Com o teaser trailer do novo Resident Evil dos cinemas divulgado, diversos veículos de comunicação que estavam sob embargo e que conversaram com o diretor Zach Cregger compartilharam mais detalhes sobre a produção. O filme é uma adaptação inspirada na franquia que se passa em uma Raccoon City que transita com elementos dos jogos, mas com visão criativa diferente.
Além da direção, Zach Cregger também assina o roteiro dessa versão de Resident Evil ao lado de Shay Hatten, outro profissional que tem experiência em projetos grandes de hollywood. O nome de Zach aparece em destaque em todas as divulgações do live-action de RE, com a indicação das outras obras de terror de sua autoria, Hora do Mal (Weapons) e Noites Brutais (Barbarian).
Em um conteúdo publicado no PlayStation Blog, Zach Cregger falou sobre ter começado nos jogos com Resident Evil 2 e lembrou da mecânica de conservação de recursos. Mencionou balas, itens de cura e o fato de se questionar o que levar no inventário ou perguntar a si mesmo sobre ter deixado algum item para trás. “…realmente gosto da mecânica de survival horror de se mover devagar e com cautela. Isso era algo muito importante para mim trazer para o filme”, afirmou.
Sobre o que levou a criar um filme de Resident Evil, ele enalteceu os jogos, mas disse que queria contar uma história que não fosse “já contata nos jogos”, como a de Leon S. Kennedy onde “os jogos fazem um trabalho excelente”. “Seria redundante e, no fim das contas, acho que decepcionante. Então, preferi celebrar tudo o que amo nos jogos contando uma história que poderia existir paralelamente a um deles”, conta.
Ainda sobre o assunto, ele revelou que a história do novo filme se passa no mundo de RE2, mas com “pequenas alterações para dar mais liberdade dramática”. Ele reforçou que é um filme que tem um início e um fim definido, onde acompanhamos uma pessoa diferente dos jogos em uma missão durante uma noite terrível em Raccoon City que “precisa levar algo do ponto A ao ponto B”. O diretor contou ter sido divertido tentar escrever um roteiro de jogo como se fosse um filme. “Eu queria manter a fidelidade [como nos jogos]: você começa com uma pistola, passa para uma espingarda e, eventualmente, encontra uma MP5. Você está sempre preocupado com a quantidade de balas que tem, com os ferimentos e tudo mais.”
Ao ser questionado sobre o protagonista do filme, Bryan (Austin Abrams), e se ele seguiria a lógica de personagens recentes da série que foram introduzidos em Resident Evil sem a experiência de Leon no caos, especificamente Ethan Winters (Resident Evil 7 e Resident Evil Village) e Grace Ashcroft (Resident Evil Requiem), Zach Cregger contou que o personagem Byran é como se fosse um cara normal “com o que eu imagino que um jogador de videogame médio reagiria se fosse jogado dentro do jogo”. “Ele é só um cara bem-intencionado e azarado que é sugado para um pesadelo. Foi muito divertido pensar: como eu reagiria de forma autêntica se visse um cachorro mutante me atacando?”.
O diretor mencionou as mudanças de ambiente de Resident Evil como algo positivo e indicou novamente Resident Evil 2 como exemplo. “Mesmo que [Resident Evil 2] se passe quase inteiramente em um único local, a delegacia, você sempre desbloqueia novas áreas para ir, como o estacionamento e outros lugares. Portanto, o ambiente precisa estar em constante transformação, e você precisa descobrir novos locais o tempo todo. Esse é um aspecto fundamental do filme.”
Zach Cregger contou que há muitos easter eggs dos jogos e que imitou, por exemplo, itens de cura de Resident Evil 4 e colocou no filme. Disse saber que muitos fãs não ficarão satisfeitos por ele não estar contando a história dos jogos. Sobre os jogos, revelou ter jogado Village em VR e ficado impactado com a perseguição do bebê gigante. “Tinha algo nos sons que o bebê fazia, as luzes se apagam, e você está correndo pelos corredores e tem que se esconder debaixo de uma cama. Foi a única vez jogando um videogame que eu simplesmente desisti e dei uma pausa”.

Para IGN, além do clássico RE4, o diretor contou ter jogado o remake de Resident Evil 4. Um editor do portal viajou aos sets de filmagem na República Tcheca e descreveu que o filme começa com a referência à obra original de Shinji Mikami, com o personagem Brian em uma área mais rural com referências à RE4 antes de ir para as ruas, esgotos e instalações científicas que esperamos encontrar em Raccoon, como em RE2 e Resident Evil 3.
O editor do portal pontua que Brian não é como Leon S. Kennedy ou Chris Redfield, mas que é ele quem enfrenta os monstros. Uma sequência nos esgotos lembra RE3, mas com uma ameaça diferente do jogo. “Imagine um homem inchado, carnudo e disforme, não muito diferente do físico perturbador de Stellan Skarsgård em Duna. […] se contorcendo e pulsando como se algo estivesse prestes a explodir”, contou.
Para IGN, o diretor de arte do filme, Tom Hammock, contou sobre a “obsessão” por portas em Resident Evil e que há o dobro delas nos jogos se comparado ao que vai para os cinemas. “Você nunca sabe de onde virão os sustos. Eu e o Zach nos divertimos muito trabalhando nas portas e nessas transições estranhas entre os espaços, então um corredor de hospital leva a um lugar que você não espera. Literalmente, temos cenários inteiros construídos em torno de uma única tomada para um único susto”, contou.
No set, o editor da IGN disse ter se surpreendido com a quantidade de sangue e com o cenário de terror, algo que ele relacionou com o que o Zach traz em filmes anteriores quando “ele decide que é hora de separar a carne dos ossos e arrancar órgãos dos torsos”. “É uma história alternativa que se passa na periferia da história do herói, que poderia estar acontecendo sem necessariamente quebrar o universo que os jogos estão contando”, afirmou o diretor Zach Cregger.
Ainda para IGN, o diretor disse que trabalhou ângulos de câmeras para simular o comportamento do personagem (Bryan) como se estivesse sendo controlado por um jogador, com a visão de trás. “Filmei com uma lente grande angular, em um plano sobre o ombro na maior parte do filme, então a sensação é como jogar um jogo, onde estamos meio que na visão no ombro dele, e quando ele vira em algum canto, viramos junto. Então, estou usando a linguagem visual dos videogames. Em primeiro lugar, é inerentemente cinematográfico, mas também torna as coisas mais assustadoras.”
Para Screenrant, em uma entrevista anterior, Zach Cregger tinha dito que ele foi o responsável por vender a ideia do roteiro para a Constantin Film e que eles “adoraram”. Ele falou sobre os jogos constantemente se reinventarem e não serem só sobre um personagem. “Leon não está no sétimo ou oitavo jogo, então eles têm liberdade para explorar diferentes cenários. Então, acredito que, se estou honrando os jogos, vou apenas contar outra história que dá a sensação de estar jogando um jogo no mundo do jogo, mas sem interferir na história de Leon.”
Sobre sua adaptação, o diretor é categórico: “Vai ser um filme do Zach Cregger porque não tem como ser diferente. Está saindo da minha cabeça, mas tudo o que estou fazendo é para honrar os jogos”.
Ao Screenrant, o diretor de arte do filme, Tom Hammock, disse que Resident Evil 6 influenciou o design de diversas criaturas enfrentadas pelo personagem Bryan. Já Shane Mahan, que lidera os efeitos visuais, contou estar ansioso para o resultado final e que o filme é como uma “montanha russa” que “…começa e simplesmente continua, continua e continua”. Além disso, Shane afirmou que a franquia precisava de um “bom chute no traseiro” nos cinemas e que o reboot foi o chute necessário.
Para Gamesradar, o diretor de arte Tom Hammock falou que a cidade do filme foi projetada com base em RE2 e contou ainda sobre as criaturas terem “muito de Resident Evil 4 e Resident Evil 6”. “Zach e eu selecionamos elementos específicos de criaturas que gostamos nos jogos, com tentáculos ou com seus dentes, e tentamos adaptar essa linguagem para essas criaturas.”
Ao Gamesradar, o diretor Zach Cregger voltou a afirmar que não assistiu aos outros filmes live-action de Resident Evil, algo que disse em outras entrevistas. “Talvez sejam ótimos. Não faço ideia. Mas eu simplesmente não estava interessado, porque acho que o que é ótimo nos jogos é que eles são condensados em uma única perspectiva, e tudo gira em torno desse ritmo e desse terror, e esses filmes simplesmente não me pareciam filmes de terror.”
O Resident Evil de Zach Cregger vai estrear nos cinemas em 18 de setembro deste ano.







