Monster Hunter Wilds está entre nós. O novo jogo da série de RPG de caçadas da Capcom é a grande aposta da desenvolvedora para o ano de 2025, trazendo até aqui o maior jogo da franquia em tamanho e também ambição, vindo com algumas mudanças e diversas novidades. Tive a oportunidade de jogar antecipadamente e conto aqui no REVIL tudo que você pode esperar dessa nova aventura.
Pode não parecer, mas Monster Hunter é uma série tão antiga quanto outras da Capcom, como Devil May Cry e Onimusha, tendo seu primeiro jogo sido lançado em 2004, no PlayStation 2. Apesar de ser uma franquia com mais de 20 anos de estrada, Monster Hunter só foi ficar popular aqui no ocidente a partir de Monster Hunter: World (2018). No Japão, a série se tornou uma febre desde o seu primeiro jogo, já que trazia uma proposta de jogabilidade no qual precisávamos caçar monstros gigantes para forjar armaduras e armas mais fortes com seus materiais e, assim, caçar monstros cada vez mais fortes. Existem armaduras e armas próprias para diferentes tipos de caçadas, fazendo com que os jogadores precisem ter equipamentos variados para todo tipo de situação. A série chegou a ser comparada a Pokémon e ficou ainda mais popular quando chegou ao PSP e posteriormente ao Nintendo 3Ds, mas sem repetir o mesmo sucesso fora do Japão, até a chegada de World, que hoje é o jogo mais vendido da desenvolvedora.
Wilds chega como um verdadeiro sucessor de World, já que no meio do caminho tivemos Monster Hunter Rise, um capítulo menos ambicioso para o Nintendo Switch, que até ganhou versões para outras plataformas, sendo um excelente jogo, mas com uma proposta bem diferente do capítulo de 2018.
Em Wilds, nós assumimos o papel de um caçador ou caçadora que faz parte de uma expedição para as Terras Proibidas, local não explorado pela Guilda dos Caçadores. O primeiro grupo de pesquisadores que chega lá encontra um menino nativo dessa região caído no deserto. Se tratava de Nata, um garoto que teve sua vila atacada por um monstro desconhecido. A missão do jogador, além de estudar os monstros da região, envolve também ajudar Nata a encontrar seu povo e desvendar o mistério que cerca o monstro desconhecido. Apesar do foco não estar na narrativa, desde World os desenvolvedores tentam emplacá-las melhor desenvolvidas no mundo de Monster Hunter. De forma muito surpreendente, Monster Hunter Wilds consegue apresentar uma história convincente, ainda que simples, mas muito competente ao mostrar regiões e monstros através da narrativa.

A grande maioria dos primeiros encontros com as criaturas são pela campanha do jogo, com momentos de tirar o fôlego e com apresentações em cutscenes muito bem feitas. Os personagens de apoio são bem carismáticos e o mundo está muito bem construído, fazendo da narrativa algo bem agradável. Mesmo que não seja o foco do jogo, é bem melhor se comparado com os anteriores. Tudo isso fica ainda significativo com o fato de que agora temos um Monster Hunter totalmente dublado em português do Brasil. A Capcom já vinha fazendo um ótimo trabalho nesse aspecto com Resident Evil Village e Resident Evil 4. A qualidade se mantém com Wilds. É inclusive um tanto quanto emocionante ver a série ter este tratamento no Brasil, já que até um passado não tão distante, pensar na possibilidade de um jogo da franquia dublado era praticamente impossível.
Além dessa novidade que afeta o público brasileiro de forma positiva, Monster Hunter Wilds vem com muitas outras no pacote, transformando a forma de se jogar a série. Agora, Monster Hunter se tornou um jogo de mundo aberto, ou algo muito próximo disso. Os acampamentos são menores e acessíveis através do mapa, podendo os jogadores saírem de lá para uma caçada ou exploração sem precisar passar por uma tela de loading para trocar de área. Você pode chamar sua montaria, explorar o mapa para coletar itens, caçar um monstro e voltar para procurar mais itens. Também existe a possibilidade de montar tendas em pontos específicos para recuperar certos status ou trocar de equipamentos, tudo em tempo real. Os mapas têm uma variedade muito grande de biomas, indo de montanhas rochosas, desertos, florestas densas e muitos outros. A Capcom caprichou nesse mundo, sendo bem cativante e gostoso de explorar por diversas horas, com um conteúdo enorme para experienciar.
Outra grande novidade do jogo é poder carregar uma arma primeira e uma secundária consigo, sem a necessidade de voltar a uma tenda ou no acampamento. Basta chamar sua montaria e fazer a troca. Isso tudo deixa o jogo muito mais dinâmico e menos burocrático, tornando o ciclo de gameplay muito mais fluído e prazeroso de se jogar. A Capcom com certeza ouviu o feedback dos jogadores ao longo dos anos e resolveu uma grandes queixas de World, que era justamente sua burocracia exagerada em alguns segmentos do jogo. Particularmente falando, eu senti as horas passarem muito mais rápidas jogando o novo título, porque o ato de jogar é muito mais dinamizado e descomplicado, me incentivando a ter sessões mais longas de jogatina, sendo ainda mais divertido do que normalmente é. A série é feita de momentos de repetições, onde precisamos caçar os monstros mais de uma vez. É algo que também vai agradar novatos.
Algumas novidades menores também são muito bem-vindas e são detalhes que fazem toda a diferença. Nosso Amigato, gatinho parceiro de suporte durante as caçadas, é muito mais útil que nos jogos anteriores, servindo não só de distração para os monstros, mas também nos curando com mais assertividade e usando itens diferentes como antídotos para venenos com mais agilidade. A Ferreira, uma personagem recorrente na trama, também dá dicas de quais armas e armaduras podem serem forjadas com os materiais disponíveis, algo que é uma mão na roda para novos jogadores que ainda não estão acostumados com o funcionamento de Monster Hunter. Agora também vemos os pontos fracos dos inimigos com mais clareza e podemos usar o cenário com maior variedade nas lutas, aumentando o leque de opções de combate e sendo bastante útil nas lutas. São pequenos detalhes e melhorias que parecem simples, mas no conjunto da obra são muito úteis e reforçam ainda mais a enorme acessibilidade desse novo jogo. Wilds se torna o jogo mais indicado para conhecer a série, algo que com toda certeza a Capcom teve como foco durante o desenvolvimento, já que a ideia é expandir ainda mais sua comunidade de jogadores.
Para aqueles que forem jogar em grupo, os servidores estão funcionando muito bem, sem nenhum tipo de problema. Você pode chamar seus amigos ou solicitar a ajuda de qualquer um dos jogadores presentes no mesmo lobby que você, de qualquer parte do mundo. É possível jogar com pessoas do outro lado do planeta, como no Japão, sem nenhum tipo de lag. Agora também podemos jogar o jogo com amigos que possuem uma plataforma diferente da nossa, já que a Capcom adicionou o crossplay em Monster Hunter Wilds, algo muito solicitado pelos fãs desde World.
Nada disso funcionaria sem os monstros, as estrelas da série. As criaturas exalam criatividade visual desde o jogo original e existe um cuidado gigantesco para que todas sejam únicas à sua própria maneira, desde de movimentação a como se portam em batalhas. Mais uma vez, essa tradição foi mantida, com monstros clássicos aparecendo com toda sua glória e os novos fazendo excelentes estreias. Algumas batalhas são espetaculares, com escalas gigantescas e que vão te fazer vibrar enquanto joga. Em vários momentos, a batalha e a descoberta de um novo monstro desconhecido me deixava impressionado. Durante o jogo, isso se potencializava ainda mais com as mudanças climáticas que acontecem nas lutas, como chuvas intensas e tempestades de areia, adicionando uma camada a mais de estratégia nas batalhas. O primeiro Monster Hunter com a tecnologia RE Engine mostra um jogo lindo.
Os fãs que durante a beta ficaram preocupados com o visual do jogo e seu desempenho podem ficar despreocupados, pois a diferença é enorme. No PlayStation 5, onde eu joguei, nós temos três modos gráficos: Qualidade, onde o jogo vai rodar na maior resolução possível a 30 FPS; Equilibrada, que tenta manter uma boa taxa de quadros e uma resolução ainda alta, oferecendo algo próximo aos 4K, mas em 40/45 FPS; Desempenho, com uma resolução menor, mas a 60 FPS. A maior parte da minha experiência foi no modo Equilibrado. No entanto, ao passar para o Desempenho, tive uma grata surpresa ao ver este modo com uma resolução bem melhor que a da beta rodando a 60FPS. Certamente, é o modo que eu mais recomendo, já que o game roda de uma forma mais suave e contínua, com uma excelente resolução e ótimos visuais. Durante toda a minha jogatina, tive zero problemas com glitches e bugs, fazendo de Wilds um jogo que vem com um desempenho muito melhor que o de Dragon’s Dogma 2, que sofreu críticas em 2024.
Monster Hunter Wilds é um jogo que eu esperei muito. Coloquei grandes expectativas, que foram superadas mais uma vez. O novo capítulo é um frescor magnífico para a franquia, com novidades extremamente bem-vindas, renovando a série de uma forma inteligente e com dublagem em português do Brasil. É um jogo que vai agradar veteranos e novatos, com um dos visuais mais lindos dessa geração, conteúdo massivo e um mundo aberto que funciona muito bem e longe das convenções da indústria nesse segmento. Se você nunca jogou um Monster Hunter, esse é o melhor momento para conhecer essa joia que cresce cada vez mais a cada título, além de termos aqui um dos grandes candidatos a jogo do ano de 2025.
Wilds estará disponível no dia 28 de fevereiro para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC via Steam.
O jogo foi analisado com uma chave digital cedida pela Capcom Brasil.