O sucesso estrondoso de Resident Evil 5 e alguns motivos para esse legado

Resident Evil 5 foi destronado após anos como o mais comercializado da série. Após mais de uma década, Resident Evil 2 (2019) agora é quem detém esse posto. Mas afinal, o que fez Resident Evil 5 ser um sucesso absoluto desde 2009? A resposta está em diversos fatores, alguns nostálgicos, outros técnicos e até mesmo de marketing, além do famoso “boca a boca” dos fãs.

RE5 vendeu 19,01 milhões de unidades mundialmente, segundo dados oficiais da Capcom até março de 2026 (via Platinum Titles). O jogo chegou a ter 4 milhões de unidades enviadas às lojas no início de sua era e isso representou uma marca histórica, sendo ele o primeiro jogo da franquia a alcançar Mas como o jogo chegou a esse número?



Olhando para o ponto da história de Resident Evil, Resident Evil 4 chegou ao mercado em 2005 mudando TODO o rumo do mundo dos jogos e, em 4 anos, era meio difícil fazer outra virada de chave. Então, o que a Capcom fez? Jogou seguro. Pegou seus dois protagonistas principais, Chris Redfield e Jill Valentine, e os colocou de volta nos holofotes, mas de um jeito diferente: o marketing trazia uma lápide da nossa supercop Jill. Como assim, a Jill morreu? Pegou seus fãs de surpresa!

Arte via pinterest.com/matthewgilkison/resident-evil

Jill é, ao lado de Lara Croft, uma das personagens femininas mais amadas. Ambas surgiram em meados dos anos 90. Elas são o pilar da paixão de muitos por jogos. Aí, pegue o pilar e destrua-o; você vai fazer sua casa tremer. Nesse caso, chame a atenção dos seus jogadores. Eles querem saber por que sua personagem favorita morreu. E aqui temos parte da resposta à nossa pergunta. A nostalgia e curiosidade pegaram os fãs aqui.

Ainda existe o crucial, Resident Evil 5 tem uma gama enorme de vilões, e aqui eu não estou falando de inimigos que você elimina durante o jogo, não estou falando de B.O.W.s, estou falando dos vilões que fazem a trama andar, temos Ricardo Irving, que apesar de fraco carrega o primeiro ato do jogo com uma maravilhosa mestria. Temos Excella Gionne, que tirando Alex Wesker do Resident Evil Revelations 2 é a única vilã que realmente exala uma energia de vilã na franquia e temos ele, claro, o maior de todos: Albert Wesker, o vilão mais icônico de toda a franquia se não do mundo dos jogos. Além disso, temos Chris, Jill e Wesker numa história que fecharia um ciclo? Se isso aqui não é um jogo épico, eu não sei o que é.

Outro ponto importante: acessibilidade. Todo mundo sabe que o PS3, apesar de ser brilhante, teve seus problemas técnicos, o que fez com que o Xbox 360 brilhasse mais nessa época. Resident Evil 5 teve até versão temática para Xbox, e não estamos falando apenas de uma mídia especial; estamos falando de um console temático, controle e tudo mais. RE5 reinou no Xbox. E sim, meu sonho é um remake repetindo esse feito, mas isso é outra conversa.

Aqui temos outro ponto desse sucesso: a Capcom soube trabalhar com o marketing no lugar certo, quase uma coisa parecida com o que ela vem fazendo com seus jogos em todas as plataformas atuais. Mas só marketing não vende. Tivemos conteúdos adicionais. E aqui, meus amigos, é, com certeza, a razão do sucesso de RE5. Temos duas DLCs, e ambas são protagonizadas por ela, Jill Valentine. Eu sei que tem o Chris e o Josh, mas quem brilha aqui é a Jill. E, mesmo assim, é um jogo que você pode jogar com seus amigos com Chris e Jill como personagens jogáveis? Puro suco do entretenimento.

Resident Evil 5 também teve polêmica. E o ser humano ama uma polêmica, não é? Ele ficou envolvido em acusações de racismo. E EU NÃO ESTOU DIZENDO QUE O RACISMO VENDEU O JOGO, OU QUE QUEM JOGA RESIDENT EVIL 5 É RACISTA. Mas a polêmica manteve o jogo vivo na boca do povo. A Capcom até mudou parte da ideia inicial do jogo para evitar as acusações. Mas, novamente, manter seu jogo na boca do povo é uma forma de vendê-lo.

E, para finalizar, o que, na minha opinião, é um dos fatores que mais fizeram Resident Evil ser um sucesso: o Co-op. Resident Evil 5 foi o primeiro jogo da franquia que trouxe essa mecânica. E aqui entra a parte técnica que apontei logo no início. Tivemos RE4 em 2005, que mudou o mundo dos jogos. Então, a Capcom pegou essa mesma ideia e adicionou um leve tempero: o Co-op. Trazer Chris de volta, trazer Jill e ainda a ideia de poder jogar com um amigo. Porque todo mundo, quando começou Resident Evil nos anos 90, jogava na casa de um primo, amigo, vizinho ou outra pessoa e agora ter a possibilidade de, talvez, jogar com essas mesmas pessoas com o Chris ou Jill, que começou lá em 96, é o passo certo após revolucionar o mundo dos jogos 4 anos antes.

Claro, as milhões de promoções que a Capcom põe em seus jogos também influenciam para “inflamar” essas vendas. Mas pensamos também: depois de anos, não só quem jogou nos na década de 90 vai querer conhecer esse jogo/franquia e Resident Evil 5 tem tudo o que a franquia já vendeu. Tem os protagonistas iniciais, tem a mudança do mundo dos jogos, tem ação, tem terror, tem todo o plot que Resident Evil 1 traz, tem traição, tem Umbrella e tem ele, o vilão mais memorável de Resident Evil, Wesker. Sim, Resident Evil 5 é um sucesso comercial, pois reúne praticamente tudo o que a franquia se propôs a fazer.