A notícia revoltante dos últimos dias é a do PlayStation avisando que vai acabar com discos. Isso tudo em época que jogar videogame tem ficado cada vez mais difícil, ainda mais no Brasil. No REVIL, além de Resident Evil, apreciamos a indústria dos games como um todo, por isso jogamos diversos games. Então, quando tem notícias envolvendo a indústria, nós também acabamos comentando.
E foi exatamente isso que fizemos quando o Ricardo Andretto divulgou um conteúdo falando a respeito: PlayStation vai acabar com discos e expõe crise que afeta gamers. Inclusive, você sabia que Resident Evil Veronica pode ser o último em mídia física? Neste vídeo, comento um pouco o assunto PlayStation e apresento algumas reflexões dessa notícia bombástica da Sony. É um assunto revoltante e um verdadeiro absurdo, e claro que nós do REVIL não concordamos com a decisão.
Além dos discos, PlayStation também anunciou que vai fechar as lojas digitais do PlayStation 3 e do PlayStation Vita.
Eu sempre joguei em console, mas de uns tempos pra cá, acho que foi de 2022 pra frente, migrei totalmente para o PC. Então já faz um tempo que eu não compro mídia física, porque no PC não existe, infelizmente, só existe mídia digital. Então eu já estou acostumado com isso. Mas, independentemente disso, penso que a mídia física tem que continuar existindo. E eu queria que existisse no PC.
Até mesmo por uma questão de armazenamento, né? Porque, por exemplo, na GOG.com, se você compra o jogo, você ganha lá um instalador offline, que você pode guardar, né? O jogo realmente é seu. Você recebe lá um instalador, mas se você começar a acumular um monte de instalador de vários jogos diferentes, vai chegar uma hora que você vai ter que ter um HD gigante.

A mídia física tem o detalhe de que o jogo está no disco, então eu não preciso ter ele, sei lá, num HD, seja no PlayStation, seja no computador, né? Está naquela mídia, naquele suporte que é o disco. Enfim, por isso acho que deveria continuar existindo mídia física.
Tanto que eu consigo citar um jogo que me veio à mente agora é justamente o Outcast – A New Beginning, que é a sequência do Outcast lançado em 1999, que basicamente é o pai dos jogos de mundo aberto. Os desenvolvedores fizeram uma versão em mídia física desse jogo para PC. E foi incrível. Certamente existem outros exemplos. Então assim, a mídia física, eu acho que ela tem questões que demonstram a importância dela. Isso sem falar que tem a questão de preço do jogo, né? Às vezes uma mídia física é mais barata do que a mídia digital.

Mídia digital, em tese, era para ir abaixando o preço ao passar do tempo, porque se o argumento é não ter mais mídia física, isso pode baratear os custos, só que isso não acontece – ainda mais quem vive no PlayStation. Eu não compro mais nada na PSN, nem PlayStation, mas eu por um tempo, usava e vi: os preços são absurdos. Lembro que foi a DLC do Cuphead, que na época, na versão de PC, era muito mais barato, e na versão e na PSN era muito mais caro.
E a mídia física muitas vezes salvava nós brasileiros, né? Porque videogames sempre foi uma coisa cara no Brasil, mas está em piorado com passar do tempo e não só aqui, como no mundo inteiro. Só que pra nós, devido as particularidades do nosso país, o Brasil é país bem complicado. Então muitas vezes o que salva a gente conseguir comprar um jogo é a mídia física porque você encontra uma loja que está fazendo uma promoção muito mais barata do que você comprar a mídia digital diretamente lá na PSN.
Na pré-venda eu consegui pegar o Requiem por 250 reais com frete grátis. Mesmo em uma promoção não tão boa a mídia física do jogo está 40 reais a menos que na PSN, são essas opções que a Sony vai tirar do consumidor pic.twitter.com/37CGXETyId
— REVIL (@revilbr) July 1, 2026
Você vê o nível que gente já chegou. Então o fato da Sony de falar que não vai ter mais mídia física a partir de 2028, aí é um ponto que já vai começar a complicar também.
E como é vai funcionar isso no PlayStation 6? O PlayStation 5 tem retrocompatibilidade com o PlayStation 4. Porque a sacanagem já começa ali no PlayStation 3. Porque o PlayStation 4 não tem retrocompatibilidade com o 3. Já começa aí a sacanagem. As pessoas eram obrigadas a recomprar o jogo no PlayStation 4 para poder jogar. Eu quero jogar Resident Evil 5, vou ter que comprar de novo. Então como é que funcionar isso no PlayStation 6?
Então não vai ter leitor de disco? E todos os jogos que eu comprei em mídia física? E aí? Eu jogo fora então? Vou ter comprar tudo de novo? Se o PlayStation 5 já foi uma decepção para muitas pessoas, o PlayStation 6 então, do jeito que está indo, eu, sinceramente, não vou comprar um PlayStation 6, não vou comprar nenhum console mais, para ser bem honesto, porque me deixa indignado é essa questão da retrocompatibilidade.

Como que não faz um sistema operacional que tem a compatibilidade com o sistema anterior? Aí começa a dar desculpas, né? “Mas veja bem, mas a arquitetura do PlayStation 3 é muito difícil porque ela é problemática, não sei o quê.” O problema é seu, amigo. O mínimo que você tem que fazer é criar um console que eles tenham a retrocompatibilidade com anterior. A Microsoft fez isso com o Xbox.
Então, essa questão da mídia física é realmente uma decisão horrível que a Sony tomou. A mídia física, na minha visão, acho que a gente pode dividir em quatro pontos. O primeiro, eu gosto do jogo, eu quero ter o jogo, eu quero ter ele em mídia física, que nem filme, que nem CD de música, que nem livro. Eu quero ter ele, a mídia. Porque daí se algum dia eu quero assistir, quero jogar, quero ler o livro e tal, eu tenho ele aqui.
Segundo ponto. Mídia física também tem pessoas que colecionam, eu acho que isso é importante, até mesmo por uma questão histórica na indústria dos games, né? E até mesmo para jogos que não são mais fabricados. E daí nós vamos para o próximo ponto: preservação de jogos. Tem muitos jogos que tem mídia física, mas eles não são mais fabricados e aí? Como é que eu vou preservar esse jogo? Porque a preservação de jogos é uma coisa importante.
A GOG tem essa iniciativa de preservar jogos. Tanto que eles fizeram isso com Resident Evil 1, Resident Evil 2 e Resident Evil 3, além de Dino Crisis. Eles foram atrás disso. Eles têm essa iniciativa. E isso tem que ser valorizado. Na minha visão a melhor plataforma para preservar jogos é o PC, porque consoles uma hora estragam ou pior ainda: tenho que torcer para que a empresa faça o próximo console com retrocompatibilidade.

E aí vamos para o próximo ponto: propriedade. E aí que vai para essa questão de mídia digital, porque tudo tá se encaminhando para mídia digital. Nos consoles agora, isso tá ficando cada vez mais notório. Mas no PC já é assim há muito tempo. E qual que o problema disso? É essa questão de licença de uso.
Antigamente eu comprava o jogo, tenho aqui o disco, tem manualzinho e tal, isso aqui é meu, eu sou proprietário desse jogo, né? Veja, eu não sou dono dos direitos autorais do jogo Resident Evil, mas eu sou proprietário do suporte deste exemplar, desta cópia desta obra intelectual, porque tudo isso aqui que eu tô falando já envolve direito do consumidor e direito autoral, né? Então eu sou dono desta cópia, a cópia me pertence, eu posso fazer o que eu quiser com ela, eu posso jogar fora, eu posso revender, eu posso emprestar, né?
Com mídia digital eu já não consigo fazer isso, por quê? Porque a mídia digital eu não sou proprietário, é uma licença de uso, eu compro uma licença de uso, uma licença para usar o jogo, posso baixar ele, posso instalar, desinstalar quantas vezes eu quiser, posso ficar jogando quantas horas eu quiser, porém ele não é meu. Por isso que a GOG tem essa prática de você comprou o jogo, ele é seu sem DRM. Claro, direito autoral tem que ser protegido, não acho que direito autoral tem que ser desconsiderado, mas tudo tem limite, né?
E a gente tem que criticar, tem que encher o saco porque senão a indústria dos games vai testando e vai piorando com passar do tempo. Quando chegou a era de PS3 começou essa coisa de DLC e não parava mais. Então a indústria dos games vai testando, vai vendo até onde vai e vai ganhando muito dinheiro. É complicado toda essa situação, mas a gente tem que reclamar, quem sabe se as pessoas pressionarem muito, a Sony volte atrás.
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Colaborou com a inserção do conteúdo no site: Ricardo Andretto

