
    “Deveria ser um jogo de terror, mas esses personagens no estilo ‘Exterminador do Futuro’ não era nada assustador”.
    Pode entrar RE6 kkkkkkkkk

    • SLCopetti

      “Essa conversa do Wesker voltar no CV sempre fez sentido”
      Até onde eu sabia, RE1 foi feito para acabar ali e pronto. Até as alegações do cara aí do texto confirmam isso. Claro que podia ter passado pela cabeça dele de que talvez, quem sabe, se um dia, fizesse uma continuação de o wesker voltar, mas duvido muito que tenha sido algo planejado como citado no texto.

      • Hunk

        Na verdade eu acredito que esse negócio deles pensarem na franquia acabar ali mesmo foi puro pessimismo, não a real vontade dos criadores. Isso é algo que eu sempre suspeitei, porque se você for ver o RE1 sempre teve muita backstory e uma conspiração não resolvida que, se acabasse ali, seria desperdiçada, assim como a situação controversa do Wesker, porque da forma como ele “morreu” no jogo original eu nunca acreditei que eles não planejassem seu retorno desde o início. Tudo se encaixa perfeitamente, e este texto só evidencia isso, os produtores não botavam fé que faria sucesso, e daí surgiu esse papo de que não pensavam em continuar a franquia, mas em oposição a isso o primeiro jogo sempre teve a cara de que ainda tinha muito mais a ser resolvido depois da fuga dos sobreviventes dos STARS, e a declaração de que tinham planos pro retorno do Wesker desde o começo praticamente confirma isso, pelo menos é assim que eu enxergo a situação.

      • Eva4Ever#ThankYouEva

        Então mas o que eu quero dizer é que o fato da versão da japonesa do jogo deixar claro que ele está inconsciente ao invés de morto não torna o retorno dele no CV tão bizarro igual a maioria dos fãs haviam achado na época.

      • Luis Felipe Soares

        Acho que nenhuma empresa lança um jogo novo já se preparando pra fazer o próximo. Eles precisam primeiramente ver se será um sucesso ou não para aí então decidir em fazer um próximo, ou seja, eles fizeram um jogo que poderia ser terminado ali mesmo, mas deixaram um gancho (no caso o Wesker) caso fossem fazer um próximo. Isso é muito feito hoje em dia, não só em jogos, mas também em filmes, por exemplo.

        • Hunk

          Deve ser por aí mesmo, essas afirmações de que o jogo estava sendo feito sem pensar em continuação muitas vezes não significam exatamente o que as pessoas pensam. É só uma forma de dizer que o sucesso do jogo tem que ser avaliado antes de confirmar se terá continuação, o que é perfeitamente plausível pra uma franquia nova, especialmente uma que testava conceitos que ninguém ainda sabia se daria certo, mas pelos próprios ganchos deixados no RE1 já dá pra ver que os produtores se prepararam pra possibilidade de seguir adiante.

  • Lampião

    Falam tanto mal da abertura filmada mas eu, quando via, pirava demais. Quem vinha ali do snes e via esse filme e depois ia para o jogo em 3d ficava muito impactado… pelo menos eu era assim.

  • LucasGabriel

    Mano do céu até os criadores do jogo tiveram vergonha da própria intro do jogo que eles criaram kkkkkkkkkkkkkkk

    • Hunk

      Sei lá, acho que na época podia ser visto como vergonha, mas hoje em dia na era dos memes é puro ouro. Eu sempre que tinha a chance mostrava essa cutscene pros amigos na versão de PSP (PS1 Classics) do jogo, muitos nem conheciam RE, mas não teve um que não tivesse apreciado a comédia pura.

  • Blizza

    Eternos Voice Overs do RE original, só poesia

  • Victor Maciel

    Só eu que curtia essa abertura? : /

    • Hunk

      Tem um charme indiscutível mesmo. Canonicamente é bom que a versão do Remake, muito mais bem feita e utilizando CG, assumiu o lugar da antiga, mas que fã de RE não aprecia o charme tosco da abertura clássica? O resto da dublagem não é exceção, assim como a abertura é bom que a versão séria do Remake substituiu no canon, mas as falas clássicas são memoráveis e uma parte muito legal da história desta franquia. Isso é algo muito bom do RE1, esse jogo fez muita coisa bem, mas até o que fez mal é ouro puro.

    • Jorge Lopes

      Eu de fato, assumo, que sempre curti e na época em que lançou todo mundo pagava pau porque era tido como o futuro dos games.

    • SLCopetti

      Não cara, não era só tu na época. Sempre achei demais essa abertura, mesmo conhecendo o Resident Evil 2 primeiro. Inclusive achei mais surpreendente ainda por conhecer depois.

    • Kyle Reese

      Eu também curtia (na verdade ainda curto) a abertura em live action. Aquela Jill era muito bonita. O Chris e Wesker tinham cara de atores pornográficos, mas tá beleza. O Barry achei foda. A Rebecca meio esquisitinha. O Joseph não sei nem o que dizer.

  • Hugo

    Show de bola.
    Quando ouço ou vejo o título “Resident Evil”, lembro primeiramente do 1° jogo que foi oque me apresentou a série e oque mais me traz lembranças até hoje seguido do 3 e depois o 2.

  • Fabricio Barbosa

    Resident Evil, como os próprios desenvolvedores alegaram, fez sucesso por acaso. Não era esperado que virasse esse estardalhaço todo. Mas será que isso tbm não é pessimismo e um pouco de complexo de vira-latas?

    Houve uma evolução gritante do SNES para o PS1. Motivo? A partir de 1996 começou a se viabilizar a criação de jogos em 3d nos consoles, e isso foi muito responsável pela mudança da percepção dos jogadores em relação ao conteúdo. Pela primeira vez havia jogos com gráficos totalmente digitalizados, em 3 dimensões, com gama de cores mais ricas, live-action (sim, hoje pode parecer risível, mas eu achava incrível lá em 1997 ter “atores de cinema nos joguinhos”), além de um trabalho de som muito mais apurado que as musiquinhas eletrônicas (porém maravilhosas e inesquecíveis) da época do 8 e 16 bits. A percepção mudou, a forma como encarávamos a aventura que estava na tela sofreu uma transformação, e Resident Evil foi um dos responsáveis por essa corrente em sua área.

    Entendo que havia jogos em 3d que vieram antes de Resident Evil que já se valiam disso, como Alone in the Dark, Time Commando, Perfect Weapon, Crash Bandicoot, mas ora… Falávamos de um jogo de temática macabra, diálogos gravados com atores reais, cenários totalmente digitalizados e fiéis aos de uma casa assombrada, opressão, e uma música que mesclava totalmente com a proposta raiz. Pode ser tosco hoje? Sim, mas na época era incrível, impressionante, pois JAMAIS HAVÍAMOS VISTO ALGO PARECIDO E FEITO DE TAL JEITO. Não é a toa que, a partir disso houve uma revolução na criação dos jogos de videogame, a qual a franquia foi bastante responsável por consolidar mudanças e diretrizes. E a própria série não ficou estagnada, muito pelo contrário: Evoluiu, tanto com sua história, quanto com seus personagens e sua ambientação.

    A CAPCOM deve se orgulhar muito de Resident Evil 1, tal como George Lucas deve se orgulhar, por exemplo, com seu “Uma Nova Esperança”: Talvez tosco nos dias de hoje, mas um fenômeno revolucionário quando lançado, criador de tendências e que merece todo respeito.

    • LucasGabriel

      Realmente, os jogos e os filmes são mais “idolatrados” depois de um bom tempo depois de serem lançados. Daqui a 10 anos provavelmente RE7 já vai ser considerado um grande jogo por boa parte da comunidade de RE.

      • SLCopetti

        Não.

        • LucasGabriel

          S.

      • Fabricio Barbosa

        Isso depende muito. A idolatria vem porque se leva em consideração a estrada percorrida pela franquia e as mudanças feitas por ela ao longo dos anos para efeito comparativo (ex.: RE1 não seria nada nos dias de hj se a CAPCOM não mudasse as mecânicas/gráficos da franquia ao longo do tempo). Mas não são todos os jogos que envelhecem bem como o vinho, porque a qualidade tbm é um fator que deve ser considerado.

        RE5 não figura como um de meus favoritos da franquia mas sei que é um ótimo jogo, com bons gráficos, boa mecânica e sobretudo uma identidade (e eu admiro muito o Jun Takeuchi chegar, abrir o peito e dizer que o jogo seria voltado pra ação). Diferente de RE6 ou Umbrella Corps, que é a parte do passado questionável e condenável da CAPCOM.

        Dead Aim tbm não é o cocô do cavalo do bandido, mas tbm não é visto como um clássico ou um divisor de águas. Resident Evil 1 pode ter seus defeitos se comparados a hoje, mas foi uma INOVAÇÃO, uma revolução (diante de muitos aspectos que ele apresentou), então ele sempre terá seu lugarzinho lá no pedestal.

        RE1 é como o primeiro beijo: Pode ele ter sido dado com aquele garoto/garota feio(a): A gente nunca esquece! 😀

    • Daniel

      É um tosco que a gente gosta e respeita.

      • Fabricio Barbosa

        Respeitamos porque, além de ser pioneiro, nós tbm fizemos parte dele quando tudo começou. Pergunte a qualquer pessoa que conheceu a franquia de RE4 ou 5 pra cá, se tem a mesma consideração por RE1 que nós?

        Sou de 86, se vc me perguntar se gosto de National Kid, vou dizer que acho uma bagaceira tosca. Mas meu irmão que é de 62 idolatra. Mas se vc perguntar pra um camarada de 18 anos o que ele acha de Jaspion, vai dar risada de vc… Mas eu, por exemplo, acho foda até hoje.

        Sacou? RE1 pra mim não é só o pioneiro da franquia, mas eu tenho esse carinho porque eu tbm fui contemporâneo dele (ou da criação da câmera fixa), na época que esse estilo era uma novidade absurda jamais vista.

        • Hunk

          Comecei pelo RE4, entendo o que você quer dizer, mas não acho que o ponto de partida de uma pessoa precisa definir o que ela gosta na franquia, ou melhor, sei que não precisa. Também gosto muito dessa abertura do RE1, assim como do resto do RE1 inteiro, por mais tosco e ultrapassado que seja tem um charme bem bacana exatamente por isso. Não acho que o que você falou não tenha um fundo de verdade, até porque eu também compartilho sua opinião sobre National Kid, enquanto que meus pais adoravam, mas esse tipo de coisa não é exatamente uma regra (com certeza há uma tendência relacionada a isso, mas não algo inquebrável). Na época que o RE1 lançou eu ainda estava pra nascer mais tarde no mesmo ano, e só depois de mais de uma década o joguei, mas esse charme bem old school é exatamente um dos maiores atrativos da versão original do jogo, que me faz jogá-la até hoje, mesmo com o Remake maravilhoso já em minhas mãos.

  • Kyle Reese

    Off topic: não estou conseguir acessar o post do Resident Evil para Mega Drive. Eu recebo uma mensagem de “Error”. Mais alguém com o mesmo problema?

    • Hunk

      Não sei se você ainda está com esse problema, mas testei aqui e abriu tranquilamente.

      • Kyle Reese

        Valeu. Eu consegui acessar um pouco após o meu post.

  • Kyle Reese

    Resident Evil 1 teve uma dublagem japonesa cancelada. Vejam:
    https://www.youtube.com/watch?v=LNUYi9KeXw8

    Mikami decidiu retirar a dublagem japonesa, pois segundo ele não ficaria natural para personagens americanos falarem japonês. Eu achei que algumas vozes ficaram estranhas (a voz de Jill soa infantil) e outras boas (a do narrador).

    • Hunk

      Eu até entendo de onde ele tirou essa ideia, afinal mesmo sendo um jogo japonês se passa nos Estados Unidos, mas se o Mikami acha que a dublagem americana pareceu natural então tem algo de errado com ele.

  • Luis Felipe Soares

    Eu já sabia desses fatos, e pensar que se Kenichi Iwao não tivesse intervido talvez Resident Evil teria morrido logo no primeiro jogo.

  • Thiago Gonçalves

    Iwao deu rumo a RE, criou praticamente o “sentido” do jogo, itens escassos, personagens marcantes, trama e subtramas(os files) envolventes, Capcom deveria tentar trazer o cara de volta pra franquia, quem sabe sai algo de bom daí.

%d blogueiros gostam disto: