A série Devil May Cry está em alta por conta de uma abordagem em anime na Netflix. Isso impulsionou as vendas do Devil May Cry 5 original, que já foi lançado inicialmente em 2019 e relançado em 2020 com uma versão Special Edition, novos recursos e Vergil jogável. Desta vez, uma versão mais completa do jogo chega ao Nintendo Switch 2, com todos os adicionais inclusos Deluxe das outras plataformas, além dos upgrades.
O mais recente jogo do Switch 2 ganhou um nome parrudo: Devil May Cry 5 Devil Hunter Edition. O nome diferencia o produto dos outros já lançados por ser o que tem de tudo, além de incorporar a portabilidade de um Nintendo. O jogo continua o mesmo e fica quase definitivo a qualquer um que decida se aventurar na caçada aos demônios.
Impacto inicial
Antes de iniciar Devil May Cry 5 é preciso se ater a uma série de configurações. Além disso, a Capcom se esforçou para mostrar que essa é uma versão parruda do jogo, ao indicar todos os adicionais, um a um, saltando na tela. Achei um pouco desnecessário em especial para um novo jogador que talvez não entenda nada dos elementos da série. E tudo bem o título ter todas essas perfumarias, mas dá uma atrapalhada no que realmente interessa: jogar. Uma tela única listando todos os adicionais já resolveria.
A Capcom alerta das configurações da tela e da importância de campos de visão, mas fui juvenil e não alterei nenhuma das preferências de início. Resultado? O jogo ficou muito escuro e precisei alterar o brilho. Então, a dica que eu deixo: prestem atenção nas configurações iniciais, pois elas são necessárias e a intenção é deixar a visão mais confortável de modo a agradar quem vai jogar, se com tons escuros, ou com uma visão clara.
Iniciei minha jornada no modo portátil do Nintendo Switch 2 justamente para entender se a experiência seria adequada dessa maneira – e foi. Ter um grande Devil May Cry de fácil acesso é algo que não se daria para imaginar há alguns anos, mas isso foi possível graças ao poder do motor de desenvolvimento RE Engine. Todos os elementos do jogo estão lá, perceptíveis ao olho do jogador, mas há momentos em que considerei que deveria continuar a aventura em uma tela maior.
Devil May Cry 5 não foi feito para uma tela portátil e sim para telas maiores, tal como Resident Evil Revelations foi projetado (e se encaixa mais) na tela do Nintendo 3DS do que em videogames modernos ao meu ver, mas isso não afeta o jogo. A única diferença está na questão de percepção, mas se isso te incomodar, jogue com o console via dock e seja feliz, ou leve e inicie em qualquer lugar.
Confabulando sobre Devil May Cry
Não tive a experiência Special Edition, tampouco Deluxe ou + Vergil, ou ainda de nova geração com Devil May Cry 5. Joguei pela primeira vez no Xbox One, mas segui em frente com outros jogos e assuntos. Me vi tentado a jogar novamente com o Devil May Cry da Netflix e com o lançamento para Nintendo Switch 2. Voltar a controlar personagens desse universo sombrio me deu gatilhos gostosos de outras eras dos videogames, devido a festa completa com os irmãos Dante e Vergil, além de agregados do caminho deles.
Os gatilhos vêm diretamente para quem acompanhou a evolução da série desde o início. Devil May Cry era para ter sido um Resident Evil e esteve entre as experimentações de Resident Evil 4 (2005), então no REVIL sempre tive um carinho pelo jogo. Joguei em locadora Devil May Cry, passei pelos dois discos de Devil May Cry 2, caminhei com Vergil em Devil May Cry 3 e conheci Nero em Devil May Cry 4. Foi uma transição de eras, do PlayStation 2 ao PlayStation 4, até que mudei para um Xbox e, hoje, um Nintendo. Devil May Cry 5 evoluiu toda a fórmula para públicos mais exigentes e não é à toa que hoje se vende como e é um grande jogo.
O quinto jogo numerado pode ser jogado com ou sem o conhecimento do passado da série – mas fica ainda melhor para quem conhece a história. Nero e Nico são formidáveis como uma dupla. Sinto que a Capcom na medida que envelheceu Dante, um humano/demônio, apresentou Nero para continuar o seu legado do mesmo jeitinho debochado. Os dois têm uma ligação, de certa forma. Começou em Devil May Cry 4 e ganhou tom de revelação no jogo seguinte, mas paro por aqui para não dar spoilers.
Lady e Trish complementam Dante, mas são basicamente acompanhantes. Vergil aparece na capa do jogo e segue com a sua própria razão. V é uma adição na série, mas é algo que deixo para que o jogador descubra o que está por trás dele. Dica: tudo gira em torno da Yamato.
Jogando e experimentando
Devil May Cry 5 tem uma das melhores cenas de abertura, se equiparando com as dos dois Resident Evil Outbreak, com os créditos aparecendo e o jogo sendo introduzindo enquanto uma trilha impactante rola. É um pecado pular, pois é de arrepiar o Devil Trigger de qualquer um.
Ao jogar em si, não há muito segredo: é meter porrada em tudo que aparece na frente. Socos, chutes, espadas, armas de fogo e até invocações de demônios ajudantes estão presentes com os personagens. Jogar com Nero é prazeroso e é uma das formas menos confusas possíveis. Com V é ao mesmo tempo um desafio e um tédio, isso porque você não é o responsável por atacar diretamente os inimigos, e sim as suas invocações. Como resultado, você só finaliza o combate depois de observar a coisa toda acontecendo meio de longe. É bem fácil passar pelos cenários com V.
Agora, jogar com Dante é legal pelo passado, mas retornando a esse jogo em 2026, confesso que dá para entender que o personagem ficou datado. Há várias configurações de jogo para Dante e algumas delas mais me atrapalharam do que auxiliaram. Quando em modo portátil do Nintendo Switch 2, é fácil se atrapalhar com os controles (pequenos para as mãos de um homem de 2 metros e suas proporções), resultando em trocas de habilidades sem intenção no meio da batalha pela posição dos botões – é possível, no entanto, evitar isso com um Controle Pro.
Fiz aprimoramentos em todos os personagens durante o jogo. É importante ter Nico aparecendo em lugares com o seu veículo ou consultar as estátuas para aumentar as opções de ataque e provocações. A Capcom criou um mercador ao longo de vários de seus títulos, algo que não precisa fazer lógica, mas que dá ao jogador um motivo para buscar recursos e fazer trocas – no caso aqui, orbes.
Devil May Cry 5 vai do improvável ao impossível bem rapidamente. É um jogo bom e acessível para qualquer momento, mas que ao mesmo tempo carrega uma história que se aprofundou e ganhou mais seguidores. Para quem ainda não tinha jogado nenhum e passou a conhecer pela série de TV da Netflix, vejo que DMC5 é o mais adequado para se iniciar a jornada. O passado com a mãe de Dante e Vergil está no jogo tal como na série de TV, mas a visão da Netflix é alternativa e não canônica – é bom que isso fique bem claro.
Concluindo no Switch 2
Devil May Cry 5 Devil Hunter Edition é a versão quase definitiva pelo conteúdo e por dar a oportunidade de acesso em qualquer lugar. Tenho filhos pequenos, e a recomendação de jogo é para maiores de 16 anos, então jogar em tela grande não foi possível na maior parte das vezes no meu ambiente familiar para não expor a violência. Conciliei o jogo em algumas convivências, com a tela portátil do Switch 2 fora do campo de visão das crianças, além de aproveitar em outros momentos com o videogame no dock.
A história do jogo passa a fazer sentido se o jogador desassociar as consequências do caos que os filhos de Sparda provocam por onde passam. Falando nisso, novos modos e a dificuldade adicional, Son of Sparda, tornam a experiência ainda maior. Um dos diferenciais da Special Edition, e que está nessa Devil Hunter Edition, é a presença de Vergil jogável, mas o personagem é puro fanservice. A tela de abertura inclusive muda ao começar (ou recomeçar) a jornada com ele.
Os adicionais, entre eles cenas em live action, alteração de músicas de batalha e cor de roupas são perfumarias que particularmente não faço muita questão. As missões secretas e o desafios do Palácio Sangrento (Bloody Palace) compensam nisso de voltar a jogar por diversão despretensiosa. Não fico contando pixels em tela como uns por aí, e sei de toda a polêmica das redes sociais envolvendo os cabelos de personagens em outros grandes jogos para Nintendo Switch 2 apresentados pela Capcom. Nesta versão de Devil May Cry 5, talvez as pessoas se incomodem com o cabelo de Trish, mas nada além de algo estético.
Faltou para Devil May Cry 5 ser definitivo: dublagem em português do Brasil. Sempre bato na tecla da acessibilidade ao público brasileiro, e dado a popularidade recente com a série da Netflix, a Capcom poderia ter considerado chegar a mais públicos com vozes locais, algo que vejo como oportunidade perdida também a outros países. Oficialmente, Dante e companhia falam inglês ou japonês.
Devil May Cry 5 Devil Hunter Edition foi analisado com uma chave digital cedida pela Capcom Brasil.














